Jornal Estado de Minas

Natureza

Clima faz cogumelos brotarem em BH



Cogumelos que nascem em canteiros arborizados de Belo Horizonte chamam a atenção da população. No canteiro central da Avenida Cristóvão Colombo com Rua Alagoas, na Região Centro-Sul da capital, eles apareceram na época de sol e chuva, propícia para a reprodução dos fungos, pela umidade. Mas é preciso ter atenção: nem todo cogumelo é comestível e ingeri-los pode resultar em sintomas de intoxicação ou alergia.


Para entender o fenômeno e conhecer os riscos de manusear os cogumelos é preciso saber o que eles são. Os organismos que lembram flores e nascem mesmo sem o cultivo proposital são fungos. Eles vivem em todos os ambientes do planeta – na terra, na água ou no ar – e, além de serem importantes para a natureza, contribuem para a produção de alimentos. “Convivemos diariamente com eles desde que nascemos e dependemos deles para uma infinidade de coisas. Por exemplo, são eles que fermentam o pão que comemos, a cerveja e o vinho que tomamos”, explica Rachel Caligiorne, professora do Núcleo de Pós-Graduação do Hospital Santa Casa de BH.

Os fungos também são produtores de importantes antibióticos, como a penicilina, que age em casos de infecções causadas por bactérias. São de diversos tamanhos: os cogumelos são exemplos dos fungos macroscópicos. Eles nascem em jardins, nas fezes de animais e em árvores – nesse caso, são chamados de “orelha de pau”. De acordo com a especialista, não é possível identificá-los sem análise em laboratório: “Não podemos dizer se são comestíveis ou venenosos. Algumas pessoas se arriscam demais e tentam fazer chás com estes cogumelos, mas isso pode ser catastrófico, uma vez que podem estar usando uma espécie extremamente tóxica”.

CUIDADOS Os fungos precisam de muita umidade para crescer, por isso brotam no solo quando chove. Ainda de acordo com a especialista, os moradores podem conviver com as “orelhas de pau” que estão nos canteiros da cidade. Esses organismos ajudam a natureza e não fazem mal para seres humanos e animais. “Mas, atenção, evite deixar que crianças coloquem na boca ou que simplesmente toquem e coloquem as mãos nos olhos”, alerta Rachel.

Estudos apontam que apenas cerca de 10% das espécies de fungos são comestíveis. Por isso, todo cuidado é pouco. Em caso de contato com esses organismos, a pessoa pode ter sintomas de diarréia, pele avermelhada e irritação nas mucosas. “Deve tomar muita água para passar, e procurar um médico, somente isso”, acrescenta.

*Estagiária sob supervisão da subeditora Kelen Cristina