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Estado de Minas ESTUDO DE UNIVERSIDADES

No atual ritmo de vacinação, MG pode dobrar mortes por COVID-19 em um ano

Projeção é de pesquisadores das federais de Juiz de Fora e São João Del-Rei. Saúde diz que estado pode atender até 180 mil pessoas por dia, mas faltam vacinas


23/02/2021 04:00 - atualizado 23/02/2021 15:46

Saúde estadual diz que pode atender até 180 mil pessoas por dia, mas faltam doses de imunizantes (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press )
Saúde estadual diz que pode atender até 180 mil pessoas por dia, mas faltam doses de imunizantes (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press )
Mantida a atual velocidade de vacinação contra a COVID-19 em Minas Gerais, a doença respiratória pode acarretar ao estado 40.068 mortes até fevereiro de 2022, ou seja, mais que o dobro da soma atual, que é de 17.733 óbitos, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). A projeção é de pesquisadores de modelagem computacional das universidades federais de Juiz de Fora (UFJF) e de São João del-Rei (UFSJ). 


Um estudo publicado na última quinta-feira (18/2) pelos cientistas da computação mostra que a velocidade da campanha de imunização é variável determinante no combate à COVID-19, com peso muito superior ao de outros fatores, como a taxa de eficácia da vacina. 

 

A pedido do Estado de Minas, os estudiosos projetaram três cenários de evolução da pandemia no estado em 365 dias: sem a vacina, ao ritmo atual, de 18.500 doses; 40 mil e 100 mil aplicações de imunizantes por dia. Para todos eles, considerou-se a utilização de doses com 50% de eficiência, semelhante àquela da CoronaVac. Os cientistas consideraram ainda o público total estimado pelo Plano Nacional de Vacinação (PNI), que é de 10.861.501 mineiros (51% da população).
 

Cenários

Os cálculos foram realizados por meio de um modelo computacional com três parâmetros: velocidade com que as pessoas são protegidas; a eficiência da vacina e o tempo entre a vacina e a proteção. Sem a imunização, Minas acumularia, até dezembro, 48.786 mortes e 22.530 casos ativos de COVID-19. Já no compasso atual da campanha, haveria 40.068 óbitos e 3.816 diagnósticos positivos no mesmo período. Ou seja: 8.768 vidas seriam poupadas. A epidemia seria controlada em 603 dias, isto é: um ano e sete meses.

Com 40 administrações diárias, os óbitos cairiam para 37.113 (11.673 mil mortos a menos) com 1.164 doentes simultâneos. A virose seria liquidada em 270 dias. Na terceira hipótese – de 100 mil pessoas inoculadas por dia – o estado contabilizaria 30.543 perdas, queda de 18.243, e apenas 70 infecções concomitantes. O controle da virose seria alcançado em 108 dias.

Capacidade

Consultada pela reportagem, a SES-MG informou que a rede pública tem capacidade para atender até 180 mil usuários diariamente. Segundo a pasta, o estado dispõe de 5.930 Unidades de Atenção Primária à Saúde (UAPs), com média de 6 mil profissionais para aplicação de vacina.

“De acordo com o Manual de Normas e Procedimentos do Ministério da Saúde, um vacinador pode administrar, com segurança, cerca de 30 doses de vacinas injetáveis por hora de trabalho, tornando possível proteger cerca de 180 mil pessoas ao dia”, diz a nota da Secretaria de Saúde.

O que faltam são estoques suficientes para que a campanha possa avançar. Minas recebeu, até o momento, 1.171.180 doses. De acordo com o vacinômetro estadual, 499.928 pessoas receberam a primeira injeção, enquanto a segunda foi aplicada em 178.051 habitantes. A previsão é de que as remessas durem até março. 


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