Jornal Estado de Minas

PANDEMIA

Fiat recupera respiradores e entrega a hospitais de Minas Gerais; ao todo, são 139

O Hospital da Baleia recebeu 60 protetores faciais plásticos (foto: Leo Lara)

Minas Gerais recebeu, nesta quarta-feira (22), 18 respiradores que estavam inoperantes em hospitais e clínicas do estado devido a problemas de manutenção. Há cerca de 15 dias, num trabalho de parceria, a Fiat começou a reformar equipamentos que estavam defeituosos, para auxiliar no tratamento de pessoas internadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). A empresa já recebeu 75 respiradores de 27 hospitais, localizados em 22 cidades mineiras.



Hoje, os hospitais para os quais foram encaminhados os equipamentos foram o da Baleia (seis unidades) e a Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte (duas). Além disso, 10 aparelhos foram entregues à Polícia Militar, que vai encaminhá-los a cidades do interior, como Carandaí, Coronel Fabriciano, Matozinhos e São João del-Rei.

Com a disseminação do coronavírus pelo mundo, a disputa por insumos médicos e equipamentos respiratórios cresceu drasticamente. Governadores de vários estados vêm tendo dificuldades em negociar a compra de aparelhos (em geral, da China), também muito requisitados por países europeus e pelos Estados Unidos. 

Diante disso, administradores públicos tiveram que pensar em alternativas para conseguir prover os hospitais públicos de equipamentos respiratórios, essenciais no tratamento de vítimas da COVID-19. No início de abril, o governador Romeu Zema (Novo) anunciou que o estado tentaria consertar aparelhos que estivessem inoperantes em estabelecimentos de saúde. Na época, previu-se que seriam em torno de 1 mil equipamentos, que seriam recolhidos em unidades públicas ou privadas dispostas à ação de parceria.



A partir daí, a Fiat reorganizou uma área de sua fábrica em Betim, na Grande Belo Horizonte, para realizar a manutenção dos respiradores pulmonares. Dezesseis funcionários trabalham em dois turnos para disponibilizar os aparelhos a clínicas e hospitais. 

“A manutenção eletrônica e mecânica já é de domínio dos nossos funcionários. A questão dos equipamentos elétricos e procedimentos de segurança desses equipamentos elétricos é que não eram de domínio. Então, tivemos que buscar uma certificação e treinamento virtual com o Senai e, posteriormente, tivemos esses treinamento de capacitação de empresas parceiras de forma presencial voluntária”, explica o gerente de Assuntos Regulatórios e Compliance da FCA e responsável pela força-tarefa de manutenção dos respiradores, Leonardo Amaral. 

Além dos 57 respiradores que ainda permanecem na fábrica para reparação, a previsão é de que a Fiat receba, ainda nesta quarta (22), mais 64 respiradores inoperantes. Desse total, 10 serão entregues pelo Exército (quatro vindos do Amapá e seis de Juiz de Fora). Outros 54 serão entregues pela Polícia Militar, que vem recolhendo aparelhos defeituosos em diversas cidades do estado.



Conforme frisa Amaral, o mapeamento de respiradores estragados é feito por uma equipe do Ministério da Saúde e do governo estadual. Após essa primeira etapa, caso o equipamento esteja em Minas, a Polícia Militar é a instituição responsável pelo transporte dos aparelhos, sempre destinados à mesma unidade de saúde em que os respiradores se encontravam. “A via de saída é a mesma de entrada e isso é feito pela PM”, explica.

Toda a operação é feita em conjunto com empresas parceiras; passando pela reparação, transporte de peças, certificações e treinamentos. As empresas participantes da iniciativa são: Aclin, AMECH (Associação Mineira de Engenharia Clínica e Hospitalar), Arkmeds, Azul Linhas Aéreas, Jabil, Medical Hosp., Sada e Surgical.

Além da fábrica da Fiat em Betim, a planta de Jeep, em Goiana (PE), também da montadora, é centro de recebimento e manutenção de aparelhos provenientes de Pernambuco, Paraíba e Alagoas. 

Conforme levantamento divulgado pela Fiat, o Brasil possui cerca de 65,2 mil aparelhos respiratórios, mas em torno de 3,6 mil estão inoperantes e necessitam de reparos – o número equivale a mais de 5% do total. Estima-se que cada respirador recuperado possa atender até dez pacientes.


Governo estadual O Governo de Minas informou que recolhe os respiradores mecânicos dos municípios e entregam às empresas parceiras como Fiat, Senai e Acelor Mittal para o conserto. A administração pública ainda informou que recolheu, até hoje, 400 aparelhos em todo o estado. A previsão é de que 142 sejam reformados até esta quinta-feira.

Hospital da Baleia 


Além dos respiradores, o Hospital da Baleia recebeu 60 protetores faciais plásticos. Nesse caso, a FCA utilizou as impressoras 3D da fábrica para a produção dos equipamentos de proteção individual (EPIs). A ação tem parceria com a fornecedora New-Tech Company, de Caxias do Sul (RS). Juntas, a FCA e a New-Tech Company estão fabricando cerca de 4 mil peças.

*Estagiário sob supervisão do subeditor Eduardo Murta