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Estado de Minas

Contagem ganha primeiro santuário católico

Dedicado a Nossa Senhora Aparecida, primeiro santuário católico de Contagem será instalado em igreja local no dia da padroeira do Brasil


postado em 29/09/2018 06:00 / atualizado em 29/09/2018 08:27

Futuro reitor do templo, padre Jorge (C) reza com fiéis na Igreja Nossa Senhora da Conceição, que vai abrigar o novo santuário da Grande BH(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Futuro reitor do templo, padre Jorge (C) reza com fiéis na Igreja Nossa Senhora da Conceição, que vai abrigar o novo santuário da Grande BH (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Templo de peregrinações, convívio e, principalmente, fortalecimento da fé. Em 12 de outubro, data consagrada à padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, Contagem, na Grande BH, vai ganhar seu primeiro santuário católico – o 12º da Arquidiocese de Belo Horizonte. Em cerimônia presidida pelo arcebispo metropolitano dom Walmor Oliveira de Azevedo, será celebrada a missa de instalação do Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora da Conceição Aparecida, no local onde hoje está a Igreja Nossa Senhora da Conceição.

Na tarde de ontem, o futuro reitor do novo santuário, padre Jerzy Wydrych, conhecido como padre Jorge, rezou de mãos dadas com fiéis da sua atual paróquia, São José e São Gabriel, no Bairro Milionários, na Região do Barreiro, e moradores do Novo Eldorado, de Contagem. “Aqui existe uma devoção mariana muito forte, e dom Walmor atende a uma demanda do povo, que sonha com um lugar privilegiado de culto e veneração à mãe de Jesus”, disse o polonês residente há mais de 30 anos no Brasil e vigário episcopal da Região Nossa Senhora Aparecida da arquidiocese (Contagem, Betim e parte do Barreiro).

Bem-humorado, padre Jorge brincou dizendo que Nossa Senhora da Conceição não vai se importar com a substituição. “Ela não liga, não. A festa maior agora será em 12 de outubro, mas em 8 de dezembro, data consagrada a Nossa Senhora da Conceição, vamos festejar também”, afirmou o religioso, diante da imagem da padroeira do Brasil. A paróquia completou 20 anos em janeiro e passará por transformações. “Será um local de devoção mariana, com ampliação do atendimento à comunidade. Teremos um centro de formação, de catequese, com cursos e congressos”, afirmou. A instalação do santuário será no dia 12, às 17h.

As mudanças também incluem novos horários de missas. No dia de Nossa Senhora Aparecida, as celebrações serão às 5h e às12h – e o desejo do padre é ver a igreja cheia bem no início da manhã. Logo depois, os horários serão 19h30 (terças e sextas-feiras) e 7h, 9h e 19h aos domingos. Outra novidade é que a capela ao lado da igreja vai se tornar Santuário de Adoração Perpétua do Santíssimo Sacramento, permitindo que as pessoas rezem ali durante 24 horas, sem necessidade de ir à Igreja da Boa Viagem, na Região Centro-Sul da capital.

MISSÃO Diante do altar, quatro integrantes da equipe de coroação deram as boas-vindas ao padre Jorge e falaram das suas expectativas. “É um sonho realizado que Deus me dá. O santuário vai trazer mais crianças e jovens para cá”, disse Tereza Cristina Teixeira, costureira. Também integrante do Apostolado da Oração, Matildes Maria Pinto dos Santos ressaltou a importância das mudanças para comunidade, enquanto Maria do Carmo Ferreira, a Carminha, falou sobre o acolhimento aos fiéis.

Um das primeiras iniciativas do reitor, e que contará com ajuda do rebanho, é fazer obras na construção. A proposta é trocar o telhado, atualmente forrado de zinco, os vidros e o piso. Morador do Bairro Milionários, o casal Paulo Pereira Braga Júnior, motorista, e Eliane Gomes Braga, auxiliar administrativa, se mostrou disposto, quando puder, a participar das missas do padre Jorge. “O Brasil precisa de muitas orações, em qualquer lugar”, disse Paulo. Residente no mesmo bairro, a dona de casa Maria Imaculada Maciel Barbosa também prometeu rezar no santuário.

Em nota, a Arquidiocese de BH informa que a missão do Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora da Conceição Aparecida é contribuir para que os fiéis “vivenciem a espiritualidade cristã católica, ser referência na acolhida aos peregrinos e fortalecer a devoção mariana, pois os santuários são reconhecidos centros de evangelização, ambientes que promovem a cultura, a acolhida e o amparo aos pobres, de modo coerente com o compromisso cristão de proclamar a palavra de Deus”.

E mais: “Os templos católicos se dividem em categorias distintas conforme suas características e peculiaridades. Uma paróquia pode ser elevada ao título de santuário, quando se torna referência por receber grandes peregrinações de devotos e tem especial importância para os fiéis de determinada região. Já as catedrais são a sede de uma diocese ou arquidiocese, reconhecidas como igreja-mãe.”

Doze templos


Com o Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a Arquidiocese de Belo Horizonte ficará com 12 santuários marianos. São eles: Santa Luzia, em Santa Luzia; Santo Antônio, em Roça Grande, em Sabará; Tabor da Liberdade, em Confins; Senhor do Bonfim, em Bonfim; e outros na capital: Santuário de Adoração Perpétua – Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, no Bairro Boa Viagem; São Judas Tadeu, no Bairro da Graça; Nossa Senhora da Conceição, no Bairro Lagoinha; Santuário da Saúde e da Paz, no Bairro Padre Eustáquio; Senhor Bom Jesus, no Bairro Bom Jesus; São Paulo da Cruz, no Barreiro; e o Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade – Padroeira de Minas Gerais, no alto da Serra da Piedade, em Caeté.


Festa de memória no Caraça


(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press - 27/9/16)
(foto: Beto Novaes/EM/D.A Press - 27/9/16)
O fim de semana será de festa religiosa no Santuário do Caraça, em Catas Altas, na Região Central, com as homenagens a São Vicente de Paulo, patrono da Congregação da Missão (padres vicentinos) que administra o grande centro turístico, ambiental e cultural distante 120 quilômetros de Belo Horizonte. Como já virou tradição, dezenas de ex-alunos vão participar das atividades no templo neogótico e também ao ar livre, esse último espaço ideal para contar casos e lembrar fatos históricos do Caraça, entre eles o incêndio que destruiu, há 50 anos, a escola e o seminário. As recordações ganham tons mais fortes neste mês em que os brasileiros lamentam a perda do acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, consumido pelo fogo.

Embora não tenha estudado no Caraça, o advogado belo-horizontino Galba Magalhães Velloso, de 73 anos, mantém relações afetivas e profissional com o santuário, e avisa que estará presente hoje à confraternização ao lado dos integrantes da Província Brasileira da Congregação da Missão. “Meu bisavô Joaquim Cândido da Costa Senna, morto em 1919, estudou lá. Foi diretor da Escola de Minas de Ouro Preto, sucedendo ao fundador Claude-Henri Gorceix (1842-1919), e presidente da província de Minas, cargo equivalente a governador do estado”, afirma.

Velloso lembra que o antigo colégio foi um celeiro de políticos e religiosos, pois estudaram no local 200 parlamentares, 50 bispos e um presidente da República – Afonso Pena (1847-1909), mineiro de Santa Bárbara. Sobre a ligação profissional com o Caraça, ele explica: em 1983, durante o governo estadual de Tancredo Neves (1910-1985), portanto 15 anos depois do incêndio no seminário, foi instituída uma comissão para fazer estudos sobre a recuperação da parte atingida. Do grupo participaram, além de Tancredo e Galba Velloso, que era membro da Fundação Pró-Memória, o então presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Austregésilo de Athayde, o ex-deputado estadual, federal e senador Edgard de Matta Machado, o superior provincial da congregação, padre José Pires de Almeida, e o reitor do Caraça, padre José Tobias Zico.

Com recursos da Vale, Fiat e Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG Cultural), foram recuperadas as estruturas que hoje abrigam o museu (primeiro andar), biblioteca (segundo) e auditório (terceiro). “O objetivo era que o Caraça se tornasse um centro de estudos e conferências, e nessa época o jornal Estado de Minas deu ampla cobertura”, afirma Velloso.

ALMA NACIONAL Chamado de “Porta do Céu”, o Caraça se tornou, junto da religiosidade que o marca, um grande centro turístico, ambiental e cultural de Minas, recebendo milhares de visitantes do mundo inteiro. E quem estudou lá tem vivas as memórias de uma época – é o caso do presidente da Associação dos ex-Alunos dos Lazaristas e Amigos do Caraça (Aealac), Mariano Pereira Lopes, de 74, que estudou no Caraça entre 1957 e 1962. Na companhia da família e dos ex-colegas, ele viajará de trem até a estação Dois Irmãos, em Barão de Cocais, seguindo depois de carro até o santuário.

Os irmãos Rodolpho Baptista Abreu, morador de Itabirito, na Região Central, e Francisco Batista Abreu, de BH, planejam ir ao Caraça no fim de semana para rever os amigos. Autor de um livro sobre sua trajetória no colégio de 1950 a 1955, Atribulações de um caracense no Caraça (2012), Rodolpho, de 80, ressalta que, durante o Império, a instituição foi a melhor escola do Brasil. “Pode existir ex-aluno, mas ser ‘caracense’ é para sempre”, orgulha-se.

“O colégio era uma referência não só na educação dos jovens, mas também em exemplo de valores éticos e morais. Para resumir, o Caraça era a alma nacional”, afirma Velloso. Eleito aos 21 anos vereador de Belo Horizonte e hoje ministro aposentado do Tribunal Superior do Trabalho (TST), o advogado faz parte de uma família ligada diretamente ao hospital Galba Velloso, de BH, nome do seu avô, psiquiatra (1889-1952), instituição organizada, na década de 1960, pelo seu pai, Fernando Megre Velloso, e o irmão Sylvio Velloso, ambos falecidos. Velloso afirma que, em 1983, “a Comissão Caraça fez, em Minas, o que se pretende no Museu Nacional, do Rio”.

Chamado de Colégio Imperial, o Caraça, por onde passaram mais de 10 mil alunos, abriu como escola em 1820 e só fechou as portas para os alunos seminaristas em 1968. Quatro anos depois, embora sem deixar de ser uma casa religiosa, se transformou em pousada. Além do conjunto histórico, onde sobressai a igreja em estilo neogótico, há a parte ambiental. Integrante da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, o Caraça está na categoria de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), com 19 mil hectares. Na região, há muitas variedades de orquídeas e vivem centenas de espécies de pássaros e de dezenas de mamíferos, universo reconhecido pelos naturalistas que visitaram a região, no século 19, entre eles o francês Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853).

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