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Estado de Minas

Lama e morte em minas

Ainda não curado da dor da tragédia de Brumadinho, estado enfrenta novo desastre: mais de 3,5 mil pessoas estão desabrigadas e pelo menos 35 morreram no rastro de chuvas desde sexta


postado em 26/01/2020 04:00 / atualizado em 25/01/2020 23:04

O último sábado de janeiro trouxe uma triste realidade para os mineiros – e marcada pelos tons fortes da tragédia na lama. Enquanto centenas de pessoas choravam de saudade, ontem, a perda de entes queridos mortos há um ano, em Brumadinho, na Grande BH, após o rompimento da Barragem da Mina do Córrego do Feijão, outras famílias da Grande BH e outras nove cidades do interior, ainda com o rosto coberto de espanto, viam o solo encharcado de água da chuva devorar pais, mães e filhos, inclusive crianças. Se em 25 de janeiro de 2019 os rejeitos de minério soterraram 270 pessoas, agora é a terra que desce das encostas, encobre as moradias e deixa abertas as portas do desespero.

(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)

Há um ano, em Brumadinho, o coração dos mineiros conviveu com o drama que aumentava a cada novo boletim divulgado pelas autoridades: o número de mortos e desaparecidos só aumentava a cada atualização. Em 2020, a angústia se repete: em balanço divulgado às 18h de ontem, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) elevou o número de mortos nas chuvas que castigaram Minas Gerais na semana de três, na sexta-feira, para 30. A situação pode piorar, já que 17 pessoas continuavam desaparecidas , conforme a Cedec, todas vítimas das precipitações desta semana. Momentos depois da divulgação do boletim, bombeiros resgataram outros cinco corpos, e conta de mortes subiu para 35.  Um total de 3.531 cidadãos estavam fora de suas casas, sendo 2.620 desalojados e 911 desabrigados, além de sete feridos.

 

Na Grande BH, o dia foi marcado pelo resgate de seis corpos na capital e um em Contagem, na Grande BH. No caso de Belo Horizonte, houve óbitos em soterramentos na Vila Bernadete, no Barreiro, e no Bairro Jardim Alvorada, na Região Noroeste.  No caso do Alvorada, que ainda não constava no boletim da Cedec,  três crianças e dois adultos morreram depois que barracões deslizaram, por volta das 20h de sexta. Já no Barreiro, dois corpos, ambos do sexo masculino, foram resgatados. Outras cinco pessoas ainda estão desaparecidas e os trabalhos foram encerrados no início da noite de ontem.


 

 


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