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Estado de Minas

Corpo de professor da UFMG morto em ônibus é enterrado em clima de comoção e revolta

Antônio Leite Alves Radicchi foi assassinado na manhã de segunda-feira em um coletivo da linha 9805. Enterro durou cerca de 30 minutos e o ato de violência chocou os amigos


postado em 14/11/2017 18:58 / atualizado em 14/11/2017 19:18

Amigos e familiares lamentam a morte de Antônio Leite Alves Radicchi(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A)
Amigos e familiares lamentam a morte de Antônio Leite Alves Radicchi (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A)
Familiares, amigos, colegas de profissão e alunos participaram, na tarde desta terça-feira, do enterro do professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Antônio Leite Alves Radicchi, de 63 anos, esfaqueado anteontem, em Belo Horizonte, dentro de um ônibus da linha 9805 (Renascença/Santa Efigênia).

Eram 16h45 quando o cortejo, vindo da unidade de ensino superior, na região hospitalar, chegou ao Bonfim, onde já aguardavam pessoas muito emocionadas, mas com voz forte o suficiente para enaltecer a vida e o trabalho do profissional. “Era um homem bom, humilde, ótimo professor, sempre pronto a ajudar todo mundo e não nos deixava sem resposta”, disse, em lágrimas, a estudante de gestão de serviços de saúde, Karina Fonseca, de 39.

O delegado Thiago de Oliveira, responsável pelo inquérito que apura a morte do professor e médico vai pedir a conversão da prisão em flagrante de Alexandre Siqueira de Freitas, preso pelo crime, para a preventiva. O homem ficou preso de junho de 2016 até setembro deste ano. Nessa segunda-feira, ele atacou a facadas o educador dentro de um ônibus da linha 9804 (Santa Efigênia/Renascença). A vítima foi atingida por aproximadamente 10 golpes.

 De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap), Alexandre esteve detido no Presídio de São Joaquim de Bicas II, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, por 15 meses. Ele deixou a unidade prisional em 14 de setembro deste ano. Segundo o Fórum Lafayette, ele foi condenado em outubro a dois anos de reclusão por tentativa de homicídio. Porém, como já estava preso por quase a totalidade da pena, o juiz fixou o regime aberto.

 Além desta condenação, Alexandre também foi condenado por roubo, que aconteceu em 2012. A sentença foi proferida dois anos depois. Ele foi sentenciado por três anos, seis meses e 20 dias de reclusão em regime aberto. A decisão do regime foi tomada devido ele ser réu primário.  A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou, nesta terça-feira, que o delegado Thiago de Oliveira vai pedir a conversão do flagrante por latrocínio – roubo seguido de morte – para prisão preventiva. Segundo a corporação, o delegado afirmou que a solicitação será por causa da gravidade do caso.

 
Entenda o caso


O professor entrou no ônibus da linha 9805 por volta das 8h de ontem, no ponto da Praça Muqui, próximo ao número 111, como costumava fazer diariamente, no Bairro Renascença, na Região Nordeste de BH. Nove pontos depois, na Rua Tamboril, já no Concórdia, Alexandre Siqueira de Freitas, de 26, embarcou junto com a mulher. Testemunhas contaram que Alexandre começou a discutir com Antônio logo ao entrar no coletivo. Minutos depois, o suspeito ordenou ao motorista que parasse o veículo, pois o médico desceria. Nesse momento, segundo o boletim de ocorrência, Alexandre puxou a mochila da vítima, que teria reagido. Diante disso, Alexandre sacou uma faca e golpeou o professor aproximadamente 10 vezes.

A confusão chamou a atenção de moradores e comerciantes da Rua Juazeiro, no Bairro São Cristóvão, onde o veículo parou. “Tinha acabado de abrir a loja. No ponto de ônibus estavam três pessoas. Quando olhei pela janela, vi o criminoso fazendo o movimento de dar as facadas. O professor ainda estava sentado no banco quando foi atingido”, disse uma testemunha que conversou com o Estado de Minas e pediu anonimato.

Em conversa com os policiais, Alexandre contou uma versão que não convenceu a família da vítima nem as testemunhas do crime. Ele alegou que o professor e outros cinco homens o agrediram em um bar na Rua Jacuí na noite de domingo. Parentes afirmam que Antônio não frequentava bares nem tinha saído na noite anterior ao crime. Já pessoas que presenciaram a cena dizem que o agressor queria roubar o celular e a mochila do passageiro. Na casa de Alexandre foram encontradas a jaqueta e o boné usados por ele na hora do crime, com marcas de sangue. (Com informações de Junia Oliveira)

 

 

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