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Estado de Minas COVID-19

BH abre leitos, e taxas de ocupação recuam

Boletim aponta queda nos três %u201Ctermômetros%u201D da doença, mas apenas o de transmissão do vírus tem sinal verde. Alívio deve vir após o dia 21, diz Unaí


09/04/2021 04:00 - atualizado 08/04/2021 23:05

Paciente chega ao Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, na Região do Barreiro: na rede do SUS, as taxas de ocupação de UTI estão em 92,6% (foto: Edésio Ferreira/EM/D. Press)
Paciente chega ao Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, na Região do Barreiro: na rede do SUS, as taxas de ocupação de UTI estão em 92,6% (foto: Edésio Ferreira/EM/D. Press)

O boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) ontem indica que a capital mineira segue com os indicadores utilizados como “termômetro” da COVID-19 na cidade em queda. A taxa de ocupação de leitos de terapia intensiva recuou de 94% para 93,1%, índice ainda dentro do intervalo de alerta máximo. De acordo com o Executivo municipal, foram abertos mais um leito de terapia intensiva e outros cinco de enfermaria, ala cuja ocupação também apresentou queda no boletim, saindo de 77% para 75,3%, também em alerta vermelho.

Nos leitos de UTI da rede do Sistema Único de Saúde (SUS), há 94,6% de taxa de ocupação, um leve aumento nas últimas 24 horas, uma vez que na quarta-feira (7/4) o índice era de 92,3%. São 570 vagas para pacientes com COVID-19. Por outro lado, houve queda na rede suplementar, de 95,7% para 91,6%. Nessa, são 583 unidades. Somando as duas redes, o total é de 1.153 leitos.

Em relação às enfermarias para pacientes com COVID-19 na rede SUS, a taxa aumentou de 79,5% para 80,1%. São 1.180 unidades no total. Na rede suplementar, houve queda de 74,2% para 69,8%, com um total de 1.047 vagas. Ao todo, são 2.227 leitos. Na quarta, a prefeitura incluiu mais 30 leitos no balanço: 20 de UTI e 10 de enfermaria. Todos foram abertos no Sistema Único de Saúde. Portanto, a queda nos indicadores está mais ligada à ampliação da oferta, não à redução de pessoas doentes.

Também a taxa de transmissão do novo coronavírus caiu novamente em BH. O chamado fator Rt, que estava em 0,96, agora está em 0,95. Isso quer dizer que a cada 100 pessoas doentes em BH, em média, mais 95 são contaminadas e se tornam vítimas da pandemia. O dado não apresenta alta desde 15 de março, ou seja, há 17 boletins.

CASOS E MORTES 


A Secretaria Municipal de Saúde registrou mais 86 mortes ao boletim epidemiológico. Agora, são 3.534 vítimas da COVID-19 na capital mineira. Houve, também, a confirmação de mais 1.759 casos. Ao todo, 153.644 diagnósticos para o coronavírus já foram computados.

PROMESSA DE ALÍVIO 

Apesar de o número de internações ainda estar em estado crítico, a procura nas unidades de pronto-atendimento (UPAs) dá sinais de redução, numa promessa de alívio para profissionais da linha de frente, que relatam uma situação desesperadora vivida nos últimos dias com o aumento de casos. “Na última semana (entre 28/3 e 3/4) foi a pior situação que vivemos. Hospitais e UPAs lotados. Em alguns faltava até mesmo oxigênio para os pacientes, e as ambulâncias precisavam disponibilizar o que tinham até a reposição”, relata Deivison Souza, de 41 anos, que trabalha no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) da capital.

O movimento foi mais tranquilo ontem na UPA Barreiro, alívio já esperado pelo comitê da COVID-19 como resultado das medidas de isolamento(foto: Edésio Ferreira/EM/D. Press)
O movimento foi mais tranquilo ontem na UPA Barreiro, alívio já esperado pelo comitê da COVID-19 como resultado das medidas de isolamento (foto: Edésio Ferreira/EM/D. Press)

Ele conta que vem atendendo em média 15 pessoas por dia com o novo coronavírus. “Agora, temos que transportar dois pacientes juntos e isso aumenta a chance de contaminação. Às vezes um deles tem apenas suspeita e o outro está positivo. Pode haver transmissão ali mesmo na ambulância”, teme.

Deivison se preocupa também com a própria saúde. “Tomei a primeira dose da vacina. A segunda, só mês que vem. Ainda tenho receio, porque existe a chance de me contaminar também”, relata. “Já atendi várias vezes paciente na rua mesmo. Entra para a gente, às vezes, como mal-estar súbito e quando chegamos ao local o paciente já está com 40° de febre e sintomas da COVID-19, precisando de internação”, disse.

Apesar da situação caótica enfrentada pelo sistema de saúde nas últimas semanas, ontem a reportagem do Estado de Minas encontrou um movimento mais tranquilo na procura por atendimento nas UPAs e hospitais de Belo Horizonte.

IMPACTO DO ISOLAMENTO 

Segundo o médico infectologista Unaí Tupinambás, que integra o Comitê de Enfrentamento à Pandemia de COVID-19 da prefeitura, essa queda era esperada após as medidas restritivas impostas pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD). “Vimos uma redução do Rt, que é a taxa de transmissão do vírus, então, estávamos esperando por queda também na procura por atendimento”, afirmou.

Unaí ressaltou que a queda na ocupação de leitos deve acompanhar a redução de atendimento nos próximos dias. “O alívio na pressão da internação ainda deve demorar em torno de 15 dias, o paciente demora muito tempo para receber a alta. A gente tem a expectativa de ter a taxa de ocupação de leitos em BH menor do que 80% depois de 21 de abril”, acrescenta.



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