Jornal Estado de Minas

MP vai à Justiça para exigir fiscalização de represas

O Ministério Público Federal (MPF) entrou na Justiça para obrigar o governo federal, por meio da Agência Nacional de Mineração (ANM), a fiscalizar todas as barragens de rejeitos do setor no Brasil sem segurança atestada. Em análise recente, a ANM concluiu que 56 represas no país, 36 delas em Minas Gerais, estão sem a Declaração de Condição de Estabilidade (DCE). Além desses barramentos, a ação da promotoria quer também obrigar a União a examinar as estruturas classificadas como sujeitas a dano potencial associado (DPA) alto.

O MPF pediu ainda que a ANM seja obrigada, em 180 dias, a apresentar um plano de reestruturação da atividade de fiscalização de barragens. Esse plano, entre outras medidas, deverá revisar a periodicidade necessária para a vistoria, os riscos que cada uma delas representa e a expertise necessária para o trabalho de supervisão.

A falta de servidores lotados na ANM, o principal órgão relacionado à mineração no Brasil, também causa preocupação ao MPF. Recentemente criada para substituir o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), a agência, de acordo com a promotoria, sofre com um “processo de sucateamento estrutural” herdado do órgão que a antecedeu.

Segundo o Ministério Público Federal, a ANM tem suas ações impactadas pela falta de pessoal, “especialmente na fiscalização da segurança das barragens”. Por isso, a ação também pede que a União seja obrigada a fornecer os recursos humanos e financeiros necessários para que a agência cumpra suas funções. O governo federal pode se ver obrigado, inclusive, a requisitar ou deslocar servidores de outros órgãos, capacitados tecnicamente para a fiscalização. Caso isso não seja possível e Justiça acate o pedido do MPF, a União deverá contratar agentes privados especializados.

MINAS GERAIS A ação pede, ainda, que as inspeções nas barragens sejam realizadas em prazos determinados.

Para as estruturas inseguras ou com segurança inconclusiva em Minas Gerais, a supervisão deverá ocorrer em até 30 dias após a decisão, com prazo para conclusão de 180 dias. Já para as represas com DPA alto no estado, a fiscalização precisará se iniciar em 90 dias e ser concluída em 240 dias. Para as demais barragens nos outros estados, a ação judicial pede que a inspeção seja começada em 180 dias e terminada em 360 dias.

OUTRO LADO Procurada pela reportagem, a Agência Nacional de Mineração (ANM), por meio de sua assessoria, informou que sofreu um corte de 22% no orçamento para este ano. Por isso, caso a Justiça acate o pedido do MPF, o órgão fiscalizador afirmou que teria dificuldades para cumprir os prazos dados pela Promotoria.

A ANM também ressaltou que teve, recentemente, um reforço em seu quadro de funcionários. Os novos servidores vieram de outros departamentos mas, segundo o órgão, eles não têm, por enquanto, a experiência necessária para fiscalizar barragens sozinhos.

Uma capacitação ocorreu nas últimas semanas para preparar os novos servidores. Porém, o processo de maturação desses profissionais, de acordo com a assessoria, leva ao menos seis meses.

Ainda conforme a agência, a administração tinha colocado a contratação de uma consultoria especializada na fiscalização de represas no planejamento. Contudo, o corte dos repasses da União impediu a terceirização.

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