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Estado de Minas

Golpistas roubam contas de WhatsApp e pedem dinheiro pelo dono; veja como evitar

Números de celular são obtidos em anúncios de sites de negociação de mercadorias e vendedores são enganados para enviar código que dá acesso a perfil no aplicativo de mensagem. Em outro golpe, estelionatários 'pagam' mercadorias com falsos depósitos. Saiba como se proteger


postado em 30/05/2019 06:00 / atualizado em 30/05/2019 17:27

Com mensagem pedindo confirmação de dados, estelionatários levam vendedores a enviar-lhes código que dá acesso ao WhastApp (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)
Com mensagem pedindo confirmação de dados, estelionatários levam vendedores a enviar-lhes código que dá acesso ao WhastApp (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)

Se você tem o costume de usar sites na internet que funcionam como balcões para compra e venda de produtos diversos é importante redobrar a atenção. Dois golpes diferentes que estão circulando, com desdobramentos em Belo Horizonte, exigem cuidados tanto na hora de efetivar as transações quanto no manuseio do aplicativo WhatsApp, que passa a ser o foco dos bandidos a partir do momento em que alguém anuncia um produto na internet e disponibiliza seu contato. Neste segundo caso, golpistas estão conseguindo enganar as pessoas roubando suas contas no serviço de mensagens pelo celular.

A partir daí, passam a pedir dinheiro para um grande número de contatos de quem teve a conta no WhatsApp ativada em outro dispositivo. Outro golpe que chama a atenção é a “compra” de produtos em sites como OLX usando a fraude do envelope vazio. Falsários enviam comprovantes de depósitos feitos sem colocar dinheiro nos envelopes e conseguem enganar vendedores, que acreditam que o documento é verdadeiro, mas nunca recebem a quantia. Quatro pessoas foram presas em Belo Horizonte por esse esquema.

Mercadorias apreendidas em ação contra o golpe do depósito(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)
Mercadorias apreendidas em ação contra o golpe do depósito (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)

Um caso envolvendo o aplicativo WhatsApp aconteceu na terça-feira com o engenheiro Filipe Amaral, de 30 anos, morador do Bairro Buritis, Oeste de Belo Horizonte. Ele mantém um anúncio de um produto de alto valor que está tentando vender pelo site OLX e recebeu mensagem de uma pessoa se passando por um membro da empresa, solicitando informações para garantir que aquele não era um anúncio falso.

O golpista argumenta na mensagem que essa é a nova política da companhia para evitar a disseminação de anúncios falsos na plataforma e por isso há necessidade da confirmação da titularidade. Quando a vítima envia a mensagem dizendo que seu anúncio está disponível, o golpista rebate pedindo para que mande um código de confirmação. O que as vítimas não sabem é que, na verdade, esse código é enviado via SMS para ativação do WhatsApp de quem está prestes a cair no golpe em outro dispositivo, que está na mão dos falsários.

Enviado o número, o engenheiro perdeu o acesso ao aplicativo em seu celular. Um amigo, que estava com ele quando isso ocorreu, notou que a conta dele no WhatsApp se transformou em comercial, o que o deixou preocupado. Bastaram mais 15 minutos para ele descobrir o golpe, pois começou a receber ligações de amigos dizendo que ele estava pedindo dinheiro pelo WhatsApp. Essa é a segunda parte e a mais importante do golpe. Com acesso à conta de WhatsApp das vítimas, os falsários começam a disparar mensagens pedindo dinheiro.

“Até o momento, acho que os falsários não conseguiram executar o golpe em nenhum dos meus contatos, mas houve várias tentativas com amigos e, inclusive, pessoas do meu convívio profissional. Então, no meu caso, o prejuízo foi realmente ter que explicar para essas pessoas o que tinha ocorrido e gastado tempo para resolver o problema”, diz Filipe, que só conseguiu retomar a conta no WhatsApp depois de duas horas, porque o aplicativo não permitia inserir outro código em um período menor que esse.

Outro expediente que eles usam é pedir à pessoa que recebeu a mensagem que envie novos códigos de ativação do WhatsApp. Dessa forma, os falsários conseguem ampliar o golpe e começam a invadir outras contas no serviço de mensagens, sempre com o objetivo de pedir dinheiro para a maior quantidade de pessoas possível. Entre os contatos de Filipe que receberam uma mensagem de golpe da conta dele no WhatsApp está o motorista de aplicativo de transporte Rodrigo Nunes, de 29 anos.

O condutor conta que recebeu uma mensagem de Filipe pedindo para enviar um código. “Eu achava que era alguma coisa relacionada a esporte, para acionar algum aplicativo para assistir aos jogos de futebol e então mandei. Depois vi que ele tinha caído no golpe e já pensei que havia sido enganado também”, diz.

Os golpistas não chegaram a ligar o WhatsApp de Rodrigo em outro dispositivo porque ele ativou o que o aplicativo chama de verificação em duas etapas. Com essa medida, o usuário cria uma senha, que é solicitada de tempos em tempos pelo aplicativo para validar o acesso. Com isso, o golpista não consegue ativar o WhatsApp apenas com o código do SMS e também precisa da senha.

Isso deixa o dono da conta mais resguardado, pois se o estelionatário pedir a senha fica mais fácil identificar a situação como golpe. “De qualquer forma, me gerou muito transtorno. Já mandei mensagem para todos os contatos avisando que eu poderia ser vítima do golpe, mas, por sorte, não fui. Também apaguei todas as minhas conversas”, disse Rodrigo.

ALERTA
Em nota, o WhatsApp informou que desenvolveu um alerta nas mensagens de verificação de conta, orientando seus usuários a não compartilharem o código recebido via SMS, uma vez que essa senha é pessoal e dá ao usuário a segurança de acesso.

O alerta já está disponível para instalações no sistema Android e, em breve, chegará ao iOS. Em caso de tentativa de roubo de conta, o WhatsApp também ressalta que a criptografia de ponta a ponta do aplicativo não é comprometida. Ou seja, o golpista não tem acesso a mensagens anteriores que estão armazenadas no seu telefone. A empresa enviou algumas dicas para os usuários (leia nesta página) e informou que se o problema persistir as pessoas podem entrar em contato com a equipe de atendimento do WhatsApp em support@whatsapp.com.

Já a OLX esclareceu que não teve acesso a detalhes do caso citado e, por isso, não foi possível investigar ou tomar as devidas providências. A empresa informou que está sempre à disposição das autoridades para colaborar no que for necessário para a apuração dos fatos e que “envia mensagens informativas esclarecendo que a solicitação de códigos de confirmação ou códigos de segurança, dados cadastrais e pessoais não é uma prática adotada pela OLX em nenhuma situação”.

Outra informação fornecida pela OLX é a possibilidade de denunciar, a partir de um botão, todos os seus anúncios e contatos no chat, possibilitando que qualquer pessoa aponte eventuais práticas irregulares ou conteúdos indevidos. A empresa também enviou dicas para uma transação segura.

 

Quadrilha do envelope vazio


Estão à disposição da Justiça os quatro homens apontados pela Polícia Civil como integrantes de uma organização criminosa que aplicava golpes em pessoas físicas que vendiam produtos na internet por meio do site OLX. O grupo agia comprando esses produtos, mas sem efetivamente pagar pelo bem. Para ludibriar os vendedores, a quadrilha enviava comprovantes de depósitos bancários feitos com envelopes vazios. Esse documento era suficiente, segundo o delegado Vicente Ferreira, do Departamento de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), para que os vendedores mandassem os produtos, mas, quando percebiam, o dinheiro não havia caído nas contas indicadas. Segundo a polícia, Gustavo de Souza Veloso, de 31 anos, tinha a função de fazer as compras. De acordo com o delegado, ele usava o nome de uma pessoa no Rio Grande do Sul, que, quando percebeu a fraude, registrou ocorrência.

 

Depois que Gustavo comprava os produtos, eles eram enviados para o endereço de Jacques Judice Ross Lamego, de 30, no Bairro Serra, Centro-Sul da capital. Jacques recebia R$ 50 por cada encomenda que chegava a sua casa, segundo a polícia. Depois era a vez de Diego Allen Delucca Rocha, de 29, que de acordo com a Polícia Civil atua como motorista de aplicativo. Ele levava os produtos até uma loja de drones no Bairro Buritis, Oeste de BH, onde eram revendidos. Na loja, foi preso por receptação Paolo Henrique Cassano, de 28, que seria o dono do estabelecimento, segundo as investigações. O prejuízo estimado em mercadorias apreendidas pela polícia gira em torno de R$ 150 mil. Entre os objetos apreendidos sem comprovação da origem estão celulares, computadores e drones de até R$ 26 mil.

A Polícia Civil ainda apura quantas vítimas teriam sido lesadas, mas o delegado disse que os quatro foram presos em flagrante e admitiram participação no esquema. Outro objetivo da investigação é saber como era a divisão financeira praticada entre os presos. O que já se sabe, segundo Vicente Ferreira, é que Gustavo, que já tem passagens por estelionato, vinha praticano esses golpes há pelo menos um ano e intensificou suas ações nos últimos seis meses. Ele morava em uma casa de alto padrão no Bairro Bandeirantes, na Região da Pampulha. “Segundo ele próprio, nesse período ele adquiriu mais de R$ 200 mil nos crimes que praticou”, diz o delegado. Segundo a Polícia Civil, vítimas que desconfiarem que possam ter sido lesadas por essa quadrilha devem procurar o Depatri, na Avenida Amazonas, 7.025, Bairro Gameleira, levando documentos que comprovem serem os donos dos bens em questão para buscar a restituição.

 

O QUE DIZ A OLX Em nota, a OLX ressalta que sua atuação consiste na “disponibilização de espaço para que usuários possam anunciar e encontrar produtos e serviços de forma rápida e simples”. Diariamente, quase 500 mil anúncios são inseridos na plataforma. “Toda negociação é realizada fora do ambiente do site, portanto, a empresa não faz a intermediação ou participa de qualquer forma das transações, que são feitas diretamente entre os usuários”, diz a companhia.

A empresa recomenda que o negócio seja fechado em lugar público e movimentado e que se busque informações sobre o comprador nas mídias sociais. Além disso, sugere que o produto só seja enviado depois da compensação de cheques ou quando a transferência bancária for verificada na conta. Em caso de depósito em caixa eletrônico, é preciso aguardar o tempo necessário para a abertura dos envelopes.

 

 


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