Jornal Estado de Minas

PARALISAÇÃO

Muita gente e pouco ônibus na Estação Diamante

A greve deflagrada pelos motoristas de coletivos de Belo Horizonte deixou muitos passageiros 'a ver navios' na Estação Diamante, na região do Barreiro. De acordo com a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), em toda a cidade somente 28,8% das viagens foram cumpridas, entre 0h e 7h. Na Estação Diamante foram apenas 7%.



Os poucos carros das linhas alimentadoras que circularam nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (2/12), desembarcavam os passageiros, que ficaram horas nas plataformas sem conseguir seguir viagem para outras regiões da capital.

O movimento de pessoas à procura de algum tipo de transporte ou carona era grande no entorno do terminal. O telefone celular e o WhatsApp eram as ferramentas para avisar aos patrões e empregadores sobre o atraso ou mesmo a falta do serviço devido à situação de ausência de condução.

Alguns desistiram e voltaram pra casa. Eva das Mercês, diarista, ia pra Savassi. Chegou às 6h e não tinha ônibus. Depois de duas horas de espera, resolveu retornar para sua residência, no Bairro Durval de Barros. "Vou aproveitar que essa linha ainda tem alguns carros circulando. Minha preocupação é descer para BH e depois não ter como voltar", disse.






Cláudia Silva Santos, 49 anos, funcionária do Hospital Paulo de Tarso, no Estoril, região Oeste de Belo Horizonte, mora no próprio Bairro Diamante. Foi a pé até o terminal onde chegou às 5h30, mas não encontrou a condução. Chegou a voltar pra casa, mas foi informada por por sua equipe que o hospital disponibilizaria um meio de transporte para leva-la ao trabalho. Retornou à estação e às 7h30 ela aguardava no lado externo da estação.

Adair Motorista disse que a categoria está "exausta e acumulando funções, além de muitos ainda sem receber salários de novembro". (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press. Brasil. Belo Horizonte - MG)


Adair Motorista, como é conhecido entre os colegas, trabalha na linha 3052, Diamante - BH Shopping e estava de braços cruzados em apoio à categoria 'que já passou do limite de paciência'. Segundo o condutor do transporte coletivo, 'tem empresas nas quais motoristas não receberam nem o salário do mês de novembro e nem a primeira parcela do 13º', que dveria ter sido quitada no dia 30 de novembro, segundo a legislação trabalhista.

Adair reclama ainda do excesso de trabalho. "Dirigimos, cobramos passagem, temos que acionar o elevador de cadeirantes. Já vai para tês anos sem qualquer reajuste de salário. Enfrentamos ônibus com excesso de passageiro, um trânsito intenso. Empresas não valorizam o profissional e quando terminamos o dia ficamos com dor de cabeça. Pego às 4h da manhã e vou até às 14h. Temos muitos colegam que trabalham doentes, com medo de entregar atestado e serem mandados embora."





Morador do Bairro Diamante, Luiz Flávio, empresário de 49 anos, tentava ir para outra região no Barreiro. "Vi da minha casa alguns ônibus circulando e desci, mas já espero há uma hora. O problema aqui não é só em dias de greve. É uma constante esta estação super lotada, gente esperando e carros mau conservados, principalmente aqueles que ligam a estação aos bairros."

A babá Cleide Fernandes, de 41 anos, moradora do Mangueiras, aguardava condução para o Buritis. Ela  concorda com Luiz Flávio. "Todos os dias está muito cheio, a lotação desconfortável, motorista cobrando passagem atrasa a viagem, não há cumprimento de horários, principalmente nas linhas alimentadoras", reclama.

Cleide diz considerar a greve 'justa e é uma forma de protestar para pressionar e melhorar o sistema de transporte. Mas tem a parte também dos demais trabalhadores que precisam defender o seu pão de cada dia.' Ela aguardava a patroa, que ficou de busca-la na estação. 





Carolina "pesava como ir e voltar ao trabalho", sem o transporte na Estação Diamante (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press. Brasil. Belo Horizonte - MG)

Carolina Rocha Cândida de Oliveira, de 35 anos, supervisora comercial, chegou de Contagem e ia depois para além da via do Minério. "Estou pensando o que vou fazer. Pelo visto tem muita gente esperando. Todo os dias vou em ônibus lotado. Pensado em ir ao trabalho, mas também na volta para casa que terei que pensar outo tipo de transporte."

Entenda a greve

- Leia: Setra entra na Justiça ara exigir 100% da frota de ônibus circulando

Os rodoviários alegam estar sem aumento há dois anos e reivindicam reajuste de 9%, mais correção dos vencimentos pelo Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC).  

A categoria chegou a cruzar os braços em 22 de novembro, mas suspendeu a greve 24 horas depois, após a sinalização de um acordo pelo Sindicato das Empresas de Transporte Público de Belo Horizonte (Setra-BH).

A proposta apresentada pelo Setra-BH, no entanto, não agradou aos motoristas, já que contempla o aumento de 9%, mas exclui a reposição salarial pela inflação, principal bandeira do movimento grevista.

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