Jornal Estado de Minas

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COVID-19: Ana Lúcia está entre os bairros mais afetados em Sabará

O bairro de Sabará que lidera o ranking de casos positivos da COVID-19 é o Ana Lúcia. No último boletim epidemiológico, divulgado nessa segunda-feira (17), pela secretaria de Saúde do município, dos 910 casos confirmados do novo coronavírus, 224 foram registrados no Ana Lúcia.



Esse bairro tem uma peculiaridade em relação aos demais: pelo acesso da MGC-262, Sabará está a 14 quilômetros da capital mineira, mas o Ana Lúcia, especificadamente, faz divisa direta com Belo Horizonte, e os pedestres que passam por ali têm apenas que atravessar a rua para mudar de cidade.

 

Bairro Ana Lúcia fica na divisa entre Sabará e Belo Horizonte (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Esse é o caso da Avenida Contagem que - em determinada altura - de um lado o comércio pertence a Belo Horizonte, mas do outro, os lojistas respondem à Sabará. Com grande fluxo de pessoas, devido às lojas das mais variadas categorias, o Bairro Ana Lúcia tem que seguir o decreto e normas estabelecidas pela prefeitura de Sabará, que, no momento, tem permitido apenas a abertura dos serviços essenciais. Ao contrário de Belo Horizonte, que tem flexibilizado e, em determinados dias da semana, tem permitido a abertura do não essencial. 

 

Nesta terça-feira, no entanto, dia não contemplado para abertura do comércio no plano de Belo Horizonte, o comércio era normal no local. 

 

Segundo a secretária de saúde de Sabará, Nicole Cuqui Alves, a guarda municipal tem atuado em toda a cidade, mas, na Avenida Contagem, no Bairro Ana Lúcia, já houve várias notificações de estabelecimentos que descumprem as regras. Ela explica que o comerciante incidente nessas autuações pode até perder o alvará de funcionamento.   

 

Nicole ressalta ainda que o número elevado de casos nesse bairro talvez se justifique devido ao perfil dos habitantes. “O Ana Lúcia tem uma característica de poder aquisitivo maior, com pessoas com acesso a planos de saúde e condições financeiras para  realizar o teste em laboratórios particulares, mesmo estando assintomáticos”, acredita a secretária, que explica ainda que os testes na rede pública de Sabará são realizados apenas em pacientes com sintomas. 





 

Outro fator apontado pela secretária é que Sabará é considerada “cidade dormitório” porque a grande maioria da população dorme no município, mas trabalha em Belo Horizonte. “O trânsito é feito cotidianamente entre essas duas cidades o que coloca as pessoas em situação de risco em ter que se deslocar”.

 

Aumento do número de óbitos

Sabará contabiliza 37 mortes confirmadas pela COVID-19. Esse número assustou quem vem acompanhando os boletins epidemiológicos da cidade, já que na segunda-feira (17) marcavam-se 30 óbitos.

 

Segundo a secretária de Saúde, isso não é algo para a população se alarmar, já que esse aumento se deu devido a um atraso na informação gerada no sistema. “A Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG) alterou a forma de captar os dados e confirmar os óbitos. Antes, havia um atraso de muitos dias, podendo demorar até 10 dias para uma confirmação oficial. Agora, há o Sistema de Informação de Vigilância da Gripe, que é mais rápido e quase que imediato. O que ocorreu em Sabará é que estávamos com os óbitos esperando para serem confirmados no sistema, o que gerou esse grande número de um dia para o outro”.