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Estado de Minas

Duelo de MCs Batalha armada só com rima e ritmo


postado em 15/12/2019 04:00 / atualizado em 14/12/2019 21:30

A praça é da Estação, mas também da música. “O que acontece aqui? Duelo de MCs. O que acontece aqui? Duelo de MCs.” O desafio anunciado pelo microfone começou exatamente às 16h20, no palco nobre que abrigou a semifinal da maior batalha de rimas do gênero no Brasil. O evento da cultura hip hop que começou na capital mineira há 12 anos pela primeira vez, por direito, ocupa espaço importante da cidade e passa a fazer parte do calendário oficial de eventos dos mineiros. Um salve para todos os envolvidos.

“Vai matar ou vai morrer? Vai matar ou vai morrer?” Assim foi dada a largada para o duelo entre os 16 semifinalistas saudarem o público com sua linguagem forte, de recados certeiros e precisão que levam fãs e curiosos ao delírio, tamanha criatividade e habilidade para ganhar, na palavra, o respeito de todos. Na disputa pelo título nacional, 16 MCs improvisadores de diferentes estados: W MC (AM), Bispo (RR), Pedrão Pesadão (AP), Lemes (TO), MCharles (CE), Tonhão (CE), Vinicius ZN (PE), LV (RN), Kenshin (AL), Skinny (AL), Neo (RJ), Noventa (ES), Lauro (PR), Ornaghi (PR), Jhon (DF) e Hate (DF).
Divididos em duplas, com 90 segundos para cada dueto, oito MCs foram os escolhidos por dois jurados e para o público para disputar hoje a grande final. Os finalistas são Noventa (ES), Tonhão (CE), Jhon (DF), MCharles (CE), Neo (RJ), Hate (DF), Lauro (PR), Vinicius ZN (PE).

Eles enfrentaram um processo seletivo intenso, realizado em todo o país, entre maio e novembro deste ano, que reuniu mais de 3 mil MCs, de pelo menos 300 cidades dos 27 estados da federação. Nesta edição, o campeão nacional vai receber uma premiação de R$ 15 mil, além de produções musicais e audiovisuais.

Léo Cezário, um dos idealizadores da batalha, destaca: “As questões sociais nos são muito caras. Sempre estivemos na rua e vir para a Praça da Estação é um avanço”. Ele lembra quando, em 2007, um grupo de 20 pessoas ocupava a Praça da Estação e foi retirado pela Guarda Municipal: “É curioso. Fomos para debaixo do viaduto e, 12 anos depois, estamos de volta para onde tudo começou e com esta relevância, estrutura e um lugar de direito”.

Claro, como toda novidade, Léo Cezário reconhece que o evento precisará de ajustes: “Como temos apoio dos órgãos públicos, esbarramos nas normas e, desta forma, nos deparamos com algumas dificuldades, como o acesso. Nosso público é o da periferias, as classes C e D, e muitos têm dificuldade de acesso, o espaço cercado inibe. Estão acostumados com o acesso livre e alguns recuam. Nosso papel e minimizar e todos precisamos nos adaptar”.

AMBULANTES

Léo Cezário também chama a atenção para a questão dos trabalhadores ambulantes: “Brigamos pelo comércio informal. Esses trabalhadores nos acompanham desde o início, lado a lado, e não poderiam ser excluídos. Então, o que fizemos foi eliminar os bares e distribuir caixas, colocando-os para dentro do evento e fazendo uma parceria inédita. Assim, eles ganharão mais e vão estar seguros”, destacou.

As estudantes e amigas Larissa Batista, de 19 anos, Iza Batista, de 16, e Luará, de 19, estavam eufóricas com a batalha e resumiram muito bem o significado do evento para milhares de fãs: “Rap é cultura. Meu tio é o DJ Roger Dee e, desde pequena, eu e minha prima, Iza, fomos influenciadas e formadas dentro dessa visão. O RAP, a rima, a dança, o duelo, enfim, tudo que envolver o hip hop, ajuda na luta contra o preconceito e uma grande parcela da população se sente representada”, explicou Larissa. Luará mandou seu recado na real: “É a cultura da favela que está aparecendo para o mundo”.

Ritmo também coreano

Cabelos coloridos, dança sincronizada, refrões que grudam na memória caracterizam um fenômeno pop mundial, que conquista cada vez mais adeptos também em Belo Horizonte. A força do K-pop, fenômeno cultural da Coreia do Sul que, além da música, dita estilo e comportamento da juventude, levou ontem centenas de jovens ao Centro de Referência da Juventude (CRJ) na Praça da Estação. Muitos deles nunca estiveram no país asiático, mas sabem bastante sobre o estilo de vida da juventude coreana.

Os amantes dessa cultura se encontraram para dançar e trocar experiências no Ressaca Seoul Party. Realizado na mesma hora do Duelo de MCs, na Praça da Estação, o evento se caracteriza também por batalhas. A disputa, porém, não é de rimas, como entre os mestres de cerimônia do rap, mas de quem tem a melhor performance ao som das canções em coreano.
As roupas lembram os uniformes colegiais. As meninas vestem saias pretas e blusas brancas. Mas para completar não podem faltar acessórios, suspensórios, gargantilhas e meia arrastão. A adolescente Noemi Bastos, de 14 anos, se juntou a outras meninas que, como ela, sonham em conhecer a Coreia do Sul, terra natal da maioria de seus ídolos. “Gosto muito da Coreira. Gostaria de ir para lá estudar”, planeja.

Gratuito, o evento abre espaço para apresentação de covers e desfiles, além de reunir lojas para comercialização de roupas e acessórios. Como Noemi, adolescentes vêm de diversas partes da capital e também de cidades da região metropolitana para curtir o ritmo.


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