Jornal Estado de Minas

PARQUE AGGEO PIO SOBRINHO

Parque no Buritis vira refúgio da criançada na selva de pedra


Quem chega ao Parque Municipal Aggeo Pio Sobrinho, no Buritis, Região Oeste de BH, se depara, já na entrada, com um belíssimo caramanchão com a exótica flor de jade. A floração chama a atenção pela beleza da cor esverdeada, que remete à pedra, cujo nome é símbolo de pureza e serenidade para os povos do Oriente.




 
A vegetação nativa é composta, em sua maior parte, por espécies dos biomas mata atlântica e cerrado, como embaúba, pau-d’óleo, cedro, sangra-d’água, ingá, jatobás, vinhático e jerivá. Apresenta, no fundo do vale, vegetação exuberante (mata de galeria) composta, basicamente, por campo sujo e campo limpo e vegetação secundária. Na área de lazer, foram introduzidas espécies exóticas e frutíferas, além das ornamentais.
 
Segundo a Fundação Municipal de Parques e Zoobotânica de BH (FMPZ), o espaço de lazer foi implantado em 1996, por meio do Programa Parque Preservado, resultado do processo de parcelamento do solo que criou o Bairro Buritis, na Região Oeste. O parque ocupa uma área aproximada de 600 mil metros quadrados e integra parte do maciço da Serra do Curral. Tem aspecto de vale e  três nascentes, que formam o Córrego Ponte Queimada, afluente do Córrego Cercadinho, pertencente à Bacia do Ribeirão Arrudas.
 
A fauna local é composta por répteis, mamíferos e aves, incluindo exemplares de serpentes, quatis, tatus, gambás, preás, cuícas, ouriços-cacheiros, micos, esquilos, siriemas, pombas-trocal, juritis, sanhaço-frade, alma-de-gato, anu, tesourinha, gavião-carrapateiro, sabiá-poca, sabiá-laranjeira, capacitinho de veludo, entre outros. Tudo isso dentro de um dos bairros mais populosos de Belo Horizonte, com quase 30 mil habitantes contabilizados no último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), feito em 2010.




 


A empresária Helenice Osório, de 59 anos, visitava o parque pela primeira vez quando a reportagem esteve no local. Levou junto o namorado, Mauro, e a neta Laura, de 1 ano e meio. "Estou adorando. Há anos que ouvia falar, mas não o conhecia. Vim principalmente para conhecer o riacho, mas, nesse ponto, fiquei um pouco decepcionada porque não o achei bem cuidado, e são poucos os brinquedos para crianças menores." Uma placa fixada às margens do riacho adverte que a água é imprópria para banho.
 
A babá Gláucia Graziele dos Santos, de 41, compartilha a opinião de Helenice. "O parque para crianças menores deixa a desejar. Tinha que ter mais brinquedos. Tem apenas um escorregador. O entorno é calçado com brita e alguns (visitantes) acabam se machucando. Deveria ter mais opções para criança. Venho todos os dias", conta a moradora do Bairro  Olhos d'Água.

QUADRA E TRILHAS

Apesar de as opções de brinquedos para crianças menores serem limitadas, o parque conta com quadra poliesportiva, pista de caminhada e trilha ecológica, além de áreas de convivência, tudo em bom estado. Os banheiros públicos são limpos, higienizados e bem cuidados. É permitida a presença de ciclistas. Os frequentadores elogiam a acolhida dos funcionários e cuidadores do espaço público.




 
Não é permitida a entrada de animais domésticos. O presidente da Fundação de Parques, Sérgio Augusto Domingues, explica que em algumas áreas verdes a entrada de bichos domésticos é proibida devido à presença de animais silvestres que portam micro-organismos e parasitas que podem contaminá-los e vice-versa. "Essas áreas têm remanescentes de ecossistema original preservado e por isso a proibição."
 
"Uma grata surpresa", segundo o empreiteiro Mauro Ozias da Conceição, de 55, que acompanhava a namorada Helenice e a neta dela, Laura. "Moro no Taquaril. É a primeira vez que venho, sempre passava na frente mas nunca tinha entrado. Interessante, muito bom, bem central, no meio urbano. Muito agradável. Ideal para crianças. A comunidade aqui que não vem está perdendo."

Acompanhada do namorado Mauro, Helenice Onório levou a neta Laura ao parque e "adorou" o local, mas fez um reparo: há poucos brinquedos para crianças pequenas


Segurança, limpeza e áreas de contemplação e convivência foram destacadas pela empresária de Campinas (SP) Isabella de Martins Silva Marques, de 37, que mora no Buritis, como motivos para frequentar o Aggeo com seus três filhos. "Aqui tem qualidade de vida, é um local onde podemos trazer os filhos. Seguro, espaço amplo, tem quadras para bola, balanço, escorregador. Quem quiser fazer piquenique, pode se sentar debaixo de uma árvore, curtir a natureza, tudo em um só lugar. Pertinho de casa, no meio de um bairro. Há grande movimentação de carros na avenida de entrada, mas não tenho receio de as crianças correrem para a rua por ser um local fechado, com uma pessoa vigilante na portaria, segurança imprescindível para os pais."




JEITO de INTERIOR

Isabella disse que Belo Horizonte encanta pela quantidade de espaços públicos de lazer, praças amplas e parques, "coisa que falta em Campinas". Ela acompanhava os filhos Mateus, de 10, Henrique, de de 8,  e Elisa, de 5. "Eles gostam muito, não terceirizo cuidados, aqui me dá segurança, eles conhecem bem o parque,  se sentem soltos, sabem onde fica o banheiro, onde beber água. BH é uma cidade grande com um pouquinho de interior. Faz o diferencial."
 
Também moradora do Buritis, a professora Marília Cristina de Oliveira, de 36, conta que "descobriu o parque" durante a pandemia, depois que a filha Maria Alice, hoje com 2 anos, nasceu. "Eu procurava espaço ao ar livre para passear com ela e encontrei este aqui. O parque é bem atrativo, mas acho que tem poucos brinquedos pela quantidade de crianças que o frequentam."