Nem mesmo a pacata Serra da Saudade, na região Centro-Oeste de Minas, a 268 quilômetros de Belo Horizonte, deixou de sentir os impactos da pandemia do novo coronavírus. Com recursos limitados para investir em saúde, o menor município do país tem reforçado, muito além da necessidade, o isolamento social não só entre os quase 800 habitantes, mas também a importância de se evitar visitantes.
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Ninguém na prefeitura quis conceder entrevista. A assessoria disse que esta foi uma alternativa encontrada para tentar repercutir menos a cidade na mídia. Isso porque, no início das ações de enfrentamento adotadas em todo o país, muitos visitantes migraram para Serra da Saudade. O receio era de ampliar a curva de infecção e de o município não suportar a demanda por atendimento médico.
O aumento de visitantes foi sentido pelos próprios moradores. “O que aconteceu no início, há 14 dias, era que as pessoas estavam vindo de fora. Achavam que por ser pequeno era mais seguro. Mas, estamos mais vulneráveis, temos poucos habitantes e acredito que se alguém se contaminasse a população seria contaminada em massa”, avalia a assistente social Juliana Alves Inácio, de 38 anos.
Ela cita os poucos recursos para aplicar em saúde. Lá, há apenas o Programa Saúde da Família (PSF). Para atendimento hospitalar é necessário recorrer a alguma cidade vizinha. Em relação à primeira quinzena de medidas restritivas, ela conta que a situação amenizou e os turistas estão deixando o município.
A conselheira tutelar Maria Aparecida Cardoso, de 46, é um exemplo de isolamento social. “Está fazendo 15 dias que não saio de casa. Tenho minha filha que vai ao supermercado”, conta. Mesmo com apenas dois casos notificados suspeitos de COVID-19 e sem nenhuma confirmação, ela relata que a população tem seguido as normas. A cidade já pacata, agora está ainda mais tranquila.
Avisos Por lá, carros da Polícia Militar e também do próprio município percorrem as ruas para alertar sobre a importância da prevenção. Para seguir todas as regras, a “política da boa vizinhança” tem sido adotada. “Às vezes precisamos ir às cidades vizinhas para algum serviço que não tem aqui. Quem vai, já aproveita e ajuda trazendo alguma coisa para o vizinho não ter que ir”, conta Maria Aparecida.
Em uma das duas mercearias da cidade, o proprietário viu o faturamento cair cerca de 50%. “O pessoal idoso não sai de casa e as demais pessoas também, então não deixa de nos atingir, mesmo funcionando”, comenta Antônio Faustino, de 46. O comerciante tratou como “exagerado” o isolamento. “A cidade é pequena, qualquer contaminação seria fácil de controlar. Proibiu bares, o comércio. Era só colocar fluxo de gente”, opina.
*Amanda Quintiliano – Especial para o EM