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Estado de Minas

Torcedor do Cruzeiro é baleado por PM durante bate-boca em Contagem

Vítima do tiro alegou que estava comemorando a classificação do time na Copa do Brasil quando foi baleado; PM disse ter agido em legítima defesa


postado em 24/08/2017 10:24 / atualizado em 24/08/2017 13:13

Um desentendimento entre um soldado da Polícia Militar e dois torcedores do Cruzeiro na madrugada desta quinta-feira resultou em um homem baleado no Bairro Fonte Grande, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. 

O boletim de ocorrência da PM traz três versões para o caso, segundo o major Flávio Santiago, chefe da Sala de Imprensa da PM. Primeiro, um homem de 30 anos acionou os militares informando que ele e o cunhado, de 28 anos, foram alvos de tiros de arma de fogo no momento em que passavam pela Rua Anjo da Guarda em uma BMW preta. Os torcedores disseram que estavam buzinando e gritando em comemoração à vitória do Cruzeiro no jogo dessa quarta-feira.

Conforme relato de Thiago Henrique Costa Lopes, 30 anos, após ouvir três disparos, ele escutou o cunhado, Francis Ferreira Silva, de 28, que estava no carro, dizer: "O neguinho me acertou". Thiago, então, relata que deu a volta no quarteirão para tentar encontrar quem estava atirando. Quando passou pela rua novamente, o torcedor, que dirigia o carro, disse que outros cinco tiros foram disparados. Em uma conversa com o comandante do turno da corporação, o homem informou que saberia informar onde morava e quem seria o autor dos disparos. 

No local indicado, segundo o major Flávio Santiago, policiais militares conversaram com o morador da casa, que informou ser militar e confirmou os disparos, dizendo que já estava em contato com a corporação para informar o caso.

O soldado, de 31 anos, foi questionado sobre a versão do torcedor e informou aos militares que realmente disparou contra o carro, mas alegou que os tiros foram em legítima defesa, já que ele observou o que seria uma arma de fogo apontada em sua direção de dentro do carro.

Segundo informado pelo soldado aos policiais, ele estava chegando do trabalho que exerce no 39º Batalhão, já sem farda, quando estacionou o carro em frente à casa onde mora e desceu para abrir o portão da garagem. Ele alegou que a região é erma e, devido a rua estar deserta, desceu do veículo com a arma na cintura. 

Quando estava abrindo o portão, o soldado informou que uma BMW preta parou ao lado dele e os ocupantes começaram a gritar palavrões, dizendo que ele só poderia ser atleticano por estar com a cara fechada. Inicialmente, e diferentemente do relato do homem, o soldado disse que não atirou e que apenas colocou a mão em sua arma sem apontá-la, apenas para se certificar de que estava tudo certo.
 
Em um segundo momento, esse mesmo carro volta, quando o soldado já estava fechando o portão com o carro estacionado na garagem. Ele relata uma intensificação das ofensas, até mesmo com ameças de morte. O soldado disse ainda que viu uma arma apontada em sua direção e, em legítima defesa, atirou cinco vezes na direção do veículo, que deixou o local. Um familiar do soldado que estava no imóvel confirmou a versão dada pelo militar no boletim de ocorrência.

A terceira versão que consta na ocorrência, segundo o major Flávio Santiago, é de uma mulher que também estava no carro, irmã de Thiago e esposa de Francis. Ela confirma as agressões verbais praticadas contra o policial e também confirma que os tiros foram dados apenas na segunda passagem do carro pelo local. De acordo com a PM, ela não relata nenhum disparo na primeira vez que Thiago parou a BMW preta na porta da casa do soldado.

O major Flávio Santiago ainda informou que o soldado disse não ter muita simpatia por assistir futebol, não vestia nenhuma camisa de time, mas teria até simpatia pelo time do Cruzeiro. 

Com os disparos do militar, o torcedor que estava no banco do passageiro acabou sendo ferido. De acordo com a PM, a bala atingiu as costas do homem e ficou alojada no ombro esquerdo da vítima, que foi encaminhada para um hospital particular em Contagem. 

Em seguida, o homem precisou ser transferido para uma unidade no Bairro Santa Efigênia, na Região Leste de BH, onde foi submetido a cirurgia e permanece internado.

A Polícia Militar informou que não foi encontrada nenhuma arma no carro. Como o fato aconteceu com o militar fora do horário de serviço, o caso será investigado pela Polícia Civil. A arma do PM foi recolhida ao 39º Batalhão para ser encaminhada à investigação e o carro passou por perícia.

Nenhum dos dois homens que estavam dentro da BMW preta tem passagens pela polícia, de acordo com o major Flávio Santiago. 

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