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Estado de Minas

Operação One Way apura envolvimento de policiais civis em fraudes

Um investigador foi preso em Itaúna; delegados foram exonerados dos cargos de chefia neste sábado (6)


postado em 06/06/2020 11:40 / atualizado em 06/06/2020 12:01

Promotores que participam da operação One Way(foto: Reprodução/TV Alterosa)
Promotores que participam da operação One Way (foto: Reprodução/TV Alterosa)
Um investigador da Polícia Civil foi preso suspeito de envolvimento em fraudes no credenciamento de fábricas e estampadoras de placas veiculares em Itaúna, região Centro-Oeste.
 
Ele foi detido durante a operação One Way, desencadeada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais, que investiga também crimes de cartel, associação criminosa, prevaricação, lavagem de dinheiro, dentre outras práticas criminosas.
 
A investigação conjunta do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Regional Divinópolis, da Promotoria de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial de Divinópolis e da Corregedoria da Polícia Civil vem sendo realizada há sete meses.
 
Foram cumpridos um mandado de prisão, 29 mandados de busca e apreensão, além de medidas de bloqueio de valores, sequestro de bens e suspensão das atividades das empresas investigadas. Os mandados foram cumpridos em Divinópolis, Belo Horizonte, Itaúna, Formiga, Pará de Minas, Bom Despacho, Lagoa da Prata, Santo Antônio do Monte, Itapecerica, Itatiaiuçu e Itaguara.
 
São alvos da operação policiais civis, fábricas de placas veiculares, empresários e “laranjas”, que emprestavam os nomes para figurar nos quadros societários da empresa de forma a escamotear os reais proprietários dos empreendimentos. “Há indícios fortes e robustos de que eles (policiais) figuram como proprietários dessas fábricas”, afirma o promotor Leandro Willi. Essa seria a razão da interlocução e participação da corregedoria da Polícia Civil.
 
Durante as investigações foi identificada a participação de empresários e laranjas. “Eles emprestavam o nome para figurar como proprietários de direto dessas fábricas que na verdade eram titularizadas ou comandadas por outras pessoas que não poderiam figurar neste quadro societário”, explica o promotor. Detalhes da operação não foram divulgadas pela promotoria. 
 
Os promotores afirmam que o objetivo foi colher materiais para provas. “A operação frisou apenas regimentar provas, outras, além daquelas que já estão produzidas, a respeito destes fatos”, afirma o promotor, Gilberto Osório. Foram apreendidos documentos, celulares que serão examinados.
 
A Operação One Way contou com a participação de seis promotores de Justiça, cinco servidores do MPMG e 70 policiais civis.
 
Os nomes dos policiais, empresários envolvidos não foram divulgados pelos órgãos. Entretanto, duas exonerações forma publicadas no Diário Oficial do Estado de Minas Gerais deste sábado (06). 
 
O delegado regional da Polícia Civil de Divinópolis, Leonardo Pio, e o delegado-geral da superintendência de informações e Inteligência Policial, Ivan Lopes, foram afastados dos cargos. Ambos alegam que foi a pedido e dizem estar tranquilos.
 
Leonardo Pio afirmou que ele e equipe estão prontos para esclarecer tudo. Já Ivan Lopes diz ter achado prudente se afastar para dar mais transparência às investigações. “Vai concluir demonstrando a verdade e a verdade é uma só. Não pratiquei nada de imoral ou ilegal. A investigação será isenta e a justiça mostrará isso”, afirmou. Ambos continuam nos cargos de efetivos.
 
Afastamentos A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) disse que as exonerações publicadas hoje (06) são “atos da administração pública, garantidos pela legislação, demonstrando que a instituição tem como objetivo principal garantir lisura aos procedimentos investigativos e administrativos”.
 
Confirmou que os delegados são alvo da Operação One Way. Eles foram desvinculados dos cargos em comissão que exerciam e não dos cargos efetivos, “visto que é necessário aguardar o desfecho das investigações e/ou conclusão do processos respectivos, conforme art. 41 da Constituição Federal”.

“A PCMG reforça que não admite desvios de conduta e a chefia da instituição destaca, ainda, que sempre garantiu e assegura a total independência nos trabalhos correicionais”, afirmou em nota.
 
Em nota anterior, o órgão também disse estar “consternado com o envolvimento de policiais que se encontravam em exercício de cargos de chefia”.  

Leia na íntegra:
 
“A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) manifesta que, por meio da Corregedoria Geral da Instituição, participa das investigações com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que culminaram, sexta-feira (05/06), na Operação One Way e está adotando todas as medidas administrativas pertinentes. O único policial preso, investigador, foi encaminhado à casa de Custódia da PCMG, após concluídos os procedimentos atinentes ao cumprimento do mandado de prisão temporária. A Polícia Civil reforça que não admite desvios de conduta e a Chefia da PCMG destaca que sempre garantiu e assegura a total independência nos trabalhos correicionais. Diante da ação desenvolvida, a Chefia da PCMG ressalta que já procedeu ao afastamento dos alvos da operação de suas atuais funções. Registra, ainda, estar consternada com o envolvimento de policiais que se encontravam em exercício de cargos de chefia. Outras informações serão divulgadas em momento oportuno”. 
 
 

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