Jornal Estado de Minas

AVENIDA VILARINHO

Prefeitura anuncia convênio com a Caixa para investimento de R$ 200 milhões em obras na Vilarinho

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e a Caixa Econômica Federal assinaram, na tarde desta terça-feira (8), um convênio de R$ 200 milhões que serão destinados para intervenções na região da Avenida Vilarinho, em Venda Nova. As obras devem começar no ano que vem e têm como objetivo melhorar o sistema de drenagem de águas pluviais nas bacias hidrográficas dos córregos Vilarinho, Nado e Ribeirão Isidoro.





“O dinheiro está carimbado, as obras começam ano que vem, independente do prefeito que estará sentado na cadeira”, disse o prefeito Alexandre Kalil (PSD) ao assinar o acordo.
 
De acordo com Kalil, o contrato firmado garantirá obras que, quando terminadas, prometem reter 50% das águas que causaram tragédias na Vilarinho nos últimos anos. Ao todo, a PBH estima 12 intervenções ao longo da região da avenida. Algumas delas já começaram. O dinheiro do convênio, além das obras, será destinado para a elaboração de projetos e desapropriações.

O secretário de Obras e Infraestrutura de Belo Horizonte, Josué Valadão, afirmou que dois reservatórios de água, chamados 'piscinões' (leia mais no fim da matéria), serão construídos. Juntos, vão reter 230 milhões de litros de água proveniente das chuvas. Valadão disse ainda que o projeto está em fase final com a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) e que até dezembro a licitação deve ser divulgada. Enquanto isso, os planos de prevenção seguem em coordenação com a Defesa Civil, como a interdição de vias na região em caso de chuvas fortes.

Obras com o dinheiro do convênio prometem reter até 50% da água na avenida (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A. Press)


O prazo total da execução da obra, se caso ande tudo dentro do cronograma, como licitação e assinatura de contrato, é de 36 meses. A estimativa da prefeitura é executar todas as intervenções ao custo de R$ 500 milhões. Os R$ 200 milhões do convênio com a Caixa já estão disponíveis, de acordo com Marcelo Bonfim, superintendente de Rede da Caixa.



"O dinheiro está disponível desde o contrato assinado, mas temos o período eleitoral. Mas os recursos já estão disponíveis e o município pode executar a obra", concluiu.

Histórico


A Vilarinho é palco de constantes enchentes, que devastaram imóveis na região e que provocam mortes. Em novembro de 2018, após uma cheia na própria avenida e outras ruas do entorno, que provocou a morte de quatro pessoas, o prefeito Alexandre Kalil anunciou um grupo de trabalho para a elaboração de um projeto para intervenções no local. Na época, Kalil disse que “não iria resolver problema de chuva e morte na Vilarinho com sirene”.

Já no mês seguinte, a prefeitura sinalizou construir dois túneis para desviar água e reservatórios. As intervenções giravam em torno de R$ 300 milhões. No entanto, um erro foi detectado no projeto e ele foi suspenso no ano passado. Um novo foi feito, ao custo de R$ 500 milhões. A proposta previa intervenções na confluência dos córregos do Nado e Vilarinho, próximo ao Shopping Estação, com a primeira parte da obra prevista para ser entregue em 2022.

"A situação está se resolvendo. A imprensa tem que investigar as obras que estão sendo feitas invisíveis , porque é obra que não dá voto, para absorver um pouco dessa água. A prevenção foi feita com muita competência.Deus permita que ela continue. São problemas de 50 anos alguém tem que começar e nós já começamos. Vai ser resolvido", garantiu, na época, Kalil.





Já em janeiro deste ano, a PBH abriu licitação para que empresas interessadas em participar nas intervenções na Vilarinho pudessem se cadastrar. Os negócios cadastrados deveriam estar dispostos a executar as obras e serviços para a otimização do Sistema de Macrodrenagem dos Córregos Vilarinho, Nado e Ribeirão Isidoro. 

Já em agosto, a PBH iniciou as obras do 'piscinão', que ficará localizado entre as ruas Maçon Ribeiro e Doutor Álvaro Camargos, com capacidade de armazenar 10 milhões de litros de água, em um espaço de 2,5 mil m². O investimento aplicado no projeto é de cerca de R$ 10,5 milhões.

Um outro 'piscinão' está previsto para ser construído, ao custo de R$ 20 milhões. No entanto, haverá desapropriação para a construção do grande escoamento. Conforme o Decreto nº 17.281, os lotes declarados de utilidade pública ficam nos bairros Santa Mônica, Candelária, Flamengo, Piratininga e Mantiqueira.  Eles serão desapropriados para implantação de obras de drenagem dos córregos Vilarinho, Nado e Ribeirão Isidoro.