Pode ser old school, geométrica, aquarela ou tribal. Pode ser também um retrato, um desenho botânico ou uma mensagem feminista. Pode ainda ser a primeira tatuagem ou a 100ª. Pode ter recém-completados os 18 anos – quando a lei dá aos insaciáveis a permissão para rabiscar a pele – ou já ter comemorado os 70. Não tem distinção de gênero, de cor, de idade ou de estilo: tem para todos os gostos. Não é novidade que a tatuagem abandonou o estigma de estar à margem da sociedade e está cada vez mais presente na pele. Se há alguns anos ter um desenho definitivo no corpo era algo subversivo, hoje, a tatuagem virou um detalhe na pele corriqueiro.
Os amantes da arte do corpo terão muitas opções de desenhos na 8ª edição do BH Tattoo Festival, que começou ontem e irá até domingo, com um leque de atrações musicais, ao lado de estandes ocupados por aproximadamente 400 tatuadores nacionais e estrangeiros, incluindo profissionais vindos da Rússia, Holanda, Peru e Chile. O evento ainda conta com concursos, intervenções, workshops e shows de bandas de diversos gêneros.
“Minha intenção é não deixar pele limpa do pescoço para baixo”, contou Laurine Pontes Novas, de 34 anos, que trabalha como manicure e body piercer.
Entre tantas pessoas expondo suas tatuagens pelos corredores do evento, Marcelo de Souza Ribeiro, de 35, mais conhecido como Marcelo B’boy, se destaca. Com o corpo totalmente tomado por desenhos coloridos e piercings, Marcelo falou sobre sua relação com a tattoo: “Eu era professor de hip-hop e fiz minha primeira tatuagem com 15 anos para ressaltar minha paixão pela dança. Depois disso, foi desenho atrás de outro desenho”, explicou ele. Após alguns anos, decidiu comprar um kit de tatuador e começou a fazer as tattoos, inclusive, em seu próprio corpo – que já é 96% colorido: “Sou o primeiro homem mais tatuado de Minas Gerais e o segundo do Brasil”, contou, orgulhoso do título. Com tanta experiência de desenhos sob a pele, a dor já não é mais um problema. Ele já coloriu até o branco dos olhos. Mas, para os inciantes, ele pontuou: “O lugar mais difícil foi a costela”. Hoje, o apaixonado pela arte na pele se profissionalizou e vive de tatuagem, viajando para várias cidades do Brasil e do mundo para participar de convenções e festivais.
CADA VEZ MAIOR A maior aceitação social da tatuagem e a melhoria na qualidade dos produtos e técnicas foram importantes pela expansão do setor e, consequentemente, explicar o crescimento na movimentação no evento.
Nos três dias desta oitava edição, os expositores ficarão disponíveis para tatuar de 12h até 22h.
Mulheres ganham espaço
O mercado de tatuagem está em alta. Estudo do Sebrae identificou que o setor teve crescimento de 24,1% relativo ao número de estúdios regularizados, sendo que esse índice foi apurado entre janeiro de 2016 e de 2017. Este aumento também se reflete no número de mulheres que entraram no ramo. Segundo o diretor de comunicação do evento, Bruno Ferrão, tanto nos stands, quanto nas macas onde as pessoas se submetem à agulha, a presença feminina aumentou: “As mulheres estão com a presença considerável”, pontuou.
“Eu sempre gostei de desenhar e comecei a tatuar há quatro anos. Posteriormente, abri um estúdio com outras duas tatuadoras.
Gilmara Oliveira, de 41, é artista visual, trabalha com mulheres e atua em diversos segmentos culturais, com o intuito de enaltecer o universo feminino. “Eu entendo o corpo como extensão do meu trabalho. Faço parte de um coletivo que trabalha com o universo da mulher”, explicou. Quem visita o estande dela pode perceber que clítoris, de todas as formas e tamanhos, chamaram a atenção. E, para ajudar outras mulheres, a artista abriu uma promoção para as duas primeiras meninas que quiserem apagar uma tatuagem com nome de ex-companheiro(a), ganharia um desenho de graça. Passeando pelos corredores, não é só o clítoris que reforça a onda feminista: é possível perceber ícones como a artista plástica mexicana Frida Kahlo estampados como opção de tatuagem, assim como desenhos de mulheres fora do padrão ou mensagens como ‘girls power’.”.