Jornal Estado de Minas

Impasse estica greve nas escolas particulares; futuro das Umeis definido hoje


A expectativa do fim da greve dos educadores da rede particular de Minas Gerais não se consumou ontem. Foram mais de três horas de audiência entre representantes do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep/MG) e Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas), à tarde, no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG), sem um acordo fechado no encontro. Em assembleia à noite, educadores disseram que, do ponto de vista deles, houve avanço em apenas um dos pontos, o pagamento dos dias parados sem punição dos grevistas. E decidiram aguardar reunião dos patrões, às 8h30 de amanhã, para uma nova avaliação sobre os rumos do movimento. As duas entidades sindicais têm até o fim do dia para informar ao desembargador mediador o resultado de suas assembleias.

De acordo com a presidente do Sinpro Minas, Valéria Morato, na audiência no TRT os patrões não aceitaram sugestão de mediação de reajuste salarial de 2%. A categoria pede INPC (1,56%) mais 3% de ganho real. Representantes dos donos de escolas particulares ficaram pé no reajuste de 1,56%.
Outro ponto polêmico, as homologações de rescisões de contrato, não foi contemplado conforme reivindica os trabalhadores, que pedem que o procedimento seja acompanhado pela entidade de classe, no caso de demissões de profissionais a partir de um ano de contrato.

De acordo com assessoria do Sinep/MG, na assembleia dos donos de escolas, já convocada para amanhã, será apresentada a proposta do desembargador do TST Márcio Flávio Salem Vidigal para que as homologações sejam feitas no sindicato dos trabalhadores quando o contrato rescindido tiver mais de dois. Os patrões, que inicialmente queriam suprimir esse acompanhamento, sugeriram que ele fosse feito no caso de demissões de professores com mais de três anos de registro de carteira. Ainda na reunião dos empresários, serão analisados o pagamento dos dias parados, sem prejuízos para os grevistas, reajuste salarial com base no INPC (1,56%) e o prazo de validade de um ano para a convenção coletiva. Os donos das instituições de ensino deverão então referendar ou não as propostas. Somente depois disso, os trabalhadores marcarão nova assembleia para decidir se fecham acordo.

“Não entendemos a resistência dos patrões com relação à homologação das rescisões no sindicato, já que não existe ônus para as escolas.
Quando ao reajuste salarial, nem sequer aceitaram a proposta do desembargador de arrendondar para 2%, o que seria um ganho real mínimo. Somente houve avanço quanto ao pagamento dos dias não trabalhados. Isso só demonstra que não valorizam os professores”, alfinetou Valéria. Ainda de acordo com a presidente do Sinpro Minas, a questão da contribuição sindical foi tirada da pauta. “Os professores já disseram que vão autorizar o desconto”, justificou. De acordo com Valéria, mais de 2 mil trabalhadores participaram da assembleia da noite de ontem, que decidiu pela manutenção da greve pelo menos até amanhã. A sindicalista admitiu que vêm ocorrendo dissidências no movimento, devido às pressões patronais, mas disse que não tinha como fazer um balanço. Na semana passada, o sindicato contabilizava 60 escolas totalmente paradas.


Já o Sinep divulgou ontem que oito escolas estavam totalmente paradas e seis parcialmente. Porém, à noite o Colégio Santo Agostinho, unidade Central, divulgou nota afirmando que a instituição, cujos professores entraram em greve ontem, voltará à normalidade hoje. Também o Loyola avisou os pais sobre a volta às aulas hoje. Algumas instituições, com paralisações parciais, estão recebendo seus alunos normalmente com atividades específicas. À noite, estudantes do Centro Universitário Newton Paiva, na Avenida Silva Lobo, no Garjau, Oeste de BH, fecharam a via em protesto a favor dos educadores. 

Futuro das Umeis  será definido hoje 


As professoras da educação infantil de Belo Horizonte decidem hoje, em assebleia, se aceitam a proposta do prefeito Alexandre Kalil (PHS) e põem fim à greve que já dura 10 dias, ou se continuam o movimento pela equiparação com os docentes do nível fundamental. Ontem,  a administração municipal pediu o fim da greve para reenviar o projeto de lei com melhorias na carreira das profissionais, incluindo até 20% de reajuste.

A categoria quer que as professoras graduadas, que na educação infantil têm salário bruto de R$ 1.451,93, recebam o mesmo salário que os docentes do ensino fundamental (R$ 2,2 mil). Para quem se ocupa dos pequeninos, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) exige formação de nível médio, enquanto para as crianças a partir de 6 anos é exigido curso superior. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede), no entanto, alega que 70% das professoras têm a formação superior.

A carreira de professor municipal tem 24 níveis, sendo o 1º para quem inicia na educação infantil e o 10º para quem começa no fundamental.
Pela proposta da PBH,  as professoas passarão automaticamente para o nível 4..