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Estado de Minas

Coronavírus: ''Ele voltou por amor à família'', diz pai de mineiro em quarentena em Anápolis

José Neves Siqueira Júnior, de 60 anos, se deslocou ao interior de Goiás para apoiar o filho, que morava em Wuhan e veio para o Brasil no avião da Força Aérea Brasileira (FAB)


postado em 11/02/2020 07:24 / atualizado em 11/02/2020 11:21

Vitor Campos e José Neves: filho voltou da China por amor à família, segundo o pai(foto: Arquivo Pessoal)
Vitor Campos e José Neves: filho voltou da China por amor à família, segundo o pai (foto: Arquivo Pessoal)

 

Preocupação, pressão alta, pouco sono e muita ansiedade: assim foram os dias de José Neves Siqueira Júnior e de sua esposa durante a explosão dos casos do novo coronavírus na China. O filho deles, Vitor Campos, estava em Wuhan, cidade que concentra a maioria dos diagnósticos até aqui, e voltou para o Brasil no avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que aterrissou no domingo em Anápolis (GO). A família é de Belo Horizonte.


Segundo José Neves, o filho, que é formado em Ciências Sociais na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estava na China para concluir um mestrado voltado à área de linguística. Ele contou ao Estado de Minas que Vitor começou a aprender o mandarim ainda na adolescência e se encantou pelo Oriente.


“Ele foi pra lá a partir de uma parceria da UFMG com o governo chinês, a partir do Instituto Confúcio (organização educacional pública sem fins lucrativos vinculada ao Ministério da Educação da China). Enquanto eles pagavam a bolsa dele lá, o Vitor dava aulas de mandarim aqui no Brasil como contrapartida”, explica Siqueira Júnior.

 

Ver galeria . 4 Fotos Cidadãos vão ficar sob observação das autoridades de saúde durante 18 dias no interior de Goiás. Entre eles, está o mineiro Vitor Campos, de 28 anosSérgio Lima/AFP
Cidadãos vão ficar sob observação das autoridades de saúde durante 18 dias no interior de Goiás. Entre eles, está o mineiro Vitor Campos, de 28 anos (foto: Sérgio Lima/AFP )
 


Vitor morava na Universidade de Wuhan, justamente no centro dos casos do novo coronavírus. Segundo o pai, apesar dos riscos, o jovem não queria retornar ao Brasil.


“A irmã dele ligou e disse: 'olha Vitor, nossos pais estão com pressão alta e sofrendo com a ansiedade'. Ele voltou porque gosta muito da gente. Foi um gesto de amor, porque caso contrário ele não voltaria. Ele tem a esperança de fazer o doutorado lá”, afirma José Neves.


Mesmo sem poder ver o filho, que permanece em quarentena em Anápolis, José Neves Siqueira Júnior se deslocou ao interior de Goiás. A ida se justifica, segundo ele, para prestar apoio ao jovem diante da situação.


De acordo com José, Vitor Campos passa por exames três vezes ao dia. Há coletas de sangue e de mucosas e medição de pressão constantes. No entanto, o tratamento dado pelo governo brasileiro é classificado pelo pai como “espetacular”.


“Eles se alimentam muito bem. Vitor me disse que a culinária local é uma delícia. Tem todo tipo de luxo no quarto e material de higiene completo, porém tudo descartável. A gente entende que esses exames são para assegurar que eles não apresentam sintomas do (novo) coronavírus”, destaca.


Conforme o último boletim divulgado pelas autoridades, subiu para 1.011 o número de mortes causadas pela epidemia do novo coronavírus. A comissão de saúde de Hubei, estado onde está localizada a cidade de Wuhan, também destacou que há mais de 42.200 casos confirmados na China.


Acredita-se que o novo vírus tenha surgido em um mercado que vende animais silvestres em Wuhan.

 

O presidente chinês, Xi Jinping, se reuniu com pessoal sanitário e pacientes afetados em um hospital de Pequim nesta segunda-feira (10), onde pediu "mais medidas decisivas" para conter a epidemia, noticiou a emissora estatal CCTV.


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