Jornal Estado de Minas

CRIME SEM FREIO

Mulheres sofrem um ataque a cada dois dias no mês em que a Lei Maria da Penha completa 13 anos



Nem mesmo uma medida protetiva foi suficiente para frear a violência contra uma mulher em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Alessandra Cristiane Solane, de 46 anos, foi assassinada a facadas pelo ex-companheiro dentro de casa. O autor do crime foi preso e confessou o feminicídio. O caso expõe o aumento da violência contra elas, que não para. Levantamento do Estado de Minas mostra que ocorreu em média um ataque contra mulheres a cada dois dias desde o início do agosto, mês em que a Lei Maria da Penha completou 13 anos. Ontem, as investigações de outro crime que chocou a capital mineira foram encerradas. O microempresário Paulo Henrique da Rocha, de 33, foi indiciado pelos assassinatos a tiros da ex-companheira Tereza Cristina Peres de Almeida, de 44, e do filho dela, Gabriel Peres Mendes de Paula, de 22.



O assassinato, em Santa Luzia, ocorreu na noite de domingo, por volta das 22h. Alessandra foi morta a facadas pelo ex-companheiro dentro de casa, no Bairro Asteca. Familiares encontraram o corpo da mulher e acionaram a Polícia Militar. No local, peritos apreenderam uma faca de açougueiro utilizada no crime e constataram ao menos uma perfuração no tórax da vítima. A PM iniciou as buscas pelo homem, e o encontrou por volta das 10h de ontem. “Desde que o crime ocorreu, iniciamos o rastreamento. Tivemos informações de que ele estava transitando a pé pela Avenida Brasília. Fizemos o cerco e conseguimos encontrar o autor”, explicou o sargento Alex Estevão de Souza.

Ao ser preso, Luiz Carlos confessou o crime, segundo a PM. “Ele afirmou que tinha um relacionamento de 25 anos com a vítima. Há aproximadamente dois meses eles se separaram. Ontem (domingo), apesar de a vítima ter uma medida protetiva contra ele, o autor a procurou. Durante uma discussão, ele pegou uma faca e atacou a ex-companheira”, disse o militar. O homem foi encaminhado para a delegacia onde foi autuado em flagrante pelo crime.

Essa foi a quinta ocorrência de ataques contra mulheres a vir à tona nos primeiros 12 dias do mês. No Triângulo Mineiro, assassinatos chocaram a população. Um deles ocorreu em União de Minas. Lourival Carvalho dos Santos Rocha, de 43, e Ivoneide Conceição de Souza, de 33, foram encontrados mortos dentro de uma casa incendiada. A suspeita é de feminicídio seguido de suicídio. Em Uberaba, a polícia faz buscas por um homem que matou cruelmente uma mulher em uma residência. Em outra ocorrência, em Belo Vale, o autor de uma tentativa de feminicídio contra a ex foi indiciado. A garota ficou com uma faca cravada no rosto. O crime ocorreu em 4 de agosto.



Os casos de feminicídio têm crescido em Minas. Segundo a Polícia Civil só no primeiro semestre deste ano foram 64 registros de ocorrências desse tipo de crime no estado. Outras 104 tentativas foram registradas no mesmo período. Em todo o ano passado, foram registrados 160 ocorrências de feminicídio. São tipificados como feminicídio crimes cometidos por menosprezo pela condição feminina, discriminação ou por violência doméstica. Para denunciar casos de violência contra a mulher em todo o país o número é o 180.

Indiciamento

O microempresário Paulo Henrique foi indiciado pelo assassinato da ex-companheira Tereza Cristina Almeida, e o filho dela, Gabriel Mendes de Paula. O crime ocorreu em 29 de julho, no Bairro Ipiranga, Região Nordeste de Belo Horizonte. O homem vai responder por duplo homicídio qualificado por motivo fútil e pelo recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. “No caso de Tereza Cristina, ainda há a qualificadora do feminicídio. A delegada também solicitou à Justiça a manutenção da prisão preventiva do indiciado”, informou a Polícia Civil.

O inquérito foi encaminhado à Justiça de Belo Horizonte na sexta-feira. Paulo Henrique foi localizado pela polícia dias depois do crime no Barro Preto. No momento da prisão, ele estava com uma pistola semiautomática calibre 9 milímetros. Conforme a Polícia Civil, a delegada Ingrid Estevam, do Núcleo Especializado em Investigação de Feminicídios, explicou que a perícia constatou que a arma é compatível com o material balístico encontrado na cena do crime.