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Estado de Minas CASO BACKER

Backer nega realização de festa e diz que 'precisa retornar com serviços e produtos'

Cervejaria afirmou que está prestando assistência às vítimas da intoxicação da Belorizontina e disse que a 'única forma de poder ajudar é continuar com as atividades'


20/10/2020 22:08 - atualizado 20/10/2020 22:22

Fábrica da Backer, na Região Oeste de BH, está interditada desde janeiro(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Fábrica da Backer, na Região Oeste de BH, está interditada desde janeiro (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
A Cervejaria Backer utilizou as redes sociais nesta terça-feira (20) para negar que tenha realizado uma festa no último sábado (17). Na ocasião, a empresa “relançou” a cerveja Capitão Senra, no Templo Cervejeiro, no Bairro Olhos D’Àgua, na Região Oeste de Belo Horizonte.

De acordo com uma fonte do Estado de Minas, que preferiu não se identificar, o Templo Cervejeiro voltou a funcionar no último fim de semana com uma festa só para convidados, com direito a um chef de cozinha renomado. Um banner com a nova cerveja foi colocado no local.

Em um comunicado publicado em suas redes sociais, a Backer negou que houve uma festa, mas disse que o Templo Cervejeiro foi reaberto para o público, que compareceu em bom número. A empresa destacou que não deixa de sentir pela intoxicação da Belorizontina que, de acordo com a Polícia Civil, deixou 29 vítimas - das quais 10 morreram, mas que a “única forma de poder ajudar é continuar com as atividades”.

“Reabrimos sim, e o público que sempre nos prestigiou compareceu em bom número, graças a Deus. O ambiente de descontração de um bar e restaurante não pode ser confundido jamais como uma festa. Não deixamos de sentir muita dor pelo o que ocorreu, mas entendemos que a única forma de poder ajudar é continuarmos com as nossas atividades, e assim faremos”, publicou.

A Backer também informou que a reabertura do Templo Cervejeiro atendeu os requisitos e condições legais de funcionamento, e que toda a assistência está sendo prestada para aqueles que foram afetados pela intoxicação da Belorizontina. “Para que tal situação possa prosseguir, nós precisamos retornar com os nossos serviços e produtos. Não há outra opção”, disse a empresa.

“Enquanto não definidas as responsabilidades, adotamos providências, como por exemplo, de disponibilizar assistência médica em prol das vítimas e seus familiares, através de conceituada sociedade da área da saúde. Todos tiveram a opção de aceitá-la ou não”, completou.

Fábrica segue interditada


De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Backer pode contratar outras pessoas jurídicas para produzir cervejas, mas sua fábrica continua interditada. A pasta disse que a "empresa não atendeu as exigências feitas pelo Mapa para garantir a segurança dos produtos”.

O ministério também informou que o funcionamento do Templo Cervejeiro deve ser regulado pela Vigilância Sanitária. Contudo, o estabelecimento só pode comercializar bebidas registradas junto ao Mapa.

Nessa segunda (19), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) esclareceu que avalia possíveis medidas contra a Backer pelo relançamento da Capitão Senra.

Indignação 

 

Familiares e vítimas da intoxicação por dietilenoglicol estão revoltadas. "Após a denúncia da Justiça, de que foi um crime cometido por eles, como pode acontecer um evento no próprio local onde aconteceram tais violações?", questiona Luciano Guilherme de Barros, de 57 anos, que ficou 180 dias no Hospital Mater Dei, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, sendo 65 dias no Centro de Terapia Intensiva (CTI).

"É uma afronta com as vítimas da cervejaria", acrescentou. 


Ele ainda sustenta que a empresa não arcou com as despesas das vítimas, alegando não ter recursos para tanto.

 

"Mas como pode isso, não ter dinheiro para as despesas das vítimas e, ao mesmo tempo, gastar dinheiro com a reabertura do pólo cervejeiro? Eu imagino que isso não deve ser nada barato", disse.

 

Luciano contou que está fazendo fisioterapia cinco vezes por semana e fonoaudiologia por três vezes.

 

"Sendo que a fonoaudiologia é toda custeada por mim. Aliás, além de eu ainda ter dificuldades de caminhar e os nervos da face não terem voltado totalmente, após consulta com oftalmologista, precisei usar óculos por causa das lesões que tive nos olhos e, mesmo assim, não enxergo bem e o pior, perdi parte da audição nos dois ouvidos e estou tendo que usar aparelhos contra surdez, o que foi muito caro e nada disso foi pago pela Backer", afirmou. 

 

Advogado

 

Um dos advogados das vítimas, Guilherme Leroy disse que todos enxergam a novidade com preocupação.
 
"Não pela possibilidade de reabrir e voltar a vender a cerveja,  porque isso é de responsabilidade das autoridades.  As vítimas confiam que as autoridades saberão se há qualidade ou não para que o produto seja consumido e a população vai consumir se desejar ou não", disse. 

Entretanto, a preocupação é com o comportamento da empresa, que parece estar priorizando retomar as suas atividades.
 
"As ajudas obtidas pelas vítimas, até o momento, são muito pequenas, tornando a situação delas cada vez mais preocupante. Isso porque a empresa parece se manter inerte, sem  tomar as devidas providências para tentar compensar ou responder a tudo que aconteceu e que já está comprovado", afirmou Guilherme Leroy.

Denúncia


As denúncias contra donos e funcionários da Cervejaria Três Lobos Ltda, conhecida pelo nome de Cervejaria Backer, foram recebidas pelo juiz da 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte, Haroldo André Toscano de Oliveira, na última sexta-feira.

No total, 11 pessoas viraram réus. Três sócios-proprietários da empresa, Ana Paula Silva Lebbos, Hayan Franco Khalil Lebbos e Munir Franco Khalil Lebbos, foram denunciados pelo Ministério Público pela prática dos crimes de envolvimento na adulteração de bebidas alcoólicas, perigo comum e crimes tipificados no Código de Defesa do Consumidor.
 
Com informações de Larissa Ricci e Larissa Kümpel 

Veja o comunicado emitido pela Backer


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Aos Amigos, Consumidores e População em geral, A reabertura do Templo Cervejeiro advém do respeito da Backer a todos os requisitos e condições legais de funcionamento. A empresa é a principal interessada no esclarecimento de toda e qualquer irregularidade relacionada com suas atividades e, nesse sentido, tem colaborado com o trabalho de autoridades e dos órgãos de fiscalização e controle, ao mesmo tempo que reafirmou a certificação da excelência de seus processos produtivos. Diante dos fatos que tanto repercutiram na mídia, ainda que pendentes de apuração, fechar as portas definitivamente teria sido o caminho mais fácil. Mas não para nós. Temos muito orgulho da história que escrevemos nos últimos 20 anos e ela continuará a ser escrita, sem jamais nos omitirmos sobre os fatos em apuração. Estamos acatando rigorosamente todas as orientações emanadas pelas autoridades competentes, sejam elas administrativas ou da magistratura mineira. Enquanto não definidas as responsabilidades, adotamos providências, como por exemplo, de disponibilizar assistência médica em prol das vítimas e seus familiares, através de conceituada sociedade da área da saúde. Todos tiveram a opção de aceitá-la ou não. Recursos depositados à disposição da Justiça já estão sendo liberados há alguns meses para as vítimas, através dos seus advogados, pelo MM. Juiz responsável pelo processo, desde que preenchidos determinados requisitos estabelecidos pela própria justiça. Para que tal situação possa prosseguir, nós precisamos retornar com os nossos serviços e produtos. Não há outra opção.  Contratamos também a Satisfactio Câmara de Conciliação e Mediação, que vem desenvolvendo o seu trabalho junto às vítimas, seus familiares e advogados com absoluta imparcialidade. Temos grande esperança em solucionar o quanto antes todos os conflitos pendentes, sem a necessidade de pronunciamentos da Justiça. Permanecemos absolutamente transparentes em todas as nossas ações. (O TEXTO CONTINUA ABAIXO)

Uma publicação compartilhada por Cervejaria Backer (@cervejariabacker) em

 


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