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Estado de Minas

Maníaco de Contagem é julgado por estupro e morte de comerciante

Adina Feitor Porto foi assassinada em janeiro de 2009. Marcos Trigueiro já foi condenado por estuprar e matar outras quatro mulheres


postado em 07/02/2018 13:04 / atualizado em 07/02/2018 13:08

Marcos Antunes Trigueiro é julgado em Ibirité, na Grande BH(foto: TJMG/Divulgação)
Marcos Antunes Trigueiro é julgado em Ibirité, na Grande BH (foto: TJMG/Divulgação)

Marcos Antunes Trigueiro, o Maníaco de Contagem, está novamente no banco dos réus. Nesta quarta-feira, ele é julgado pelo assassinato da comerciante Adina Feitor Porto, de 34 anos, em Sarzedo, em janeiro de 2009. Segundo a Justiça mineira, cronologicamente ela foi a primeira das cinco vítimas do assassino, que agiu na região metropolitana da capital naquele ano. Ele já foi condenado a mais de 100 anos de prisão pelos outros crimes. 

O júri começou pela manhã na Câmara Municipal de Ibirité, na Grande BH. A sessão é presidida pelo juiz José Honório de Rezende. Na defesa está o advogado Rodrigo Bizzoto Randazzo. A acusação é feita pela promotora Manuela Xavier. O júri é composto por quatro homens e três mulheres. 

Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), consta na denúncia que Trigueiro abordou Adina no Bairro Lindéia, na Região do Barreiro, onde ela dirigia. Simulando um assalto, ele obrigou a comerciante a dirigir até Sarzedo. Lá, ela foi estuprada e estrangulada pelo homem. Em seguida, o acusado escondeu o corpo e dirigiu o carro dela até Contagem. Ele abandonou o veículo e fugiu. 

O corpo de Adina foi encontrado em 27 de janeiro de 2009, já em estado avançado de decomposição. Foi preciso fazer exames de impressão digital para identificá-la. A comerciante trabalhava em uma empresa de gesso e havia saído de casa para atender um cliente quando foi atacada pelo Maníaco de Contagem. Ela deixou dois filhos. 

Conforme o TJMG, Marcos trigueiro foi denunciado por homicídio qualificado, por constranger mulher a conjunção carnal, mediante violência ou grave apeaça e por furto, com agravante de reincidência. As qualificadoras são por motivo torpe, por meio insidioso ou cruel, com recurso que dificultou a defesa da vítima e apara assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime. 

Questionado pelo juiz, Trigueiro disse que não tinha nada a dizer sobre o crime em sua defesa e confirmou o depoimento dado à Polícia Civil e lido pela promotora de Justiça. 

“LOUCO POR CONVENIÊNCIA” A promotora Manuela Xavier leu o depoimento do réu prestado à Polícia Civil, quando ele detalhou a execução de Adina. Conforme o TJMG, ela rechaçou a teste da defesa em outros processos criminais afirmando que Trigueiro é doente mental. Para ela, o réu é “louco por conveniência”.  "Nunca teve crise, nunca surtou, mas depois que foi preso alega loucura. O problema é de caráter. E a solução pra isso é a cadeia. O sadismo dele era tanto que ele sentia prazer com a morte", ressaltou a representante do Ministério Público de Minas Gerais. "É uma pessoa fria, calculista, que planeja seus crimes. Temos que ter clemência é da vítima, da família que ficou oito dias sem notícia do corpo, dos filhos que vão crescer sem mãe", enfatizou. 

Por sua vez, o advogado Rodrigo Randazzo nega que Trigueiro teve intenção de ocultar os corpos das mulheres, e alegou que é simples falar “Vá ao psiquiatra, procure um médico, mas que “a realidade do brasileiro é outra”. Ao lembrar que o cliente já foi condenado a mais de 100 anos de prisão, questionou qual seria a finalidade de mais uma condenação para Trigueiro para o ordenamento jurídico. 

Para Randazzo, a promotoria quer apenas uma pena mais alta. "Não é a finalidade, não é a eficácia da aplicação da pena. É como se fosse um concurso público, o que importa é aumentar a nota", disse. A defesa pede a desclassificação os crimes para somente estupro seguido de morte e pede a ausência de dolo no crime de ocultação de cadáver. 

CONDENAÇÕES De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Marcos Antunes Trigueiro já foi condenado a 34 anos e 11 meses de prisão pelo estupro e morte de Ana Carolina Menezes, atacada no Bairro Alto dos Pinheiros; a 28 anos pelo estupro e morte de Maria Helena Lopes Aguilar, de 48 anos,crime cometido no Bairro Califórnia, Região Noroeste de BH; a 36 anos e nove meses de reclusão em regime fechado pelo estupro, assassinato e furto do celular de Edna Cordeiro de Oliveira Freitas, de 35 anos; e a 31 anos, oito meses e 10 dias de prisão pelo estupro e morte de Natália Cristina de Almeida Paiva, de 27 anos. Além disso, ele também foi condenado a um ano e seis meses pelo furto de um som na comarca de Brasília de Minas. O advogado também argumenta com o princípio da insignificância neste último caso. 

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