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Estado de Minas TURISMO RELIGIOSO

Espanhóis listam quatro igrejas de Minas entre as 10 mais belas do Brasil

Ranking de agência da Espanha aponta estado como o de maior acervo entre os 10 templos mais bonitos do Brasil. Na lista estão Congonhas, Sabará, Ouro Preto e BH


30/05/2021 06:00 - atualizado 30/05/2021 08:45

Basílica Senhor Bom Jesus de Matosinhos: exuberância do talento de Aleijadinho esculpida em pedra-sabão na forma dos 12 profetas(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press - 4/6/20)
Basílica Senhor Bom Jesus de Matosinhos: exuberância do talento de Aleijadinho esculpida em pedra-sabão na forma dos 12 profetas (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press - 4/6/20)
O turismo religioso no Brasil une de pequenas cidades do interior a capitais; de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, a Oscar Niemeyer; e reúne também a paixão e sotaques de visitantes de todo o mundo.

É o que mostra uma lista divulgada pela agência espanhola Civitatis, com o ranking das 10 igrejas mais bonitas do país para se visitar.

Entre elas, grandes tesouros arquitetônicos dos mais variados estilos – do barroco ao modernismo, passando pelo neogótico e neorrenascentista. E Minas Gerais ocupa um lugar privilegiado nesse roteiro de redescoberta traçado por espanhóis, com quatro representantes, das históricas Ouro Preto, Sabará e Congonhas, e também da capital.

Destacam-se na lista internacional a Matriz Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, a Basílica Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas – ambas na Região Central do estado –, a Igreja Nossa Senhora do Ó, em Sabará, na Grande BH, e a Igreja São Francisco de Assis, também conhecida como igrejinha da Pampulha, em Belo Horizonte.

Completam a lista espanhola dois templos do Rio de Janeiro (RJ): o Mosteiro São Bento e a Igreja São Francisco da Penitência. De São Paulo (SP), os espanhóis indicam a Catedral da Sé; do Recife, a Capela Dourada; de Brasília, a Catedral Metropolitana; e de Salvador, a Igreja e Convento São Francisco.

Durante a pandemia, visitas turísticas a esses atrativos foram suspensas, e em algumas cidades ainda não estão liberadas, como é o caso de Sabará.

Por lá, quem passa em frente à igrejinha de Nossa Senhora do Ó pode até se enganar pela simplicidade externa, mas seu interior guarda uma suntuosa beleza.

As portas, porém, estão fechadas, já que a queda de receita na Paróquia Nossa Senhora da Conceição impede que se mantenha um funcionário no local – que em circunstâncias normais atrai gente de todo o planeta. 

Aparente simplicidade da igrejinha do Ó esconde um interior suntuoso, considerado das obras mais importantes da primeira fase do barroco(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Aparente simplicidade da igrejinha do Ó esconde um interior suntuoso, considerado das obras mais importantes da primeira fase do barroco (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)


É o que destaca a secretária municipal de Turismo, Carmem Lopes Alves. “A unidade decorativa do interior vem da harmonia dos elementos de policromia, o ouro, o vermelho e o azul, o que atrai muitas visitas de estudantes, arquitetos, artistas e turistas de diversas partes do mundo. É uma das obras mais importantes da primeira fase do barroco em todo o Brasil. E exige cuidados constantes para conservação”, explica.

Em Ouro Preto, outro expoente do barroco que também atrai olhares deslumbrados do turismo mundial se ressente da mesma forma das restrições impostas pela pandemia.

Em 2019, antes da crise sanitária, a Matriz Nossa Senhora do Pilar recebeu 116 mil visitantes. Mesmo em 2020, quando as restrições para combate ao avanço do novo coronavírus já estavam em vigor, 38 mil pessoas passaram diante de seu altar.

Atualmente, a matriz está aberta à visitação de terça a domingo, das 9h às 16h45, com intervalo das 11h às 12h.

Há restrição ao número de visitantes (70, no máximo), e a presença em missas, batizados e casamentos deve ser agendada.

A Secretaria Municipal de Turismo desenvolveu um passeio virtual, que pode ser acessado no Instagram (@tur_ouropreto) para que se conheça, de forma remota, o interior da matriz.

“A matriz do Pilar é um dos principais símbolos de um período de glória da Igreja Católica no Brasil. Sua relevância artística, cultural e religiosa é imensa, não só pelos 400 quilos de ouro usados em seus adornos, mas pela fé que representa aos fiéis. É o exemplo máximo do barroco mineiro”, ressalta o secretário de Turismo de Ouro Preto, Rodrigo Câmara.

Basílica Nossa Senhora do Pilar abriga 400 quilos de ouro em adornos que reluziram aos olhos de 38 mil visitantes apenas no ano passado(foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Basílica Nossa Senhora do Pilar abriga 400 quilos de ouro em adornos que reluziram aos olhos de 38 mil visitantes apenas no ano passado (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)


Em Congonhas, está a Basílica Senhor Bom Jesus de Matosinhos, construída entre 1757 e 1790 por iniciativa do imigrante português Feliciano Mendes, minerador e pedreiro, em reconhecimento a uma graça alcançada.

De acordo com o Iphan, responsável pelo tombamento do bem em 1939, o templo começou a ser construído na segunda metade do século 18. Atualmente, está aberto à visitação de terça a domingo, das 6h às 12h.

Outro atrativo para quem chega à Cidade dos Profetas é o Museu de Congonhas, ao lado da basílica, aberto desde 2015, de terça-feira a domingo, das 9h às 17h, “para potencializar a percepção e a interpretação das múltiplas dimensões desse patrimônio”, conforme coordenadores do espaço.



Informações podem ser consultadas via internet, pelo site www.museudecongonhas.com.br.

Gênio moderno entre talentos históricos

Único templo mineiro não representante do barroco a integrar o ranking das mais belas igrejas para se visitar, a igrejinha da Pampulha é um exemplo concreto da genialidade dos traços do modernista Oscar Niemeyer.

A Igreja São Francisco de Assis  foi encomendada em 1942 pelo então prefeito de Belo Horizonte Juscelino Kubitschek, ao arquiteto.

Igrejinha da Pampulha, exemplo concreto do talento de Niemeyer, é a única da lista em Minas que não representa o estilo barroco(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Igrejinha da Pampulha, exemplo concreto do talento de Niemeyer, é a única da lista em Minas que não representa o estilo barroco (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)


Ela permaneceu durante 14 anos proibida ao culto, o que não impediu que se tornasse um dos mais conhecidos cartões-postais da capital mineira.

Segundo o capelão, padre Ednei Almeida Costa, o fluxo de turistas diminuiu bastante devido à pandemia, mas em período anterior, de outubro de 2019 a março de 2020, foram aproximadamente 26 mil visitantes.

Atualmente, há visitas guiadas, com as restrições de distanciamento social, de segunda a domingo, das 8h às 12h e das 13h às 17h.

Aos domingos, há também celebração eucarística às 7h e às 10h30. Às terças, quartas e sextas-feiras, às 16h, há atendimento de confissões e direções espirituais, com agendamento pelo telefone (31) 98807-9168.

Todo dia 4 ocorre a bênção dos animais na praça, às 16h, e a missa votiva dedicada a São Francisco, às 19h.

Recentemente a paróquia lançou o projeto Cartilhas informativas, com conteúdo histórico e arquitetônico da igreja, que pode ser acessado pelo site da Arquidiocese de BH.

“O objetivo desse projeto foi elaborar um material de acesso on-line para este período de pandemia, proporcionando a imersão dos personagens sociais, ainda que distantes fisicamente, junto ao patrimônio cultural da Arquidiocese de Belo Horizonte”, conclui o capelão.


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