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Estado de Minas PAISAGEM URBANA

Retrato da primavera: flamboaiãs em flor colorem a paisagem de BH e encantam moradores

Árvores exibem copas exuberantes variando do amarelo-laranja ao vermelho vivo em vários pontos da capital. São 3,7 mil exemplares, que começaram a ser plantados na construção da capital


07/11/2019 06:00 - atualizado 07/11/2019 08:11

Flamboaiãs se destacam na vegetação da Praça Floriano Peixoto. Espécie começou a ser plantada desde o início da construção da cidade(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Flamboaiãs se destacam na vegetação da Praça Floriano Peixoto. Espécie começou a ser plantada desde o início da construção da cidade (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)


O vermelho está mais vivo nestes dias de sol forte, a sombra da copa exuberante convida ao descanso, e, quando vem a chuva, a árvore se torna um espetáculo ainda maior, com as gotas escorregando pelas folhas e dando o tom da primavera. Quem presta atenção na paisagem urbana deve estar encantado com a floração dos flamboaiãs (Delonix regia), que tomam conta das praças, parques e canteiros centrais das avenidas da capital e municípios vizinhos. Com porte elegante e flores variando do amarelo-laranja ao vermelho, a árvore, para muitos especialistas, é o retrato da estação e tem o número estimado de 3,7 mil exemplares distribuídos pelos espaços públicos de BH.

“Parece que a natureza caprichou ainda mais este ano”, diz o engenheiro florestal da Secretaria Municipal de Meio Ambiente Edinilson dos Santos, explicando que a florada em novembro está relacionada à questão climática e à demora das chuvas. No inverno, de maio a agosto, os ipês também deram o ar da graça em grande estilo, na sequência que marca a cidade: amarelo, a árvore símbolo do Brasil, rosa e branco, que encerra a temporada.

Basta caminhar pela cidade para ver as árvores floridas. Elas estão na Avenida José Cândido Silveira, na altura da Via 710, na Região Leste de Belo Horizonte, na Praça Floriano Peixoto, no Bairro Santa Efigênia, na Centro-Sul, na Pampulha e outros cantos. Edinilson lembra que os flamboaiãs são plantados em BH, que completará 122 anos em 12 de dezembro, desde o início da construção e hoje se distribuem da seguinte forma, de acordo com o inventário que catalogou mais de 300 mil árvores: Centro-Sul (802 exemplares), Leste (424), Oeste (877), Noroeste (848) e Pampulha (808), ficando na 21ª posição no quadro geral de árvores mais comuns na cidade.

Frondosa, a árvore no meio urbano atinge de 8 a 9 metros de altura e o engenheiro florestal esclarece que elas são mais largas do que propriamente de grande porte. O grande problema está nas raízes, que arrebentam passeios e causam estragos em canteiros centrais. Dessa foram, são mais indicadas para parques e áreas mais amplas. “Hoje, é muito difícil encontrar uma muda para comprar no mercado, exatamente pelo sistema radicular.”

Ornamental


Segundo estudos, o flamboaiã é uma espécie da família Leguminosae, originária de Madagascar, muito cultivada como árvore ornamental em toda a região tropical e pode atingir até 30 metros de altura em seu hábitat. Devido à perda dos ambientes originais, a flora de Madagascar se encontra sob forte ameaça. Parece ainda não ser ainda o caso da árvore, também grafada como flamboyant, dizem os botânicos, mas as equipes têm mantido o alerta ligado para essa espécie. Como ação preventiva, coleções de sementes têm sido feitas e enviadas para bancos como o Millenium Seed Bank, no Reino Unido.

Morador do Bairro Jaraguá, na Região da Pampulha, e admirador “número 1” das plantas e dos bichos, conforme se declara, Wellington Almeida brinca que a natureza não conhece o calendário, então, obedece ao clima. “Gosto das cores fortes, do contraste do vermelho e do amarelo-laranja, quando o céu está bem azul”, diz Almeida, que faz coro às palavras do engenheiro florestal: “Fica bonito mesmo é nos lugares amplos. Na calçada, as raízes quebram tudo, do cimento às tubulações; o pior é quando fazem poda drástica, deixando a árvore como se fosse um bonsai”.

A caminhada pela cidade leva da Pampulha ao Bairro Palmeiras, na Região Oeste, que tem vários espécimes, como um centenário num lote vago, que não deixa motoristas e pedestres indiferentes à beleza e porte. Nas avenidas João Pinheiro e Olegário Maciel também há outros e uma ótima dica é, na correria do dia a dia, dar uma respirada e contemplar as rainhas da primavera. Moradora do Bairro Céu Azul, na Região de Venda Nova, Graciele Sena conta que presta mais atenção nas árvores quando se dirige, cedo, ao trabalho, numa lanchonete do Bairro Funcionários, na Centro-Sul, “São bonitas e interessantes, por serem bem amplas.”

Inventário das árvores


De acordo com o último levantamento feito pelo inventário das árvores, Belo Horizonte tem mais de 300 mil espécimes cadastrados, sendo 32 mil frutíferos. As árvores estão em vias públicas e afastamentos frontais de imóveis. Entre as frutíferas identificadas, há predominância de goiabeiras, oitizeiros, mangueiras, limoeiros, pitangueiras, romãzeiras, jabuticabeiras, amoreiras, coqueiros e aceroleiras. Atualmente, o inventário está parado.


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