Jornal Estado de Minas

ONG tem 200 animais abandonados à espera de adoção

Eles são rajadinhos, pretinhos, alguns de cores mescladas, filhotes e adultos. Vira-latas que formam um verdadeiro festival de fofurice e estão à procura de um lar para chamar de seu e de donos para dar amor e aconchego. Cães e gatos distribuíram charme e olhares doces durante a feira de adoção promovida pela Sociedade Mineira Protetora dos Animais, num pet shop na Avenida Nossa Senhora do Carmo, na Região Centro-Sul de BH. Cachorros e felinos com história de abandono, doenças e maus-tratos que foram resgatados nas ruas e agora estão saudáveis, castrados, vacinados e vermifugados mostram que ainda há um longo caminho para vencer preconceitos até mesmo no mundo animal.

Atualmente, a organização não governamental (ONG) tem cerca de 200 animais em sua sede. Apesar das condições para serem adotados, até mesmo em se tratando desses bichinhos o preconceito fala mais alto. “As pessoas chegam querendo fêmea, filhote e de porte pequeno, quando não exigem ainda que seja peludinho e branco. Um vira-lata não tem essas características. Temos tigradinhos, pretinhos e com todas as condições para ganhar um lar, mas isso não ocorre por causa da cor”, conta uma das voluntárias.
Aqueles com alguma doença crônica, mesmo que controlada, velhos e com um comportamento ou esteticamente fora do padrão têm as chances ainda mais reduzidas. “Cães e gatos continuam nascendo às centenas de milhares e cada animal bem adotado preenche um lar por até 15 anos”, afirma.

Na contramão da maioria, a fisioterapeuta Júlia Baumgratz, de 31 anos, adotou a cadela Kity, de 4, há meses numa das feiras promovidas pela Sociedade. De porte médio e cor rajada, a vira-lata está feliz da vida. “A adaptação foi muito tranquila, pois como na ONG ela não tinha um espaço tão grande, o apartamento se tornou gigante. Costumamos voltar às feiras para mostrar às pessoas que se pode sim manter um cachorro de porte médio em apartamento, desde que ele saia e mantenha atividade física regular”, afirma.

A administradora Gabriela Ladeira, de 24, é voluntária na Sociedade e também adotou a cadela Farofa, de 4 anos, há 10 meses. “Vim querendo um filhote, mas ela foi indicada por ser quietinha. Ela é muito amorosa, está dando supercerto”, conta.
Também voluntária há cinco anos e adotante, a estudante de engenharia mecânica Marcela Carvalho, de 20, relata que o processo é complicado. “É muito difícil pôr na cabeça das pessoas que aos animais não importa a aparência nem a condição financeira delas, logo, elas também não devem se importar. Infelizmente, a cultura de adotar não existe. As pessoas preferem comprar o animal, como se fosse um produto”, afirma.

Para adotar ou colaborar basta entrar em contato pelo e-mail adocaosmpa @gmail.com.

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