Jornal Estado de Minas

MINERAÇÃO

Vale eleva nível de emergência de barragem em Ouro Preto

A mineradora Vale elevou o nível de emergência de mais uma de suas barragens em Minas Gerais. Desta vez, a represa Doutor, localizada na Mina de Timbopeba, em Ouro Preto (Região Central do estado), foi alvo da medida.



 

A barragem foi para o nível 2 da escala de rompimento. A empresa, contudo, garante que, apesar da elevação, não houve detecção de "alterações físicas" no barramento. 

 

Segundo a Vale, a elevação aconteceu "em função da adoção de critérios mais conservadores para determinar a condição de segurança" da barragem. 

 

A represa está localizada a 40 quilômetros do Centro de Ouro Preto e tem 78 famílias em sua Zona de Autossalvamento, o perímetro de 10 quilômetros ao redor da estrutura.

 

Das 78 famílias que vivem nas proximidades, 11 já saíram de suas casas em fevereiro. O restante, segundo a empresa, deve ser evacuado ainda neste mês, respeitando as limitações diante da pandemia do novo coronavírus.



 

Os evacuados são levados para moradias provisórias em Ouro Preto.

 

Ainda de acordo com a gigante da mineração, cerca de 200 animais, no total, receberão acolhimento até que possam ser devolvidos aos seus donos.

 

A Defesa Civil estadual confirmou que a Vale elevou o nível da barragem e informou que pessoas ligadas à empresa se reuniram com a Defesa Civil de Ouro Preto nesta quarta-feira (1º) para discutir a questão.

 

Especificações 

 

O Barramento Doutor, conforme o Cadastro Nacional de Barragens de Mineração, elaborado pela Agência Nacional de Mineração, tem 77 metros de altura. 

 

A represa abriga cerca de 37 milhões de rejeitos de minério de ferro, quase o triplo da barragem que se rompeu em Brumadinho, na Grande BH, no ano passado. 



 

Conforme o cadastro, a represa foi construída por linha de centro, que é mais seguro que o estilo a montante, criticado por especialistas pela possibilidade de liquefação.  

Sem estabilidade 

 

A Barragem Doutor está entre as 25 da Vale em Minas Gerais sem estabilidade comprovada. Isso porque a Agência Nacional de Mineração não aprovou ou não recebeu da Vale documentos que provem a segurança dessas estruturas.  

 

Das 25 represas sem DCE em Minas, nove estão nos níveis 2 (anomalia não controlada) e 3 (colapso iminente) da escala de rompimento. 

 

Dessas, ao contrário de Doutor, oito já tiveram suas Zonas de Autossalvamento evacuadas. São represas localizadas no distrito de Macacos (Nova Lima), em Ouro Preto e em Barão de Cocais.