Jornal Estado de Minas

RACISMO

Polícia investiga ataque de neonazistas a movimento negro em Minas

A Polícia Civil apura ameaças e ataques racistas proferidos por um grupo neonazista a um movimento negro de Cambuí, município com 30 mil habitantes do Sul de Minas. Os suspeitos invadiram o WhatsApp do "Movimento Negro de Cambuí", enviaram vídeos de pessoas pretas degoladas e ainda mudaram a foto do grupo por uma suástica.




 
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"Eu nunca tinha passado por um ataque e nem o nosso grupo", afirma o líder do movimento e militante da causa negra, Beto Zulu. Ele conta que o ataque ocorreu por volta das 11h40 do primeiro domingo deste mês, no dia 6.
 
Zulu estava com a noiva em casa quando o casal recebeu a ligação de um integrante do grupo chorando. Inicialmente, a pessoa achou que havia sido adicionada em um grupo no WhatsApp neonazista.

"Fui ver este grupo e, na verdade, não colocaram a gente no grupo nazista e, sim, três pessoas invadiram nosso grupo e mudaram a foto por uma suástica", explica o líder. 

Zulu afirma que essas três pessoas - sendo dois homens e uma mulher - espalharam mensagens de ódio e vídeos de pessoas pretas degoladas e mutiladas. Uma das mensagens dizia: "Vamos a pauta, quando será aquela queima de negros?".




Medo

O líder do movimento afirma que os invasores conseguiram usar o grupo durante 20 minutos. Segundo Zulu, os membros da comunidade e do movimento negro da cidade, depois do ataque, ficaram com medo do que poderia vir.
 
Sequência de prints mostra ataques virtuais contra movimento negro de Cambuí (foto: Reprodução/Redes sociais)

"Não sabemos de onde vieram. De primeiro sabemos que um dos números é da Espanha. Desconfiamos que outro seja de Minas e São Paulo", comenta.
 
Logo após a invasão, Zulu e a noiva foram até a Polícia Civil, mas foram informados de que a corporação não estava registrando boletim de ocorrência. O casal, então, seguiu à PM. "Eu registrei lá e eles me disseram que automaticamente vai para a civil investigar", fala o líder.




Investigações

A Polícia Civil revela ter identificado os números dos envolvidos, mas não divulga o nome e nem a localização deles. Mais de 10 dias após o ataque ter ocorrido, a corporação ainda não sabe dizer quando o inquérito será concluído e tampouco concede entrevista para falar sobre o caso.
 
"No momento não haverá entrevistas sobre o caso. Mais informações em momento oportuno", afirma, por nota (leia a íntegra abaixo).

Nota completa da Polícia Civil

"A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) instaurou Procedimento Criminal para apurar as denúncias de delitos de racismo e apologia ao nazismo, ocorridos no dia 6 de março de 2022, na cidade de Cambuí, no Sul de Minas.
 
De acordo com as vítimas, algumas pessoas invadiram o grupo no aplicativo de mensagens do movimento negro com mensagens ofensivas e de apologia ao nazismo. Os números dos telefones foram identificados.
 
No momento não haverá entrevistas sobre o caso. Mais informações em momento oportuno."