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Estado de Minas COVID-19

Minas Gerais: interiorização do coronavírus preocupa autoridades de saúde

Em reunião na Assembleia Legislativa, secretários mostram que doença está em 67% dos municípios mineiros e ressaltam importância da habilitação de mais leitos


postado em 15/06/2020 17:18 / atualizado em 15/06/2020 19:14

Habilitação de leitos pode desafogar sistema de saúde mineiro ante a pandemia.(foto: Túlio Santos/EM/D. A Press)
Habilitação de leitos pode desafogar sistema de saúde mineiro ante a pandemia. (foto: Túlio Santos/EM/D. A Press)
casos confirmados do novo coronavírus em 573 das 853 cidades de Minas Gerais, número que corresponde a 67% dos municípios do estado. A interiorização da doença preocupa as autoridades sanitárias. Nesta segunda-feira, em reunião na Assembleia Legislativa, o presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (Cosems), Eduardo Luiz da Silva, destacou o temor causado pelo avanço da COVID-19 nas pequenas localidades.

“A grande maioria dos municípios tem menos de 10 mil habitantes. Nas duas últimas semanas, começamos a vivenciar o fenômeno da interiorização do vírus, com aumento de casos em cidades menores. Isso vai trazer impactos à rede assistencial”, disse Eduardo, durante audiência pública da Comissão de Saúde do Parlamento Mineiro.

O encontro tratou das medidas tomadas por municípios para conter a disseminação da infecção

Taiobeiras, no Norte do Estado, é exemplo do avanço do coronavírus no interior. Até o início deste mês, a cidade, de aproximadamente 33 mil habitantes, não tinha casos da doença. Tudo mudou quando uma idosa, moradora de asilo, testou positivo. Um dia após a confirmação, o município, entre moradores e funcionários da casa de repouso, já somava 19 registros.

O boletim desta segunda aponta 26 contaminados em Taiobeiras. Os óbitos estão zerados.

Segundo Eduardo, que ocupa a Secretária de Saúde da cidade, o novo coronavírus alterou sensivelmente a dinâmica enfrentada pelas gestões locais.

“De uma hora para outra, tivemos que reinventar a saúde, trabalhando com barreiras sanitárias e fluxo de testes, uso de máscaras e boletins informativos. Muitos precisaram contratar mão de obra, estender jornadas e horários de funcionamento de unidades de saúde. Isso tudo demanda recursos financeiros, que têm chegado, mas de modo escasso”, pontuou.

Municípios buscam leitos

A ausência de leitos de terapia intensiva nos rincões de Minas é um dos principais problemas do sistema público de saúde. Em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde, o Cosems criou 14 planos macrorregionais para traçar as estratégias necessárias a cada área. A capacitação de profissionais para o atendimento nas UTIs faz parte do processo.

O Estado tenta, junto ao Ministério da Saúde, a habilitação de 790 leitos adultos de UTI, além de 20 voltados ao acolhimento de crianças. O presidente do Cosems pediu apoio da Assembleia Legislativa para o credenciamento dos leitos junto à saúde federal.

Em Belo Horizonte, a expectativa é que, contando vagas de UTI e em enfermaria, sejam abertos 375 novos leitos na segunda quinzena deste mês. O objetivo é credenciar 1.222 novos espaços em julho.

Atualmente, 82% das unidades de terapia intensiva e 63% das enfermarias da capital mineira estão ocupadas.

Segundo a secretária adjunta de Saúde de BH, Taciana Malheiros, as taxas de ocupação causam temor aos gestores da cidade. “Isso é um dado que nos preocupa muito. Temos visto grande pressão assistencial sobre nossa central de internação”, alertou.

Na semana passada, a capital conseguiu habilitar 35 novos leitos.

Outras ações

Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, também tem grande responsabilidade no enfrentamento à doença. A cidade é responsável por atender pacientes de 57 municípios do entorno.

A secretária municipal de Saúde, Maflávia Ferreira, listou ações como a destinação de espaço da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) apenas para casos de COVID-19, a contratação de médicos para encorpar os plantões noturnos e a aquisição de testes.

Odelmo Leão (PP), prefeito de Uberlândia, no Triângulo, também participou da conferência. Ele afirma que o município faz 2.203 testes a cada 100 mil habitantes, número superior à média estadual de exames (135 a cada 100 mil pessoas).

Leão lamentou, no entanto, a baixa adesão da população ao isolamento social. Em 19 de abril, durante o feriado prolongado de Tiradentes, o índice chegou a 54,6%. Entre 28 de abril e 11 de junho, a média foi de 39,6% – a queda ocorreu simultaneamente ao início da retomada gradual das atividades comerciais. O isolamento em Uberlândia está cerca de 12% abaixo da média estadual.

Boletim

Minas Gerais soma 21.728 casos de coronavírus. São 481 mortes. Há óbitos confirmados em 150 municípios. Os dados são referentes ao mais recente boletim epidemiológico da doença, divulgado nesta segunda-feira pelo governo estadual.


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