Jornal Estado de Minas

Ônibus é incendiado na Região de Venda Nova, em Belo Horizonte

Bombeiros usaram quase 5 mil litros de água para apagar as chamas - Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação
Subiu para sete o número de ônibus incendiados na Região Metropolitana de Belo Horizonte nos últimos dias. Na noite de segunda-feira, mais um coletivo foi incendiado, desta vez no Bairro Piratininga, Região de Venda Nova. 

 

De acordo com a Polícia Militar (PM), três pessoas, provavelmente menores de idade, atearam fogo a um coletivo da linha 617 (Estação Pampulha/Piratininga via Rio Branco) na Rua Zélia, pouco antes das 21h. O motorista contou que, encapuzados e simulando estar armados, eles mandaram o condutor abrir todas as portas, manter as luzes apagadas e que quem estava no coletivo recolhesse os pertences pessoais. Logo em seguida, queimaram o ônibus usando líquido inflamável. A equipe do Corpo de Bombeiros encaminhada ao local usou 4,5 mil litros de água para apagar as chamas. Ninguém ficou ferido. 

 

Ainda segundo a PM, eles mandaram o motorista entregar quatro bilhetes às autoridades reclamando de desrespeito com as visitas dos presos do Presídio de São Joaquim de Bicas 2, Complexo Penitenciário Nelson Hungria e do Presídio Antônio Dutra Ladeira. O material apreendido foi entregue à 2ª Delegacia de Polícia Civil de Venda Nova. 

 

No fim da noite de domingo, um veículo da linha 7540 (Alvorada/Belo Horizonte) foi queimado no Bairro Alvorada, em Betim. Segundo a polícia, mais uma vez os responsáveis deixaram um bilhete reclamando do Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem.
A Polícia Militar diz que, desde o ano passado, mais de 40 pessoas foram presas por ataques a ônibus na Grande BH, mas a maioria já está de volta às ruas.

 

O crime ocorreu por volta das 22h40 na Rua dos Novatos, final da linha. O motorista contou aos policiais militares que havia acabado de estacionar o veículo, que estava sem passageiros, quando dois homens entraram e anunciaram que queimariam o ônibus. Um deles parecia ser menor de idade e carregava um galão de combustível. Antes de atear fogo, eles roubaram uma quantia em dinheiro da viagem.

Na semana passada, cinco veículos foram incendiados, entre eles um micro-ônibus que estava em frente a área da Fetaemg, no Bairro Juliana, Norte de BH - Foto: Jair Amaral/EM/DA Press
O motorista disse à PM que saiu correndo e teria sido atingido pelo fogo no braço direito. Apesar de não haver ferimentos aparentes, ele reclamava de dores e disse que procuraria atendimento médico por contra própria. Quando a polícia chegou ao local, o veículo ainda estava em chamas.

O Corpo de Bombeiros foi chamado.

De acordo com a Polícia Militar, assim como em outro caso registrado na semana passada, os criminosos deixaram um bilhete escrito à mão com supostas reivindicações de detentos da Nelson Hungria exigindo que o motorista o entregasse às autoridades.

O motorista de outro ônibus, que estava estacionado atrás dele, disse ter sido abordado pela dupla e um deles mostrou que estava com uma arma na cintura. Eles roubaram R$ 110 desse veículo. O condutor também observou que havia um homem de moto na esquina e a suspeita é de que ele dava cobertura à ação.

O local do incêndio foi isolado e passou por perícia. Ainda de acordo com a PM, um adolescente de 16 anos deu entrada na Unidade de Atendimento Imediato (UAI) Teresópolis com queimaduras. Ele disse que foi atacado dentro de casa por desconhecidos que atearam fogo ao corpo dele e que teria perdido a consciência. No entanto, os policiais procuraram a mãe do adolescente, que disse que ele estava fora de casa desde as 17h de domingo.



Conforme a PM, o estado de saúde dele é grave, com risco de morte, e ontem à noite ele deveria ser transferido para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.


DETENÇÕES
O major Flávio Santiago, chefe da sala de imprensa da Polícia Militar de Minas Gerais, informou ontem que de 2017 até hoje 44 pessoas haviam sido presas por envolvimento em incêndios a ônibus na capital e região metropolitana. Nesta terça-feira, a PMMG corrigiu o número para 49 detenções. “A PM se desdobra para fazer as operações, o acompanhamento. No ano passado, chegou a fazer escoltas de itinerários e tem mantido contato com as empresas de ônibus”, detalhou o militar, ressaltando que somente em Belo Horizonte são realizadas cerca de 3 mil viagens de ônibus por dia. “Mas reputamos uma fragilidade no ordenamento jurídico porque, do ano passado até hoje, de um número expressivo de presos, infelizmente, a maioria já se encontra nas ruas”, analisa.

O major Santiago comenta também que, destruindo os coletivos, os criminosos acabam prejudicando a população das próprias comunidades onde se abrigam. O chefe da sala de imprensa da Polícia Militar pede que a população denunciem envolvidos nesses casos. “As pessoas que tiverem qualquer informação a respeito disso podem ligar no 190 ou no 181. É sempre bem-vinda a informação da sociedade. Hoje temos as bases em Belo Horizonte expandindo neste ano para a região metropolitana, a cada 4 quilômetros tem uma base.
Se alguém souber de algo, pode usar a base para a denúncia”.

Ainda segundo ele, a polícia está atenta às ocorrências. “É uma constante, mas toda vez que se vivencia uma situação na operação do estado de flagrância, (a corporação) direciona esforços para que haja secção daquele processo”, finalizou. Na semana passada, cinco veículos foram incendiados, entre eles um micro-ônibus que estava em frente a área da Fetaemg, no Bairro Juliana, Norte de BH.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) informou que aguarda as investigações da Polícia Civil, “que apura suposto envolvimento de detentos do Complexo Penitenciário Nelson Hungria na ordem de execução dos crimes”. A Seap diz que está acompanhando o andamento dos casos e “assegura que toda e qualquer conduta inadequada dos seus servidores, quando devidamente formalizada, é apurada nos termos da lei”, finaliza.

PREJUÍZO Por meio de nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) informou que com esse chega a 71 o número de ônibus do sistema de transporte coletivo urbano de Belo Horizonte incendiados desde o início da vigência do atual contrato, em 2008. 

 

“O incêndio criminoso, registrado ontem, por volta das 21 horas, no bairro Piratininga, na região de Venda Nova, foi o segundo ato de vandalismo cometido contra veículo da linha 617 (Estação Pampulha/Piratininga via Rio Branco) ocorrido no mesmo local, ou seja, no ponto final localizado à rua Zélia, 227, em 85 dias. O incêndio anterior aconteceu às 22h30min de 21 de janeiro. Nos dois casos, os veículos foram completamente destruídos”, informou o SetraBH. 

 

“As queimas de ônibus prejudicam os usuários das linhas com a redução forçada temporária de veículos em circulação. Nos cálculos do SetraBH, um veículo convencional queimado ou depredado deixa de atender, em média, a cerca de 500 usuários por dia útil”, explica a nota do sindicato. 

 

“Os articulados têm capacidade de transportar o dobro de usuários diariamente, em média. Os atos de vandalismo também oneram o sistema de transporte coletivo e sua operação, ao reduzir a capacidade de reinvestimento dos consórcios, uma vez que não há seguro contra ações dessa natureza”, detalha a entidade. 

Nesta terça-feira, a Polícia Civil informou que o caso registrado na segunda-feira já está em apuração.

Sobre os incêndios registrados até domingo, a corporação informou que eles são investigados pelas respectivas delegacias de área. “No momento, não é possível afirmar se os fatos têm ligação ou se são isolados, bem como se todos foram criminosos ou não. Na ocorrência de São Joaquim de Bicas, na última sexta-feira (13), seis suspeitos foram presos em flagrante por dano ao patrimônio e encaminhados ao Sistema Prisional”, disse a Polícia Civil de Minas Gerais. 

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