Jornal Estado de Minas

Banca destruída na Praça Marília de Dirceu é vizinha de apartamento de Kalil

(foto: Soraia Piva/EM/D.A. Press)
Coração do bairro de Lourdes, a Praça Marília de Dirceu é também um dos mais valorizados metros quadrados de Belo Horizonte – R$ 12 a R$ 15 mil. Na parte de cima da praça está a Rua Curitiba; na de baixo, a Marília de Dirceu.



 

 
 
 
No número 2427 da Rua Curitiba está localizado o Edifício Montesano, onde mora o prefeito Alexandre Kalil (PSD). Os prédios residenciais, que ficam na parte mais alta da praça, sofreram menos com a chuva.

Maria da Penha tinha a banca há 35 anos (foto: Mariana Peixoto/EM/D.APress)
Um contraste e tanto com o cenário de destruição na Rua Marília de Dirceu, na parte de baixo: asfalto arrebentado, estabelecimentos fechados, funcionários tentando retirar a lama que havia chegado às lojas.

Na praça, entre as duas ruas, fica a banca de Maria da Penha Miranda Soares, velha conhecida dos moradores da região. A banca foi levada pela força das águas, e está tombada, toda quebrada. Foi este o cenário que a jornaleira, que ocupa o espaço há 35 anos, encontrou ao chegar ao seu local de trabalho.


 
 

Maria da Penha foi embora na terça-feira antes da chuva. Quando chega em casa, ela contou, desliga o celular, pois a hora é de descanso. Não viu as mensagens pelo whatsapp alertando para o caos na região. “Quando cheguei hoje cedo estava desse jeito”, ela comentou. Perdeu tudo: guloseimas, revistas (molhadas, estavam ensacadas na manhã de hoje), cigarros, máquina de cartão, chip de celular. Ela estima um prejuízo de R$ 60 mil só da estrutura da banca, sem contar os produtos que vende. “E só existem três destas bancas em Belo Horizonte.”