As aulas voltam nas redes estadual e municipal de ensino na próxima segunda-feira (7/2), e, com elas, o transporte coletivo de alunos. Mesmo com os riscos da COVID-19 e da gripe H3N2, os pais que trabalham ou não têm disponibilidade para levar seus filhos à escola vão recorrer ao transporte escolar. São ônibus, micro-ônibus, kombis e vans levando e buscando estudantes em vários horários.
Passos, no Sul de Minas, oferece transporte para quatro escolas na zona rural e para cinco escolas estaduais na zona urbana, que atendem alunos da zona rural que cursam o ensino médio. Ao todo, transporta em média 1.200 estudantes por dia.
O clima é de aparente tranquilidade, mesmo com os riscos de contágio. Ana Paula Bonfim tem dois filhos, de 12 e 10 anos, que estudam na Escola Estadual São José. Na segunda, os filhos já vão de transporte escolar à aula. “Nós não temos medo, porque os meninos foram bem instruídos em casa a tomar os cuidados com a higiene pessoal, e são aplicados”, disse a mãe, otimista.
Com Gleida Aparecida Luiz não é diferente. Ela tem uma filha de 12 anos, que estuda na Escola Municipal Ananias Emerenciano Campos e, na segunda-feira, estará no ônibus com colegas para ir à escola. “Comprei caixas de máscaras e a orientei a tirar e guardar em um saco quando sujar. Usar álcool em gel e seguir o que as tias na escola mandam fazer. No transporte, eu tenho a certeza de que ela seguirá as orientações”, falou a mãe.
A volta do transporte escolar traz comodidade para os pais, mas também alívio para muita gente que sobrevive desse trabalho. Dênis Ferreira Conte tem um ônibus escolar particular de 70 lugares, que transporta alunos no bairro Coimbras. Na cidade, cerca de 50 veículos de transporte particular prestam esse tipo de serviço.
Dênis conta que tomará todos os cuidados sanitários para não ter que parar novamente. Com a chegada da pandemia, ele se viu obrigado a parar. Assim, desde 18 de março de 2020, calcula que tenha perdido R$ 500 mil com as coisas que teve que vender para sobreviver e o quanto deixou de ganhar se tivesse na ativa.
“Nesses dois anos, trabalhamos um mês em 2020 e um mês em 2021. Foi um tempo difícil que espero que não volte mais. Agora, com os cuidados com a higiene e a vacinação das crianças, estamos mais tranquilos. Trabalho minha vida toda transportando crianças para as escolas e nunca imaginei que um dia pudesse passar por isso. Mas estou otimista com a volta”, conta Dênis, que já chegou a transportar 248 crianças por dia. Agora, recomeça com 120.