Fachada da Igrejinha da Pampulha é pichada novamente

Vandalismo foi descoberto por guardas municipais nesta madrugada. Último caso de pichação também ocorreu em março, no ano passado

Guilherme Paranaiba Cristiane Silva

O fato de a Igreja de São Francisco de Assis, um dos principais cartões postais de Belo Horizonte, estar incluído no conjunto moderno da Pampulha, que foi contemplado no ano passado com o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, não impediu que o monumento fosse mais uma vez vandalizado por pichadores.
Quase um ano depois do primeiro ato, novamente os vândalos agiram, dessa vez pichando duas palavras na lateral da obra projetada por Oscar Niemeyer.

Segundo guardas municipais que trabalham na região, a pichação teria ocorrido entre 22h30 e 23h30 da noite de ontem, momento em que uma dupla de guardas que estava patrulhando as proximidades da igrejinha saiu para o lanche. Quando retornaram, teriam visto o vandalismo.

As inscrições "perfeitaismo" ocupam uma área considerável da lateral da igreja que está virada para o Mineirão e Mineirinho. E foram feitas, novamente, no painel de ladrilhos que dificultou bastante o trabalho de limpeza da primeira vez. Nessa ocasião, o painel de Cândido Portinari, que fica na parte de trás do monumento, não foi alvo da ação.

Em uma pesquisa na internet foi possível encontrar uma página com a palavra  "perfeitaismo". Trata-se de um livro sobre a implantação de um "sistema político-financeiro" com o objetivo de "gerar uma sociedade melhor".

A sujeira provocou reação imediata dos frequentadores da orla da lagoa, que condenaram a atitude. O administrador Ronaldo Linhares, de 64 anos, achou um absurdo.
"Não dá para admitir uma coisa dessa no momento que a lagoa virou Patrimônio Cultural da Humanidade. Ando aqui há 10 anos e reconheço as melhorias na limpeza, mas precisamos melhorar na segurança", afirma.  

- Foto: Edésio Ferreira/EM/DA Press"A gente fica magoado e chateado com essa situação. A solução é colocar um policiamento 24 horas, que fique o tempo todo e não apenas passe e volte de tempos em tempos", diz o aposentado Dario Torres, de 67 anos. "Precisamos de uma lei que seja severa e exija o pagamento de uma multa em casos como esse", acrescenta o aposentado Aloisio Fortuna Campos, de 60.

Há quase um ano, em 21 de março de 2016, a duas paredes da capela foram pichadas. Uma delas é a que contém o painel de São Francisco de Assis, feito por Portinari. Na época, dois homens foram detidos pelo crime e um estava foragido.

Investigação


Um guarda municipal está, nesta manhã, na igrejinha aguardando a chegada de uma perícia técnica, que vai atestar o tamanho dos danos. Policiais militares do 34º Batalhão também estiveram no local hoje cedo, mas não quiseram falar com a imprensa e nem adiantar se a câmera do Olho Vivo flagrou alguma movimentação suspeita.
 

De acordo com a Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Segurança, uma equipe da Guarda Municipal faz o patrulhamento diário próximo à Igrejinha da Pampulha. A equipe não é estática e, durante a ronda de ontem, os autores se aproveitaram para fazer a pichação. A Polícia Civil compacererá na manhã desta quinta-feira para a perícia no local.

Oficialmente, a Guarda Municipal informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a dupla de agentes saiu para fazer uma ronda – e não o intervalo do lanche, como apurado pela reportagem no local -, e por isso não flagrou o momento exato da pichação.

A instituição também informou que durante o dia, de 6h às 18h, o patrulhamento é feito por oito guardas em bicicletas, dois guardas em motos e dois em uma viatura na orla da lagoa. Das 18h às 6h do dia seguinte, a ronda é feita por uma única dupla em viatura, que prioriza sempre a região da Igrejinha da Pampulha quando não está em movimento.

.