Jornal Estado de Minas

Coronavírus em Minas

Após invasão de turistas, Lockdown faz efeito e movimentação é pequena na Serra do Cipó

O decreto publicado pela prefeitura de Santana do Riacho na manhã de sexta-feira, em pleno feriado do Dia do Trabalho, determinando o fechamento de todo o comércio no município neste fim de semama, à exceção de farmácias e postos de combustíveis, surtiu efeito. Neste sábado, o movimento na Serra do Cipó, um dos principais atrativos do local, foi bem menor do que na véspera, quando nas palavras do próprio prefeito André Ferreira Torres houve “invasão” de turistas, motivando as novas restrições.


“Estou andando por todos os locais ajudando na fiscalização. As pessoas perderam a noção do perigo, não estão respeitando o distanciamento social. Tem de ficar em casa, não pode vir para cá neste momento”, afirma o chefe do executivo municipal, que promete endurecer a fiscalização a cada fim de semana e feriado enquanto durar a pandemia de COVID-19. Os supermercados, por exemplo, só voltarão a funcionar na segunda-feira.

A visita a Santana do Riacho está proibida pela municipalidade desde o mês passado. As pousadas e hoteis estão impedidas de receber hóspedes, mas o problema é que há muita gente alugando casas particulares aos turistas, o que dificulta a fiscalização. Além disso, o fato de o local ser cortado pela MG-10, que leva a locais como Serro, Morro do Pilar e Conceição do Mato Dentro, complica ainda mais o controle.

Por isso, o município está realizando blitz educativas nas entradas do município. Logo na chegada à Serra do Cipó, por exemplo, um posto foi montado após a ponte sobre o rio de mesmo nome, informando aos que não são de Santana do Riacho que não podem permanecer no local.


“A gente procura explicar as determinações em função do risco de contaminação do novo coronavírus e a maioria entende, pede para que as pessoas voltem para onde vieram. Quem não obedece fica sujeito às penalidades da Lei”, explica Carlos Alexandre, funcionário da prefeitura de Santana do Riacho, que participa da blitz com o apoio de agentes da vigilância sanitária e da Polícia Militar (PM).

Todos os principais pontos de concentração de pessoas na Serra do Cipó estão fechados. Quem se arrisca a ir às cachoeiras, por exemplo, pode até ser preso. A reportagem flagrou dois casais no local conhecido como Pedrão, o que é proibido.

Não há registro de casos confirmados de COVID-19 em Santana do Riacho. Há 22 casos suspeitos, quatro em monitoramento, cinco descartados e 13 que saíram do isolamento. “Temos de tomar cuidado, pois 65% da nossa população é do grupo de risco”, alerta a enfermeira na atenção básica da saúde, Naiara Polyana Carvalhais.



 

Parque

Desde março, o Parque Nacional Serra do Cipóm que abrange também os municípios de Jaboticatubas, Morro do Pilar e Itambé do Mato Dentro, está fechado, assim como outras unidades de conservação ambiental federal. De acordo com o chefe do Núcleo de Gestão Integrada Cipó-Pedreira, Leandro Pereira Chagas, a fiscalização está rigorosa, mas, como o local é muito grande, só com a colaboração das pessoas será possível minimizar os efeitos do novo coronavírus.

“A população preceisa se conscientizar da importância do isolamento, de ficar em casa”, argumenta ele, em mais um pedido para que as pessoas não visitem a região agora.