Crescimento de 100% em Belo Horizonte e estagnação no resto do estado. Esse foi o quadro trazido pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) ontem, em nova atualização dos casos confirmados do novo coronavírus em Minas Gerais. Segundo a SES, os diagnósticos positivos saíram de 14 para 19, sendo que as cinco novas confirmações são todas de moradores da capital mineira, onde o número chega a 10. E BH registra ainda o segundo caso com transmissão comunitária de Minas, justamente a que mais preocupa as autoridades. Isso porque não é possível atestar como ocorreu o contágio, uma vez que o paciente não sabe se teve contato com nenhuma outra pessoa diagnosticada. O primeiro quadro clínico nesta condição também foi registrado em BH.
Enquanto os casos confirmados aumentam na capital mineira, os suspeitos crescem não só em BH, mas também no estado como um todo. Ontem, eram 703 pessoas com quadros clínicos em investigação, 11 a mais que no levantamento anterior, que registrava 692. Em Belo Horizonte, houve inclusão de um novo paciente com sintomas da COVID-19, o que fez a cidade concentrar 266 casos suspeitos (37,8% do total de Minas).
Além de liderar em todos os números em Minas, Belo Horizonte é a única cidade com casos comunitários no estado. Em Juiz de Fora, há ao menos um diagnóstico com transmissão local, ou seja, uma pessoa que pegou a doença por ter tido contato com alguém que esteve fora do Brasil. Todas as outras cidades na lista de quadros confirmados registraram transmissão importada, portanto o morador pegou a COVID-19 ainda no exterior.
Nova Lima (Grande BH), Coronel Fabriciano (Central), Divinópolis (Centro-Oeste), Patrocínio (Alto Paranaíba), Sete Lagoas (Central), Ipatinga (Vale do Rio Doce) e Uberlândia (Triângulo), além de BH e Juiz de Fora, registram casos confirmados do novo coronavírus, de acordo com a Saúde estadual.
Outra preocupação das autoridades diz respeito às pessoas infectadas que fazem parte do grupo mais vulnerável ao novo coronavírus, que se torna mais letal, sobretudo, nos idosos e pessoas com doenças crônicas. O boletim do governo de Minas não informa sobre o estado de saúde dos pacientes, porém dois dos 19 diagnosticados com a COVID-19 têm mais de 61 anos. Segunda a pasta, são eles um morador de BH de 72 anos, com histórico de viagem para os Estados Unidos, e um paciente de 65, que vive em Juiz de Fora.
Ainda segundo a SES, foram notificados 810 casos suspeitos da enfermidade em Minas Gerais. Desses, 88 foram descartados, enquanto 703 permanecem em investigação, além dos 19 confirmados. No total, 97 prefeituras já avisaram o Estado sobre quadros clínicos sintomáticos e 91 ainda apuram ao menos um caso. Desses municípios, 12 aguardam o resultado de exames de 10 ou mais pacientes.
A cidade de Ribeirão das Neves, por meio de sua prefeitura, descartou um caso suspeito ontem, que nem chegou a fazer parte da lista da SES. Trata-se de uma paciente alemã que estava em observação desde quinta passada. A estudante está na cidade para realizar um trabalho voluntário e permanecia no Hospital São Judas Tadeu quando o Executivo municipal informou sobre o quadro. Em seguida, a estrangeira foi encaminhada para quarentena domiciliar, seguindo todos os protocolos do Ministério da Saúde, da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Secretaria de Saúde local.
Capital fecha de bar a shopping
Guilherme Peixoto e Pedro Lovisi*
Em tentativa de conter o avanço do novo coronavírus em Belo Horizonte e Minas Gerais, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) e o governador Romeu Zema (Novo) anunciaram, ontem, medidas drásticas. Na capital mineira, bares, restaurantes, shoppings e outros setores comerciais não funcionarão a partir de amanhã. Já em todo o estado, com o intuito de abrir espaço no sistema de saúde, as cirurgias eletivas serão adiadas. Ficou para amanhã a definição do governo Zema sobre a continuidade da suspensão das aulas na rede pública do estado.
A partir de amanhã, Belo Horizonte terá de fechar bares, restaurantes e shopping centers para tentar frear a propagação do coronavírus. A determinação foi estabelecida ontem em decreto do prefeito Alexandre Kalil (PSD). A suspensão de atividades com potencial de aglomeração de pessoas se ampara na Situação de Emergência em Saúde Pública. O decreto também fecha casas de show, boates, salões de dança, feiras, exposições, congressos, seminários, cinemas, teatros, clubes de serviço e de lazer, academias, clínicas de estética e salões de beleza. Apesar da suspensão, serviços de entrega são permitidos.
O texto ainda permite que as atividades administrativas e os serviços essenciais de manutenção de equipamentos possam ser realizadas com adoção de escala mínima de pessoas. Conforme o decreto, a fiscalização quanto ao cumprimento das medidas determinadas nesse decreto ficará a cargo dos órgãos de segurança pública, com apoio da Subsecretaria de Fiscalização, caso necessário.
“Quem está agendado para operar na semana que vem, pode, muitas vezes, esperar para ser operado em uma data posterior. Queremos que as UTIs, neste momento complicado, fiquem disponíveis para atender os pacientes com coronavírus”, explicou o chefe do Executivo.
De acordo com o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, o governo federal vai auxiliar Minas Gerais com R$ 40 milhões e também com o repasse de 50 leitos de terapia intensiva, que serão instalados nas casas de saúde da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Amaral fez um apelo à população e pediu que os cidadãos com sintomas leves da doença não procurem os hospitais. A prioridade, segundo ele, são os casos graves. Assim, será possível minimizar prejuízos aos grupos de risco, sobretudo os idosos.
Zema aproveitou para pedir à população que, dentro do possível, permaneça em casa. “Devemos evitar todo tipo de aglomeração. Não adianta o estado suspender viagens, fechar comércio, escolas e fronteiras, se as pessoas continuarem agindo de forma errada. Se o estado adotar medidas, mas as pessoas não contribuírem, não seremos bem-sucedidos”, ressaltou.
O governador classificou as medidas de prevenção como “efeitos colaterais necessários”. “Se deixarmos a contaminação acontecer em velocidade acelerada, o sistema de saúde não vai conseguir atender todos os pacientes”.
Até agora, Minas registrou 810 casos suspeitos da Covid-19. A Fundação Ezequiel Dias (Funed) já liberou os resultados de 400 deles – com 19 resultados positivos para a doença respiratória. De acordo com Carlos Eduardo Amaral, antes do descarte dos testes negativos, eles são encaminhados à equipe de epidemiologia da Funed para uma última análise.
*Estagiário sob supervisão da subeditora Rachel Botelho