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Estado de Minas COVID-19

Medo de voltar às salas

Professores temem aulas presenciais mesmo depois que tomarem a vacina. "Estudantes também estarão em risco", argumenta sindicato


14/04/2021 04:00 - atualizado 14/04/2021 00:02

Professor usa máscara em momento de aulas presenciais liberadas em Coronel Fabriciano, no fim do ano passado: protocolos são essenciais, diz o Sinpro(foto: PMCF/Divulgação - 27/11/20)
Professor usa máscara em momento de aulas presenciais liberadas em Coronel Fabriciano, no fim do ano passado: protocolos são essenciais, diz o Sinpro (foto: PMCF/Divulgação - 27/11/20)

 

Apesar de incluídos no Plano Nacional de Imunização (PNI) do governo federal, mas ainda sem data para atendimento, professores da rede pública de ensino consultados pelo Estado de Minas se mostraram preocupados com a possibilidade de volta às aulas presenciais diante do agravamento da pandemia de COVID-19. A preocupação também foi expressa, por meio de nota, pelo sindicato que representa os profissionais da categoria que atuam na rede particular. O texto cita o aumento de ocorrências e quadros graves da doença entre pessoas mais jovens como fator a ser considerada na tomada de decisão.

 

Na segunda-feira, o governador Romeu Zema (Novo) anunciou ter pedido ao Ministério da Educação (MEC) para adiantar a imunização da comunidade escolar e, assim, abrir caminho para que as atividades presenciais nas escolas sejam retomadas o quanto antes em todo o estado. “As aulas presenciais são um pilar no desenvolvimento intelectual, social e emocional dos estudantes. A vacinação da comunidade escolar reforçaria as ações implementadas no estado para a garantia de um retorno seguro da atividade educacional”, pontuou, ao formalizar o pedido em ofício enviado à pasta federal na sexta-feira.

 

O ministério, porém, informou ontem à reportagem que o grupo já estava incluído no PNI desde março, a pedido do próprio MEC. Ontem, o governador voltou a falar do assunto. “Iniciando a vacinação desse grupo o quanto antes, mais rápido poderemos retomar as aulas presenciais no estado”, escreveu em sua conta no Twitter.

 

De acordo com o Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro-MG), que representa os docentes do ensino privado, o retorno às aulas vai além da vacina. “A vacinação é um ponto-chave para o retorno seguro, mas o que pesa neste momento é que o vírus tem atingido cada vez mais os jovens, e os estudantes também estarão em risco. Mesmo após a vacinação, é necessário que se cumpram os protocolos sanitários, como defendem as autoridades. A escola tem que assumir esses protocolos, como fornecimento de equipamento de proteção individual (EPI), testagem de alunos, distanciamento”, disse o sindicato, em nota.

 

E essa também é a preocupação de muitos professores das redes públicas de ensino, como Zaquel Lopes da Silva, de 52 anos, professor de português da Escola Estadual Madre Carmelita, em Belo Horizonte: “Eu me sinto ansioso pela vacina e entendo que, mesmo me imunizando, não estou 100% seguro, mas pelo menos teria condições de trabalhar com mais segurança e auxiliar no aprendizado dos alunos que, atualmente, está muito precário. Mas não acho que vá ser a solução final”, disse. “Por conta do grande número de infectados no país e o avanço da doença, creio que ainda não é hora de regressar às aulas, infelizmente (…). Não podemos colocar a vida de ninguém em risco”, reforçou.

 

Anna Carolina Leal, de 26, professora do ensino fundamental em Santa Luzia, Região Metropolitana de Belo Horizonte, também considerou que um retorno seria arriscado. “No meu caso, que trabalho com o ensino infantil, sei que as crianças não vão utilizar o distanciamento e outras metodologias para evitar a proliferação da COVID-19. Por isso, (a volta às aulas) vai fazer circular muito mais o vírus”, analisou. “Acho que para retomar as aulas presenciais é preciso ter o controle da pandemia. Não vejo possibilidade concreta de isso acontecer, já que em nosso estado a testagem é absolutamente baixa”, afirma.

 

Para Julyê Aparecida do Santos Anunciação, de 37, coordenadora pedagógica da rede municipal e professora na rede estadual de ensino, seria “muito difícil ter um controle completo dentro do ambiente escolar. Ela reforça, entretanto, que a vacina é necessária para esse retorno assim que a situação estiver controlada.

 

CASOS E MORTES Minas Gerais registrou ontem novos 7.313 casos e 62 mortes pela COVID-19, aponta o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). Desde o início da pandemia, o total de óbitos soma 28.152 e o de casos, 1.235.972. Nas últimas 24 horas, 8.520 pessoas tiveram alta médica. Em um dia, mais 905 infectados pelo vírus precisaram ser internados em hospitais da rede pública e privada no estado. Ainda segundo o relatório estadual, a média de idade de contaminação confirmada é de 42 anos.  A maioria dos que morreram (78%) tinha 60 anos ou mais. 


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