Com lições tomadas a partir do desastre de Mariana, em 2015, o Ministério Público Estadual (MPE) de Minas adotou novas estratégias ao lidar com a Vale, para prender cinco suspeitos de responsabilidade pelo caso e congelar R$ 11 bilhões da companhia. Em entrevista exclusiva ao jornal O Estado de S. Paulo, o procurador-geral de Justiça mineiro, Antônio Sérgio Tonet, diz que "tudo está sendo considerado", até delações premiadas aos presos.
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Depois de Mariana, licenciamento ambiental em Minas ficou mais flexívelBrumadinho tenta desobstruir estrada e encontra corpo de vítimaEM localiza trabalhadores da Vale flagrados em vídeo tentando fugir da lama em caminhonete Custos da União com Brumadinho serão cobrados da Vale, diz AGUApós atraso, Vale conclui instalação de 1ª membrana de contenção no Rio ParaopebaO procurador-geral diz que não descarta novas prisões, mas destaca que os mandados, que são determinados pelo Poder Judiciário, têm saído à medida em que são pedidos. As ações têm sido organizadas em conjunto desde a sexta-feira em que aconteceu a tragédia. No domingo, agentes paulistas já tinham os endereços dos presos.
A atuação do MPE não é restrita às investigações. Há garantias a serem dadas às vítimas e reparações financeiras e ambientais. Nesse campo, o MPE optou por manter conversas diretas com o presidente da Vale, Fabio Schvartsman.
Sem intermediários
Uma das principais lições de Mariana é que, desta vez, o MPE informou ao Executivo que não aceitará a ação de intermediários.
Em um encontro no Aeroporto de Confins, na Grande Belo Horizonte, um dia após o desastre, quando o presidente Jair Bolsonaro esteve na região e conversou com autoridades, o MPE passou mais informações à mineradora. "Teríamos de ter neste caso um comportamento diferente em relação às indenizações", ressalta, ao falar em rapidez nos pagamentos. Anteontem, a Vale anunciou que faria doações imediatas de R$ 100 mil a parentes de vítimas.
Entretanto, há uma série de pendências que ainda estão sendo apuradas pelos promotores envolvidos no caso, como falta de assistência e moradia às vítimas. Elas estavam sendo reunidas até ontem e, na semana que vem, serão levadas à mineradora pelo MPE.
O grupo que investiga a tragédia, cuida da assistência às vítimas e calcula todos os prejuízos causados, para cobrar a mineradora, é composto por 19 promotores criminais, do Meio Ambiente, da Infância e da Juventude, da Saúde e dos Direitos Humanos. Dada a amplitude das ações que devem ser propostas, foi preciso "olhar holístico", segundo o procurador, para formar a equipe, que vai compartilhas as informações.
O MPE ainda trabalha em outro grupo, este formado pelas demais instituições encarregada das investigações, como as Polícias Civil e Federal.