Jornal Estado de Minas

EDUCAÇÃO

Associação de pais de alunos pede maior diálogo e desconto em escolas de BH

A Associação de Mães e Pais de Alunos de Belo Horizonte e Região Metropolitana vai promover, nos próximos dias, ações públicas contra escolas da capital mineira. Entre as principais reivindicações da entidade estão maior abertura ao diálogo com as diretorias e desconto na mensalidade, uma vez que as famílias dos estudantes alegam que o contrato educacional firmado no ato da matrícula não está sendo cumprido na íntegra.





Natália Grazziotti tem uma filha que cursa o terceiro ano do ensino fundamental no Colégio Santa Maria. Também integrante da diretoria da Associação de Mães e Pais de Alunos, Natália reclama que não consegue ter diálogo com os gestores da escola. Também afirma que a instituição apresenta um déficit de uma hora e meia de serviços prestados, uma das justificativas para reivindicar a redução do valor da mensalidade. Com isso, será movida uma ação pública contra a escola citada e uma outra, separada, para oito centros de ensino. A entidade fará uma assembleia no próximo domingo (30) para discutir futuras ações.

“Realmente, eles se fecharam para o diálogo. Temos gravação com diretores, onde a gente, antes de tomar qualquer decisão ou ação extrema, tentou diálogo. Eles não cederam. A associação vai mover uma ação pública não só contra o Santa Maria, mas também contra outras oito instituições que não abriram diálogo com os pais. A qualidade está muito ruim. Nem o horário estabelecido está sendo cumprido. Está tendo um déficit diário de uma hora e meia de serviços prestados”, afirmou.



Natália foi uma das mães que obtiveram liminar na Justiça que garantiu a redução de 25% na mensalidade. Ela conta que a ação judicial foi para tentar abrir um diálogo com a instituição de ensino e que a intenção agora é conseguir desconto para todos os pais. As famílias estão tendo que comprovar redução de renda para o Colégio Santa Maria, segundo Natália, que, apesar de ter conseguido o ajuste dos valores, optou por não pagar a mensalidade.





“Não estou pagando porque não acho justo. Fizemos essa tentativa para ver como iria funcionar a ação individual, porque, até então, a gente não tinha como entrar com uma ação coletiva. Tentamos de tudo antes de fazer isso. Tive que entrar na aula on-line da minha filha, chamar a diretora e falar: “Por favor, me escuta”, porque os e-mails que a gente enviava solicitando uma reunião para que fossemos ouvidos vinha (a resposta) como ctrl c %2b ctrl v (mensagem padronizada)”, relatou.

Em junho, foi realizada uma reunião entre o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep/MG) e a Associação de Mães e Pais de Alunos de Belo Horizonte e Região Metropolitana. Natália diz que de lá para cá, não houve mais conversa entre as partes e que fez um questionamento para o sindicato sobre a reunião marcada com o governo de Minas para a tarde desta terça-feira (25).

“Nós tivemos uma audiência pública com eles. O nosso acordo foi de participar, de pedir isso, para colaborar. Afinal de contas, quem mantém as instituições somos nós”, disse.





Apesar dos impasses, Natália garante que não tem intenção de mudar a filha de colégio. “A gente não quer ter que tirar os filhos da escola. Temos um carinho e respeito pela escola. Não tenho intenção de tirar a minha filha. Se fosse olhar só o lado burocrático, realmente, eu iria tirar. Mas eu olho muito o lado humano, o lado da convivência e a vontade dela”, concluiu.

Respostas


O Sinep/MG afirma que tem procurado o governo estadual para participar das reuniões, com intenção de apresentar a realidade das escolas, e que participa das conversas quando há convite. A entidade também garante que o diálogo com os pais não parou e que eles não solicitaram uma nova reunião com o sindicato.

Sobre descontos em mensalidades, o Sinep/MG disse que as escolas particulares são de livre iniciativa e que podem negociar redução de valores a partir de seus custos. “O mais importante, neste momento, e%u0301 o dia%u0301logo e o entendimento mu%u0301tuo”, afirmou, em nota, o sindicato.





A expectativa da entidade, na reunião na tarde desta terça, na Cidade Administrativa, é que seja definida uma previsão de data de retorno, para que as escolas saibam se voltam este ano ou somente em 2021.

Também por meio de nota, o Colégio Santa Maria informou que já havia adotado desconto de 30% na mensalidade para alunos da educação infantil. "Alunos do ensino fundamental e médio, com famílias que comprovadamente sofreram perda de renda, estão recebendo benefício emergencial, válido, a princípio, até o mês de setembro. O Colégio Santa Maria Minas também oferece aos pais ou responsáveis pelos alunos mais prazo para o pagamento das mensalidades e a oportunidade para parcelá-las", esclareceu.

Veja, na íntegra, a nota do Colégio Santa Maria:

NOTA OFICIAL – COLÉGIO SANTA MARIA MINAS

Esclarecemos que o Colégio Santa Maria Minas, atento ao atual contexto da pandemia e suas consequências para todos, e sensível às dificuldades financeiras dos pais e/ou responsáveis pelos alunos, já havia adotado medidas efetivas de apoio às famílias de nossos alunos como o desconto em 30% das mensalidades na Educação Infantil. Alunos do Ensino Fundamental e Médio, com famílias que comprovadamente sofreram perda de renda, estão recebendo benefício emergencial, válido, a princípio, até o mês de setembro. O Colégio Santa Maria Minas também oferece aos pais ou responsáveis pelos alunos mais prazo para o pagamento das mensalidades e a oportunidade para parcelá-las.





Informamos ainda que, independentemente da adimplência do pagamento das mensalidades, todas as bolsas de estudos (que não são oferecidas pelos sindicatos de classe) estão sendo mantidas, mesmo nos casos em que há regras expressas condicionando o benefício ao pagamento da mensalidade até a data do vencimento.

O Colégio Santa Maria Minas se manteve, desde a suspensão das aulas presenciais, em contato com os pais e/ou responsáveis pelos alunos, por meio de seus canais oficiais de comunicação; reuniões virtuais encontros presenciais, seguindo as normas de sanitização. Em relação às horas/aulas, cumpre a legislação vigente para o setor, imposta pelos órgãos competentes, de acordo com o segmento de ensino, sempre respeitando, em primeiro lugar, a saúde e o bem-estar dos alunos.

Neste contexto de pandemia, investe em moderna tecnologia para as aulas no ambiente virtual, além da adequação às novas normas para a retomada das aulas presenciais e híbridas. Por se tratar de um ambiente virtual de aprendizagem, instabilidades na rede podem ocorrer, especialmente de conexão. Porém, não há qualquer prejuízo para o aluno, já que as aulas síncronas (ao vivo) são gravadas e disponibilizadas para acesso na ferramenta a qualquer momento, assim como acontece com as aulas assíncronas (gravadas).





É importante ressaltar que o Colégio Santa Maria Minas é uma instituição sem fins lucrativos e, assim, oferece bolsa integral de estudo - com uniforme e material escolar - a mais de 500 crianças em situação de vulnerabilidade social, por meio de suas Unidades Sociais.

Sabemos das dificuldades enfrentadas pelas famílias, durante o período. Felizmente, temos educadores, professores e funcionários, empenhados em buscar novas formas de ensino e famílias que contribuem para a educação de suas crianças e jovens, em meio a tantos desafios.