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Estado de Minas

Vídeo: quem são os mineiros que pararam a Avenida Paulista ao bater recorde de levitação

Ilusionistas Klauss e Henry contam como foi a preparação para levitar por mais de quatro horas em uma das avenidas mais movimentadas do país


postado em 01/10/2019 19:13 / atualizado em 02/10/2019 21:25

Já pensou em dar uma pausa na rotina por alguns segundos, minutos ou até horas? Os ilusionistas Klauss Durães e Henry Vargas conseguiram com uma peripécia. Centenas de pessoas voltaram a atenção para os mágicos na última sexta-feira (27), quando a dupla resolveu levitar por mais de quatro horas em plena Avenida Paulista, em São Paulo (SP). 

Os jovens mineiros ficaram apoiados em um poste de sete metros em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp). A performance começou às 8h20min. Às 11h41min, a dupla superou a marca dos 200 minutos, obtida por dois chilenos em 2009. No total, eles ficaram quatro horas e vinte minutos levitando em uma estrutura montada por eles, idêntica aos postes da avenida. 

Os dois já conquistaram importantes prêmios internacionais, mas foi com o recorde que fizeram um marco na história do ilusionismo no Brasil, um mercado segundo eles ainda muito tradicional e carente de renovação.

Após a apresentação audaciosa, os dois fecharam um mês de apresentações em Hollywood, em Los Angeles, na Califórnia, previstas para ocorrer em janeiro do ano que vem.

O novo ilusionismo

(foto: Iago Fundaro/Divulgação)
(foto: Iago Fundaro/Divulgação)
Tecnologia, holograma, luzes e sons. Ambos com 27 anos, os performers são precursores do chamado “Novo Ilusionismo” utilizam ferramentas tecnológicas que, aliadas a ideias inovadoras e ousadas encantam e surpreendem o público.

Para se consolidar como a nova geração de ilusionistas, eles apostaram em tecnologias para tornar as palestras corporativas mais lúdicas, criativas e inovadoras. “A nossa virada de chave foi quando percebemos que o nosso produto não era apenas mágica”, revela Klauss. “Tínhamos que passar uma mensagem e poderíamos fazer isso a partir do Novo Ilusionismo”.

Quem é Klauss Durães?

(foto: Ilusion/Divulgação)
(foto: Ilusion/Divulgação)

Uma pessoa muito dedicada e esforçada. O doido da relação, como ele próprio diz. E é com seu jeito audacioso que ele desafia o natural com o parceiro.


O taurino, de aniversário em 30 de abril, é técnico em engenharia civil pelo Cefet/MG. Chegou a fazer seis meses de estágio, porém, preferiu se profissionalizar com a arte do ilusionismo. Toda a família trabalha na área da saúde. Com o coração e a namorada em Minas, sofre por ter que trabalhar longe.

Para ele, bater o recorde é sinônimo de superação em equipe. “Teve preparação de todo um time. Tivemos uma meta e depois de muito trabalho, muito esforço deu certo. É uma prova que quando você envolve planejamento, esforço e dedicação, o impossível é uma ilusão”, disse.

Durante a grande performance, o mineiro disse que o mais difícil foi o controle da mente. “Tive que controlar a dor, ansiedade… Chega uma hora que começa a bater o desespero. ‘E agora, o que eu faço?’ eu pensava”.

Quem é Henry Vargas?

(foto: Ilusion/Divulgação)
(foto: Ilusion/Divulgação)
 

Um Vargas que não é Getúlio mas já fez história. O sonhador é a metade fundamental que faltava para a ideia dar certo. Muito preocupado com as pessoas a sua volta, Henry tem uma verdadeira paixão pelo que faz. “Fazer com que o impossível aconteça”, ele define.


O jovem sagitariano é formado em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mas começou a mágica aos 8 anos de idade e nunca a abandonou.

Mesmo sem namorada ou filhos, bater o recorde é a lembrança que ele já pensa em como contar para os netos. “Avenida Paulista é muito simbólica. Muita gente no processo falou que era impossível. A gente só escutava: ‘esses caras são loucos’, e conseguimos fazer”, contou.

Inspirados em Houdini, eles fizeram com que centenas de pessoas parassem a correria do dia a dia. “Um motorista de ônibus passou debaixo de mim, parou o ônibus, tirou uma foto, balançou a cabeça e saiu. A gente sabe que por alguns minutos a gente mudou o ar e o sentimento da Avenida Paulista, isso que importa”, contou o ilusionista.

Depois da experiência, ele promete: vai ser a primeira de muitas. “O principal objetivo é levar a mágica de maneira mais próxima das pessoas. Reinventar o ilusionismo é nosso principal propósito.”

Primeira mágica: transformar sonho de criança em negócio

Ser mágico é o sonho de muitas crianças. Inclusive, era um dos anseios dos amigos Klauss e Henry. Não à toa, os dois passaram parte da vida lendo livros sobre o ilusionismo.

Os amigos se conheceram ainda adolescentes e, em 2009, eles fundaram a Ilusion, empresa especializada na produção de ilusionismo personalizado, que atua com foco em eventos corporativos.

Klauss aprendeu muitos números com o seu tio. Já Henry foi motivado a entrar na carreira pelos shows que via na televisão. Desde pequenos, os dois sempre se aventuravam em truques de mágica nas festas da família, nas rodas de amigos e nos intervalos escolares.


A preparação para o recorde

Bater um recorde não é brincadeira. Foi um ano de preparação e planejamento. Desde buscar autorizações até encontrar um método que funcionasse para os dois.

No último mês que antecedeu a performance, os dois ensaiaram intensamente. Foram dias de consultoria com preparadores físicos

A receita do grande dia ficou em comer apenas uma barra de cereais, não tomar muito líquido – para não precisar ir ao banheiro –, e tomar remédio para possíveis dores.

No fim da apresentação, a primeira coisa a se fazer foi tomar água. Quase que no mesmo instante de se sentar. Com o corpo extremamente fraco, eles passaram o fim de semana descansando, mas já estão prontos para a próxima, que deve ocorrer em São Paulo novamente.


Como os ilusionistas conseguiram levitar?

Talento e muito trabalho. Essa é a resposta básica e mais real possível. "Apesar de ser uma ilusão, mas não podemos contar”, disse Klauss.

“Já ouvimos de tudo. Vidro transparente, cabo segurando por helicóptero e muito mais”, disse o parceiro, Henry. “Não vamos revelar. É um trabalho de várias pessoas. Ou dá muito certo ou muito errado. Havia coisas que poderiam sair do nosso controle, mas no fim deu tudo certo”, comemorou.


Show em Belo Horizonte

(foto: Divulgação/Benatti)
(foto: Divulgação/Benatti)
 

 

A última apresentação aberta da dupla em Belo Horizonte foi em junho, no Sesc Palladium.

Apesar de serem apaixonados pela capital mineira, os dois se estabilizaram em São Paulo por causa da logística de transporte de equipamentos dos shows. Como a maioria dos convites são recebidos na capital paulista, é melhor que a infraestrutura esteja por lá. 
 
Os dois se programam para refazer o show em meados de abril do ano que vem na capital mineira. No Centro de Belo Horizonte, cidade dos ilusionistas, Klauss deixou uma pergunta no ar: “quem sabe fazer o pirulito desaparecer?”.

 
* Estagiária sob supervisão da subeditora Rachel Botelho


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