“Não sabemos de quando datam essas cores, portanto, não podemos dizer que são as originais. O bege claro e o vinho estavam sob quatro camadas de tinta e, ao longo do tempo, houve repinturas e remoções. Dessa forma, elas mantêm uma unidade nas paredes de dentro e de fora da igreja”, conta a arquiteta do escritório técnico do Iphan em Mariana, arquiteta Flora Passos, que coordenou a audiência pública realizada no dia 27 na Igreja de Nossa Senhora do Carmo. “Uma semana antes da audiência, fizemos uma reunião técnica, com análise das prospecções, com especialistas do campo do restauro, incluindo representantes da prefeitura local, Arquidiocese de Mariana, Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Mariana e sociedade civil”, explica Flora.
Na audiência pública, 51 pessoas votaram a favor das cores bege claro e vinho e 10, contra.
CONCLUSÃO A previsão é de que a restauração iniciada em janeiro de 2016, e compreendendo arquitetura, estrutura, drenagem e instalação hidrossanitária, termine em junho, estando até lá pronta a pintura da fachada e do interior do templo, considerado também a primeira catedral do interior do país. Uma das 15 ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas em Mariana, a intervenção demandou, até hoje, recursos de R$ 1,5 milhão do governo federal. Paralelamente, são conduzidos trabalhos arqueológicos, tendo em vista a grande quantidade de ossos encontrada sob o piso da catedral e da praça em frente. A parte posterior do projeto, a ser ainda contratada, vai contemplar elementos artísticos e serviços complementares (parte elétrica, luminotécnica, segurança contra descargas elétricas e outros).
Satisfeito, o pároco da Catedral Basílica de Nossa Senhora da Assunção, cônego Nedson Pereira de Assis, diz que a descoberta valoriza ainda mais o patrimônio de Mariana, que é a primeira vila, cidade e diocese de Minas. “Realmente, não se pode dizer que seja a cor primitiva, pois estamos falando de uma igreja de mais de 300 anos. De todo jeito, é a mais antiga encontrada nas prospecções. Fizemos o convite, nas missas e outras celebrações, para a participação da comunidade na escolha da cor da catedral que é ‘primaz de Minas’”, disse o cônego.
CONSTRUÇÃO A história da catedral começa em 1704, quando o bispo do Rio de Janeiro dom Frei Francisco de São Gerônimo, com jurisdição sobre Minas, cria a paróquia – nessa época, havia no arraial apenas as capelas de Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora da Conceição. Três anos depois, ocorreu a instalação da matriz, transferida da Igreja do Rosário Velho (atual Capela de Santo Antônio) para a Capela de Nossa Senhora da Conceição, por oferecer mais espaço e estar no centro urbano que não parava de crescer.
Após a criação da Vila do Ribeirão do Carmo (nome primitivo de Mariana), em 8 de abril de 1711, a coroa portuguesa determinou que a câmara se empenhasse na construção da matriz. Em 14 de maio de 1714, os “notáveis” da Vila do Carmo se reuniram para garantir os recursos. A obra é confiada ao mestre Jacinto Barbosa Lopes, então vereador da câmara. Padre Nedson conta que, em arquivo do Legislativo, está um documento datado de 1716, convidando o mestre “a vir concluir as obras da matriz” comandadas pela Irmandade do Santíssimo Sacramento.
Entre 1716 e 1718, foram concluídas as obras da matriz, no sistema construtivo de madeira e taipa. Em 1734, a igreja foi alvo de uma intervenção radical: a reedificação arrematada pelo pedreiro Antônio Coelho da Fonseca, sendo, nesse período, incluída no projeto a divisão em três naves e concluídas a fachada e as torres.
CRONOLOGIA
CATEDRAL PRIMAZ DE MINAS
1704
Criação da paróquia por dom Frei Francisco de São Gerônimo, bispo do Rio de Janeiro com jurisdição sobre Minas.
Na época, havia as capelas de Nossa Senhora do Carmo e da Conceição
1707
Instalação da matriz, transferida da Igreja do Rosário Velho (hoje Capela de Santo Antônio) para a Capela de Nossa Senhora da Conceição, que era mais ampla e no meio urbano
1711
Criação da Vila do Carmo e determinação, pela Coroa portuguesa, que a câmara se empenhasse para a construção da nova matriz
1713
Início da construção da matriz, hoje Catedral Basílica de Nossa Senhora da Assunção, mais conhecida como Catedral da Sé de Mariana
1745
Em 6 de dezembro, pela bula Candor Lucis Aeternae, do papa Bento XIV, é criada a diocese de Mariana, a primeira do interior do país e primaz de Minas
1753
Chega a Mariana o órgão Arp Schnitger, presente da Coroa portuguesa ao primeiro bispo de Mariana, dom Frei Manoel da Cruz
1906
Em 1º de maio, a diocese é elevada à categoria de arquidiocese e Sé metropolitana pelo papa São Pio X, por meio da bula Sempiternam Humani Generis
1961
Elevação da Catedral de Nossa Senhora da Assunção, pelo Vaticano, à categoria de Basílica Menor
2016
Em janeiro, início da obra de restauração (arquitetura, estrutura, drenagem e instalação hidrossanitária)
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