Jornal Estado de Minas

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Imagem de São Miguel Arcanjo, do século 19, é devolvida à Matriz de São Romão



A campanha desenvolvida há 16 anos, em Minas, para restituição de obras sacras a igrejas, capelas, museus e prédios públicos, de onde desapareceram, se mantém firme e forte. Após mais de 20 anos, a Matriz de São Romão, na Região Norte do estado, terá de volta a imagem de São Miguel Arcanjo, do século 19. A devolução da peça em madeira policromada dourada, com mais de um metro de altura, foi feita na quinta-feira, na sede do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), na Região Centro-Sul da capital. “Receber essa imagem é um privilégio, pois faz parte da história de São Romão e do Norte de Minas”, disse, emocionado, o bispo da Diocese de Januária, dom José Moreira, que esteve em BH para encontro com a titular da Coordenadoria da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico/Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), promotora de Justiça Giselle Ribeiro de Oliveira, e a presidente do Iepha-MG, Michele Arroyo.



Apreendida em 2003 em São Paulo, pela Polícia Federal, a obra permaneceu sob a guarda do Iepha, ficando depositada no acervo do Museu Mineiro. As autoridades de Minas ainda procuram 734 peças desaparecidas, a exemplo de imagens de santos, castiçais, sinos, pedaços de altares e outras. Na lista, com objetos desaparecidos desde 1848, há muitas atribuídas a Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1737-1814), o “Mestre do Barroco”. No período de campanha, foram encontradas e devolvidas 269 e aguardam decisão judicial mais de 250, fruto de apreensões do MPMG, polícias Federal, Militar e Civil ou entregues espontaneamente.

A presidente do Iepha, Michele Arroyo, destacou a importância da devolução da peça sacra ao local de origem: “A imagem de São Miguel Arcanjo voltará a compor o acervo da Matriz de São Romão para que os fiéis e visitantes tenham acesso a um patrimônio cultural de Minas”. E mais: “Consideramos a ação fundamental, pois é fruto da parceria entre MPMG, Iepha e Iphan e também da polícia, que faz o monitoramento das peças de arte sacra retiradas de suas localidades”.

USO COLETIVO Já a promotora de Justiça Giselle Ribeiro de Oliveira ressaltou que, para o Ministério Público, se torna satisfatório ver mais um bem cultural mineiro, subtraído, retornando ao uso coletivo da comunidade de origem. “Esses vestígios materiais da história, da identidade local, são muito significativos e não podem ficar presos com pessoas que indevidamente se apropriam deles.” Para ela, “a devolução foi possível graças à campanha que o Ministério Público, junto ao Iepha, tem feito para a recuperação do patrimônio cultural.



“Buscamos esses bens desaparecidos e divulgamos as obras encontradas para que as pessoas identifiquem e, assim, os objetos de fé possam retornar aos locais de origem”. Quem tiver informações sobre bens desaparecidos em Minas, pode fazer contato com os órgãos de proteção (veja o quadro).


Para denunciar:


Quem tiver informações sobre peças desaparecidas e quiser fazer denúncias pode acionar:
Ministério Público de Minas Gerais
E-mail: cppc@mpmg.mp.br e telefone (31) 3250-4620. Pode também enviar correspondência para Rua Timbiras, 2.941, Bairro Barro Preto, Belo Horizonte. CEP 30140-062. Também está disponível o blog patrimoniocultural.blog.br. mpmg

Iphan
Para obter ou dar informações, basta acessar o site www.iphan.gov.br e verificar o banco de dados de peças desaparecidas. Denúncias anônimas podem ser feitas pelo telefone (61) 2024-6342, 2024-6355 e 2024-6370, telefone do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização (Depam) e pelo e-mail depam@iphan.gov.br

Iepha/MG
Pelo site www.iepha.mg.gov.br ou pelos telefones (31) 3235-2812 ou 2813

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