Jornal Estado de Minas

"É um vale de lágrimas", diz mãe à espera de filho e genro desaparecidos em Brumadinho


A casa de Dona Conceição, na vilarejo do Córrego de Barro, em Brumadinho, ficou pequena na manhã de sábado. De visitas mas, principalmente, de dor. Ali se reuniram os filhos à espera de notícias de três netos da senhora, de 84 anos, do marido de uma das netas, além de outros dois parentes. “E eu pensando que seria a minha hora...”, diz Conceição, lamentando a ausência dos netos em casa.

Maria Aparecida Almeida Rocha, uma das filhas de Conceição, aguardava informações sobre o filho, o geólogo Luciano Almeida Rocha, de 39 anos, e do genro, André Luiz dos Santos, de 34. “É um vale de lágrimas”, lamenta, ao lado do marido, Adair Mendes Rocha. 

Na casa, os primos se revezam no telefone em busca de alguma informação, de algum destino. “Desde 12h30 (de sexta) até agora, só angústia. Só tristeza. Até agora, notícia nenhuma.
Só pelo telefone. Um fala uma coisa, outro põe outro. Fala que estava no hospital, no João XXIII, depois em Sarzedo, no Mater Dei de Betim, procuramos e nada”.



Pai de Luciano, Adair não conseguiu completar a frase ao começar a falar do filho: “O meu filho largou três filhos...”, disse antes de interromper a fala e cair em lágrimas. 

Desaparecidos

Os outros dois netos de Dona Conceição são Letícia Mara de Almeida e Gustavo André Xavier. Os outros parentes são José Carlos Doneguetti e Jonas André Nunes.

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