Jornal Estado de Minas

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Mariana investe em testes de coronavírus para orientar decisões

(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
Entre as medidas para aumentar a segurança, prefeitura faz desinfecção de áreas públicas (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)

Mariana – Um dos municípios com maior aumento de casos de COVID-19 em Minas em maio, com alta 1.194%, Mariana, na Região Central, tenta controlar a pandemia em seus limites enquanto retoma, aos poucos, as atividades econômicas. Para isso, aposta em regras especiais para o funcionamento do comércio, incluindo ampla testagem de comerciantes e comerciários, além dos que apresentem sintomas da doença.


Em seu boletim dessa quarta-feira, a Secretaria de Estado de Saúde confirmava 252 casos e sete mortes por COVID-19 na cidade.
 
A situação não é das mais fáceis. Além de uma extensão territorial grande – 1.200 quilômetros quadrados –, com distritos até 60 quilômetros distantes da sede, há a própria vocação da  região para a mineração, atividade que apresenta alto índice de contaminação, além da falta de respeito ao distanciamento de alguns.

Para ter mais subsídios no momento de estabelecer políticas públicas tanto de enfrentamento da doença quanto da retomada de atividades econômicas, a Prefeitura de Mariana aposta na testagem da população. Por isso, comprou 10 mil testes rápidos, ao custo de R$ 1 milhão, segundo as autoridades municipais de saúde.

“Há 15 dias iniciamos os exames nos profissionais na chamada linha de frente, ou seja, da saúde e da segurança pública. Desde terça-feira, também estamos testando os que atuam no comércio. Acreditamos que até sábado teremos 100% dessas pessoas testadas, podendo estabelecer melhor nossas diretrizes”, afirma o secretário municipal de Saúde, Danilo Brito, que também garante material para analisar os que apresentarem sintomas da COVID-19.



Ontem, a reportagem esteve no ginásio poliesportivo da cidade, conhecido como Arena Mariana, onde os profissionais do comércio são recebidos para exames para detectar o novo coronavírus. Com quatro horários pré-agendados, a logística funcionou bem, com todos respeitando distâncias mínimas recomendadas e sendo rapidamente atendidos. A entrada é feita por uma porta, e a saída, por outra, justamente para evitar aglomerações.



Já na Policlínica da cidade, ao lado, não só há a coleta de material, mas também a análise, pois funciona o laboratório municipal. Os resultados saem no mesmo dia e em caso de serem positivos, são informados ao Comitê de Enfrentamento da COVID-19 imediatamente. Porém, como são feitos cerca de 200 testes por dia, os resultados só são enviados para os pacientes no dia seguinte. Segundo Luciano Oliveira Silva, responsável pelo laboratório local, a confiabilidade dos testes é entre 91% e 98%.

“Os testes são muito importantes, a gente fica mais seguro para atender o público. E os consumidores também ficam mais tranquilos”, declara Graciele Poliana dos Santos Xavier, gerente de vendas de uma farmácia, que ontem teve 30 funcionários testados.



Para funcionar, não basta às lojas conseguir agendar os testes. Afinal, eles são apenas parte de um plano de ação que tinham de apresentar às autoridades sanitárias, que devem incluir outras medidas, como fornecimento de álcool em gel para funcionários e clientes e limitação de pessoas dentro de cada estabelecimento.

Mas nem todos os que trabalham no comércio se sentem tão tranquilos. Até porque o crescimento da contaminação em Mariana assusta. E o movimento no Centro da cidade está intenso, ainda que a maioria das pessoas respeite a determinação de usar máquinas e as marcações nas filas formadas nas portas de agências bancárias e supermercados.

“Preferia ficar em casa cuidando da família, mas quem trabalha com comércio tem muitas contas a pagar”, afirma a empresária Raimunda Morais Barbosa, que vende peças de vestuário em sua loja, que ainda não teve o plano aprovado para funcionar, mesmo que com restrições. Ela reclama de maior apoio para os comerciantes neste momento delicado. E acredita que será preciso muito cuidado para os casos não crescerem ainda mais, não só em Mariana, mas também em outros municípios da região.



Já os consumidores vão aparecendo, mas também se mostram preocupados com a situação. “Cada um tem de fazer sua parte, usar máscara, passar álcool em gel nas mãos, evitar aglomerações. Se todos fizermos isso, aos poucos vamos voltando ao normal”, afirma o mecânico Anderson Valadares. Morador do Bairro Rosário, ele foi ao Centro da cidade para resolver algumas pendências ao lado da namorada, a auxiliar administrativa Rita de Cássia Martins. Ambos de máscara e procurando ficar longe dos demais transeuntes.


Desinfecção


Mapa informativo que mostra a situação de Minas Gerais com o COVID-19 (foto: Mapa informativo que mostra a situação de Minas Gerais com o COVID-19)
Se os moradores têm de fazer a parte deles, o poder público também. Por isso, além de análise permanente da situação, a prefeitura tem feito a desinfecção dos locais públicos. Ontem, por exemplo, foi a vez do distrito de Passagem de Mariana, no limite com Ouro Preto. Já a Rua Salvador Furtado, conhecida popularmente como “rua dos bancos”, no centro da sede do município, está interditada esta semana. O objetivo é diminuir o fluxo de veículos e a aglomeração de pessoas que se formam no local devido ao período de pagamento salarial.