Jornal Estado de Minas

PF prende suspeitos de escravizar, explorar e aliciar transexuais em Minas, São Paulo e Goiás

A Polícia Federal (PF) desencadeou a Operação Fada Madrinha, na manhã desta quinta-feira, nas cidades de Leopoldina, na Zona da Mata, Franca e São Paulo, no estado de São Paulo, e Goiânia, Aparecida de Goiânia, Jataí e Rio Verde, em Goiás. Segundo a PF, a força-tarefa agiu contra os crimes de tráfico internacional de pessoas e trabalho escravo, ambos praticados contra transexuais, e cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão contra três associações criminosas. 





Conforme a polícia, as vítimas eram aliciadas pelas redes sociais com a promessa de obter procedimentos cirúrgicos para a transformação facial e corporal, além de garantir participação em concursos de misses na Itália. Entretanto, ao chegar à cidade de Franca (SP), onde atuava a primeira quadrilha investigada, as transexuais eram submetidas à exploração sexual e à situação análoga à escravidão. Elas eram obrigadas a pagar diárias de R$ 170 aos criminosos para não sofrer agressões físicas, como surras com barras de ferro.

De acordo com a PF, além da ''comissão'', essa associação criminosa ordenava as vítimas a comprar roupas e acessórios, o que criava um ciclo de endividamento, que deveria ser sanado a partir da prostituição. As transexuais também passavam por cirurgias estéticas, como a adoção de próteses mamárias, que eram realizadas em clínicas clandestinas com silicone industrial – material não recomendado para esse procedimento.

As ações criminosas continuavam para as trans considerados “mais bonitas”, segundo a PF. Elas eram levadas até a Itália, onde a quadrilha organizava concursos de misses. Os eventos eram gerenciados pela quadrilha, o que resultava em novas dívidas. Os prejuízos, assim como no Brasil, deveriam ser pagos por meio da prostituição.





Quem não respeitava as ordens da quadrilha estava sujeito a agressões físicas, como espancamentos com barras de ferro (foto: Reprodução/Polícia Federal)
Segundo a PF, as investigações contra o grupo de Franca se iniciaram em novembro de 2017. No decorrer dos trabalhos, a PF afirma que descobriu outras duas associações criminosas, que atuavam em conjunto com a primeira em Minas Gerais e Goiás. Havia uma parceria entre as organizações, que se dava por meio do intercâmbio das vítimas. 

Os investigados responderão pelos crimes de tráfico internacional de pessoas, redução à condição análoga à de escravo, associação criminosa, exploração sexual e exercício ilegal da medicina. Se condenados, as penas podem ultrapassar 25 anos de reclusão.

No total, mais de 50 policiais federais atuaram na ação, segundo a PF. A força-tarefa também contou com a colaboração do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério Público Federal (MPF). O Ministério do Trabalho e Emprego e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) é o responsável por realizar medidas protetivas às vítimas.

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