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Estado de Minas

Terminam buscas por escaladores brasileiros desaparecidos na Patagônia

Segundo nota da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME), a médica Carolina Codó, responsável por coordenar os trabalhos na Argentina, confirmou a interrupção das tentativas de resgate; tempo extremamente frio e falta de segurança para os socorristas motivaram cancelamento


postado em 24/01/2019 18:56 / atualizado em 24/01/2019 19:26

Capixaba Fabrício Amaral e mineiro Leandro Iannotta e tinha experiência para encarar o monte Fitz Roy, segundo amigos e a Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME)(foto: Reprodução/Facebook)
Capixaba Fabrício Amaral e mineiro Leandro Iannotta e tinha experiência para encarar o monte Fitz Roy, segundo amigos e a Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME) (foto: Reprodução/Facebook)

 

A Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME) informou que as buscas pelo mineiro Leandro Ianotta e pelo capixaba Fabrício Amaral foram encerradas nesta quinta-feira. Eles estão desaparecidos desde o último domingo, quando deveriam retornar de uma escalada no Monte Fitz Roy, no Parque Nacional Los Glaciares, na Patagônia argentina. Eles utilizariam uma rota conhecida como via Franco Argentina para escalar a montanha.

 

Em nota, a CBME informou que o tempo na região, com neve constante nas montanhas, dificultou as buscas pelo Grupo Voluntário de Resgate de El Chaltén (vilarejo mais próximo), além de colocar em risco os socorristas. Nessa segunda-feira, um grupo chegou a se deslocar para procurar pelos brasileiros, mas precisou voltar diante das condições extremas. As informações foram repassadas pela médica argentina Carolina Codó, responsável por coordenar as operações de socorro próximas ao monte.

 

De acordo com a CBME, tal contingente era composto por montanhistas experientes do país vizinho e da Itália. Eles saíram por volta das 23h30 de segunda rumo ao Fitz Roy. Espanhóis também tentaram ajudar com o uso de um drone para fazer imagens. Eles chegaram até a base do monte, o que dura cerca de um dia de caminhada, segundo especialistas ouvidos pelo em.com.br.

 

Contudo, durante o percurso, logo no início da caminhada, um espanhol sofreu um acidente. Ele caiu de altura de cerca de 30 metros, segundo a nota da confederação brasileira e precisou ser levado ao hospital de El Calafate, pequena cidade próxima.

 

Monte Fitz Roy: o 'douturado' do montanhismo no hemisfério Sul(foto: Reprodução/Pixabay)
Monte Fitz Roy: o 'douturado' do montanhismo no hemisfério Sul (foto: Reprodução/Pixabay)
 

 

Ainda no fim de semana, outros dois brasileiros chegaram ao Paso Superior – acampamento avançado situado na base do monte. Lá, eles encontraram documentos do mineiro Leandro Iannotta e outros equipamentos, como saco de dormir. Naquela ocasião, eles não conseguiram avançar mais por conta da tempestade e desceram dali mesmo para o vilarejo de El Chaltén.

 

Os montanhistas desaparecidos foram vistos pela última vez há seis dias, na última quinta-feira (17), por volta das 14h. Um helicóptero continua de prontidão aguardando a melhora das condições climáticas para sobrevoar a região. No entanto, a previsão de uma pequena janela - termo utilizado para definir o momento em que o tempo ruim cessa e surge um intervalo de três ou quatro dias de tempo bom - somente na sexta-feira (25).

 

"Mr. Bean [Leandro Iannotta] e Amaral, ambos experientes escaladores em paredes longas e vias complexas tanto em terras brasileiras, como fora delas. Tinham não apenas experiência para tentar escalar essa montanha, como também entendiam os riscos envolvidos. A CBME lamenta profundamente o acidente, entende que a dor é grande e deseja força aos familiares para enfrentar esse momento", diz a nota da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME).

 

Em seu perfil na rede social Instagram, Ianotta chegou a relatar que a primeira investida no local foi “incrível”, mas que, em razão do vento forte, eles teriam optado por descer e esperar uma “janela” para continuar a caminhada.

 

A esposa de Leandro Iannotta, Renata Cançado, deixou uma mensagem emocionante em tom de despedida em sua página no Facebook. “Amor, meu grande amor. Minha alma gêmea. Quanta admiração eu tenho por você. Sou grata por ter tido o prazer de conviver com você nesses 15 anos. Você me inspira. Te amo para sempre. Sentiremos muito a sua falta. Amor de outras vidas”, declarou.

 

(foto: Reprodução/Facebook)
(foto: Reprodução/Facebook)
 


Escalada difícil

 

 

Ouvidos pelo em.com.br, os especialistas Edemilson Padilha e Luciano Fernandes classificaram a escalada do Fitz Roy como uma das mais complicadas no esporte. “O principal problema da Patagônia é o clima, pois as condições são sempre hostis. Além disso, a escalada é vertical em rocha, por isso você precisa ir sempre amarrado a um colega, para que um segure o outro em caso de queda”, explicou Padilha, que já encarou o desafio diversas vezes e até participou de resgates no local.

 

Para Fernandes, o teste “separa os homens dos meninos” na modalidade. “É como fazer um 'doutorado' no montanhismo. Escalar no Brasil você faz o 'curso superior'”, compara. O jornalista conhecia o mineiro Leandro Iannotta há 10 anos, quando veio escalar na Serra do Cipó. Segundo ele, Iannotta era fascinado pelo esporte e largou o ramo de origem para se dedicar a uma empresa especializada em guiar escaladores em Minas.

 

“No final do ano passado, convidei o Leandro para ir a um evento de filmes de escalada que promovemos em Lagoa Santa. Ele ficou muito lisonjeado com meu convite e me disse para escalarmos juntos em Minas. Ele é uma pessoa bastante querida e respeitada no ramo”, disse.

 

O mineiro era conhecido como Mr. Bean entre os colegas, justamente por sua semelhança com o humorista britânico protagonizado pelo ator Rowan Atkinson. (Com Agência Brasil)


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