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Estado de Minas

Queda de acidentes com motociclistas gera economia para o Poder Público

Segundo a CDL/BH, prejuízo menor se deve à campanha Ande Seguro, que conscientiza quem prefere andar de moto a partir de dicas para uso dos equipamentos de segurança


postado em 19/03/2019 21:55 / atualizado em 19/03/2019 22:00

(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)

 
Os cofres públicos tiveram economia de R$ 8,9 milhões durante a campanha Ande Seguro, promovida pela Câmara Setorial Duas Rodas Moto, da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH). Foi registrada queda de 14,66% no número de acidentes, em agosto, setembro e outubro de 2018 na comparação com o mesmo período de 2017. Sem o propósito de punir, mas de educar para o uso adequado de equipamentos de segurança, a campanha é realizada há cinco anos. 

Os números foram anunciados em entrevista coletiva promovida pela CDL/BH nesta terça-feira, na sede da entidade na Avenida João Pinheiro. A queda foi creditada, pelo diretor da câmara setorial, Milton Furtado, à campanha educativa. “Não estamos mais falando de um batidinha, mas de uma verdadeira guerra no trânsito”, afirma Milton, ao dimensionar a importância das campanhas educativas voltadas para motociclistas.

O motoboy Walter Evaristo Jr., de 44 anos, nunca se acidentou desde que começou a pilotar profissionalmente, há quatro anos. Ele faz parte dos 46% dos motofretistas que nunca se envolveram em batidas no trânsito. Segundo o levantamento, a maioria dos motociclistas (54%) não tem a mesma sorte.

Além de usar os equipamentos de segurança, Walter adota a direção defensiva. “Respeito ao limite de velocidade da via, conferência aos retrovisores e atenção redobrada”, enumera. Mas, ainda assim, fica temeroso quando está pilotando. “Não é uma profissão segura. Não depende apenas de nossos cuidados, dependemos também da responsabilidade do outro.  Já desviei de muitos motoristas de aplicativos que se distraem com o celular”, diz. 

 
Perfil de quem pilota 


Em 10 anos, a frota de motocicletas na capital mineira aumentou em quase 73 mil veículos, passando de 149 mil em 2009 para 222 mil em 2019, de acordo com dados do Detran/MG. Apesar do grande número de pessoas que atuam como motofretistas, cerca de 30 mil  – conjunto impulsionado por pessoas que aderem aos aplicativos de entrega como forma de geração de renda –, apenas 8,5 mil estão devidamente regulamentados para exercer a profissão. 

A maior parte deles não tem plano privado (63%) e são assistidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).  Apesar do aumento na frota em 2018 em relação a 2017, houve redução em 24% no número acidentados que deram entrada ao Hospital de Pronto-socorro João XXII, caindo de 5.426 em 2017 para 4.133 em 2018, segundo o estudo da CDL. 

No ano passado, a campanha foi realizada entre 7 de agosto e 25 de outubro. No período foram abordados 3,2 mil motociclistas, sendo que 658 foram entrevistados. Nas paradas educativas, os motociclistas receberam informações e puderam instalar antenas para proteção contra linhas de cerol.  O levantamento avaliou a qualidade de equipamentos de segurança, como capacetes, luvas, jaquetas e calçados. 

A maioria dos motociclistas é formada por homens, 91%. As mulheres representam 9%, mas em relação a 2017, houve um aumento de sete pontos percentuais no número de mulheres pilotando, passando de 2% para 9%. A maior parte dos motociclistas (41%) está na faixa etária entre 31 a 40 anos. 

O uso de capacete ocorre pela totalidade dos motociclistas. Desse total, 74% usam capacetes em bom estado de conservação. O freio estava em ótimas condições para 65% dos motociclistas e razoável para 33% e ruim para apenas 2%.  De acordo com Milton, o uso de capacetes se deve a redução a zero do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), em 2012. Milton destaca facilitou a isenção fiscal facilitou a aquisição do equipamento de segurança, que é essencial, para a proteção do piloto em caso de acidente, mas não representou perda de arrecadação para o estado . 

Os motociclistas também percorrem até 250 quilômetros por dia, percurso maior que o de uma viagem para a cidade de Tiradentes, que fica a 210 quilômetros de Belo Horizonte. Cerca de 38% dos motociclistas percorrem de 101 a 250 Km por dia, 33% de 41 a 100 Km e 29% de 5 a 40 Km.”Os motociclistas precisam ser mais valorizados pela sociedade. São trabalhadores como todos nós e têm um trabalho muito árduo”, defende o representante da CDL. Milton destacou que a campanha tem o propósito de demonstrar que a pilotagem pode ser uma prática segura. 

Habilitação


O diretor do Sistema Viário da BHTrans José Carlos Ladeira, criticou o processo de formação dos motociclistas e o formato do exame para obter a habilitação.Segundo ele, os testes são feitos em locais que não apresentam o mesmo grau de dificuldade que uma rodovia apresenta, por exemplo. Ele também defendeu a mudança no formato da fiscalização no Anel Rodoviário. Atualmente os radares fazem fotos frontais e o melhor seria que os registros fossem da parte traseira da motocicleta.


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