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Estado de Minas DENGUE

Sete Lagoas entra em estágio de alerta contra Aedes aegypti

Levantamento divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde mostra que em alguns bairros índice de infestação ultrapassa 5%, o que pode levar a uma epidemia em 2021


17/11/2020 14:06 - atualizado 17/11/2020 14:37

LIRAa em toda a cidade está em torno de 1,7%, mas há bairros que registraram o triplo dessa taxa(foto: PMSL/Divulgação)
LIRAa em toda a cidade está em torno de 1,7%, mas há bairros que registraram o triplo dessa taxa (foto: PMSL/Divulgação)
Depois da pandemia de COVID-19, que ainda não passou, em Sete Lagoas, cidade localizada na Região Central de Minas, as autoridades de saúde têm voltado os olhos para as doenças provenientes do Aedes aegypti. Um levantamento realizado pelo Centro de Controle de Arboviroses, órgão da Secretaria Municipal de Saúde, revelou que o índice de infestação do mosquito, o LIRAa, passa dos 5% em vários bairros.

Isso indica que, em cada 100 domicílios, em pelo menos cinco deles foram encontrados focos do Aedes aegypti. E os especialistas alertam para o local onde esses criadouros são encontrados: nos quintais das casas.

“Mais de 90% dos criadouros com focos encontrados neste último levantamento estão dentro dos domicílios, principalmente em tambores e reservatórios de água localizados ao nível do solo, seguidos por vasos e pratos de plantas, bebedouros de animais, ralos e caixa de passagem’, explica o gerente do Centro de Controle das Arboviroses, Adriano Pereira de Souza.

Em 2020 já foram notificados 4.257 casos suspeitos de dengue, sendo 1.176 confirmados e 3.081 descartados. Foram notificados 39 casos suspeitos de zika vírus: sete casos em gestantes e 32 casos na população em geral, todos descartados. Houve seis notificações de chikungunya, sendo dois casos confirmados e quatro descartados. 

“A dengue, a zika e a chikungunya são doenças graves, transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Por isso, o cidadão deve ficar atento e evitar os focos de água parada em sua residência”, alerta Adriano Pereira de Souza.

Os bairros com maior índice de infestação são: Canadá II, Monte Carlo, Jardim Angélica, São Vicente, Canadá, CDI, Jardim dos Pequis, Nossa Senhora do Carmo II, Alvorada, Centro, Vila Brasil, São Francisco de Assis, Papavento, Planalto, Del Rey, Nossa Senhora do Carmo I, Jardim Arizona, Nossa Senhora das Graças, Manoa, Boa Vista, Catarina, Santa Luzia, Montreal, JK.

O levantamento, que foi realizado entre os dias 19 e 23 de outubro, mostra que, em média, a cidade apresentou índice de infestação de 1,7%. Mesmo assim, o município entrou em situação de alerta para uma nova epidemia no próximo ano.

Em agosto deste ano, o Estado de Minas acompanhou os mutirões de limpeza, realizados por várias secretarias e pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE). A ação objetivava limpar terrenos baldios, recolhendo materiais que poderiam acumular água e favorecer a proliferação do mosquito. Além disso, cerca de 160 agentes de endemias percorriam imóveis com a intenção de eliminar todo tipo de criadouro.

Situação de alerta em todo Estado

Em 2020, Minas Gerais teve quase 57 mil casos confirmados de dengue, num universo de registros prováveis que passam de 82 mil. Nos últimos 40 dias – os primeiros da estação chuvosa no Sudeste, que vai até março e propicia a proliferação do vetor –, foram confirmados 1.343 casos. Segundo o boletim divulgado no último dia 10, 12 pessoas morreram no Estado em decorrência da dengue este ano. Outros 57 óbitos estão em investigação.

Somente em Belo Horizonte já são 4.565 casos de dengue neste ano, e a prefeitura tem realizado ações de combate. Há ainda 1.129 casos notificados pendentes de resultados das análises laboratoriais. Outras 12.290 notificações foram investigadas e descartadas.

A professora Erna Kroon, do Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (ICB-UFMG), explica que o clima em que a Região Sudeste do país começa a entrar é problemático para as doenças associadas ao mosquito. “Estamos em período de temperatura e umidade que são condições excelentes para que o mosquito se reproduza. Temos dengue o ano todo, mas esse período é de alto risco para a transmissão”, disse a especialista.

A professora ressalta que não há como prever como será o comportamento das doenças causadas pelo mosquito nesta temporada, mas lembra que o inseto não precisa de muito espaço para proliferar. Por isso, é necessário que a população faça o monitoramento. “O alerta que temos que ter é para o controle do vetor (o Aedes), porque ele não transmite somente a dengue, mas também a zika e a chikungunya. E os cuidados devem ser reforçados mesmo em um momento em que a pandemia do novo coronavírus passa a ser o principal problema”, comenta.

DICAS PARA COMBATER FOCOS DO AEDES AEGYPTI
• Mantenha os tambores sempre tampados. É um dos criadouros onde o foco do mosquito é mais encontrado em Sete Lagoas;
• Retire os pratinhos dos vasos de plantas ou coloque areia neles e não deixe que água se acumule nas folhas das plantas;
• Lave as vasilhas de água dos seus animais domésticos semanalmente com água, bucha e sabão.
• Verifique se há algum ralo entupido ou caixa de passagem na casa e mantenha todos fechados quando estiverem fora de uso;
• Retire as folhas e outros tipos de sujeira que impeçam o fluxo da água nas calhas;
• Mantenha a caixa d’água sempre limpa e tampada;
• Guarde as garrafas e baldes vazios de cabeça para baixo;
• Galões, tonéis e latas devem ser mantidos vedados;
• Pneus devem ser guardados em locais cobertos, onde não fiquem expostos à chuva;
• Limpe sempre as bandejas de geladeira, umidificador e do ar-condicionado, retirando a água acumulada;
• Se você tem piscina em casa, limpe-a semanalmente e aplique cloro;
• Evite acumular lixo e entulho no quintal. Na hora do descarte, feche bem os sacos e mantenha a lixeira tampada;
• Puxe com rodo qualquer poça d’água acumulada sobre lajes sem telhado.


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