Essa lei também não surtiu efeito nos números de feminicídio no estado, que acumulou 27.681 medidas protetivas ao longo de 2018, segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais. No segundo semestre do ano passado, quando a legislação já estava em vigor, a Polícia Civil registrou 95 crimes desse tipo no estado.
Neste ano, o caso que terminou com as mortes de Tereza Cristina Peres de Almeida e do filho dela, Gabriel Peres Mendes de Paula, reacendeu o debate sobre a eficácia das medidas protetivas. A mulher tinha três medidas protetivas contra Paulo Henrique da Rocha, que tirou a vida da ex-companheira e do ex-enteado a tiros no Bairro Ipiranga, Região Nordeste de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Civil, a última delas foi emitida em abril de 2019. Paulo chegou a ir à delegacia para assinar um termo no qual garante estar ciente sobre a medida. Além disso, outras duas ex-namoradas já o haviam denunciado, em 2007 e 2014, por ameaças.
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Núcleo especializado
Em maio, a Polícia Civil inaugurou o Núcleo Especializado de Investigação de Feminicídios. Situada no Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), a unidade tem como objetivo acelerar a apuração dos inquéritos de um dos crimes que mais crescem no estado. Responsável por chefiar as investigações do núcleo, a delegada Ingrid Estevam explica como funciona o trabalho da estrutura para coibir casos de feminicídio. “Nosso objetivo é nos deslocar imediatamente para o local dos fatos quando um feminicídio ocorrer. Diante disso, a equipe, juntamente ao delegado, vai tentar, imediatamente, prender o autor em flagrante”, afirma.
Caso o suspeito não seja localizado, as investigações continuam. “É hora de voltar para o núcleo, representar todas as medidas necessárias para a prisão do autor, localizar a arma usada no crime, perícias e todos os outros procedimentos para concluir o mais rápido possível esse inquérito", garante. Segundo Ingrid, 99% dos casos resultam na prisão do autor.
Ainda assim, a polícia procura, no momento, por um foragido de matar a esposa, de 70 anos, em Minas Gerais. A maior dificuldade do caso foi o fato de o corpo ter sido encontrado dias depois do crime.