Chegada do asfalto tira sossego de Taquaraçu de Minas

A cidade é atualmente a que tem menos acidentes de trânsito na Região Metropolitana de BH, mas se tornou rota alternativa à rodovia da morte

Paulo Henrique Lobato - Enviado especial
Com a recente chegada do asfalto à LMG-855, a estrada virou rota alternativa à BR 381, tirando o sossego dos moradores - Foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press

Taquaraçu de Minas
– Rui Marques Pessoa, que em breve comemorará 73 anos de idade, coleciona histórias sobre Taquaraçu de Minas, que tem origem na época dos bandeirantes e cujo nome, no idioma tupi, é taquara grande. A cidade, rodeada por cerrado e cortada pelo rio homônimo, registrou o menor número de acidentes de trânsito entre as 34 da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Foram 65 de janeiro de 2015 a novembro de 2016, conforme levantamento do Estado de Minas em planilhas da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).


Mas seu Rui teme uma disparada na estatística a partir deste ano. O motivo envolve a perigosa BR-381, rotulada de Rodovia da Morte, e a recente chegada do asfalto à LMG-855, que liga a cidade à MG-020. A pavimentação credenciou a estrada estadual como rota alternativa à rodovia federal, palco de incontáveis tragédias desde que foi construída, no fim da década de 1960, com status de um caminho seguro.


De lá para cá, a visão sobre a 381 mudou. A agora Rodovia da Morte é uma estrada ultrapassada, com excesso de curvas, ausência de acostamento e piso deteriorado. O fluxo de carretas e a imprudência de motoristas são uma combinação perfeita para desastres. Diante disso, a chegada do asfalto na LMG surgiu, na visão de muitos viajantes, como o melhor caminho na região.


A obra de pavimentação custou ao cofre público em torno de R$ 42 milhões.

Foi projetada com as camadas de base e sub-base reforçadas, além de duas de asfalto, totalizando dez centímetros de espessura em toda a sua extensão, segundo o governo mineiro. Mas a nova rodovia também tem armadilhas: é cheia de curvas, sem divisão entre as pistas contrárias, não tem acostamento e há poucos trechos para ultrapassagens.


“Quando a LMG era de poeira, eu levava 1 hora e 30 minutos para chegar a Belo Horizonte. Agora, gasto em torno de 40 minutos. As pessoas que passam pela 381 estão descobrindo o caminho alternativo. Mas há de ter prudência. O número de acidentes pode crescer por essa banda”, teme seu Rui.


Afinal, acrescentou a comerciária Klartanieelly Valery Pessoa, de 31, a troca do piso de terra pelo asfalto diminuiu o tempo de viagem, mas não exterminou todos os perigos. “A estrada, por exemplo, foi pavimentada com bastante curvas e sem acostamento”, reforçou a mulher, funcionária de um minimercado.


Pelo menos uma morte já ocorreu no local: um motoqueiro perdeu o equilíbrio e não sobreviveu à queda. “O veículo deslisou para a vala e o rapaz não segurou a moto”, recordou o comerciante Nilo Guimarães, de 51. O acidente em questão ainda não entrou na estatística da Sesp, pois ocorreu em dezembro passado. Dos 65 registros entre janeiro de 2015 e novembro de 2016, 19 foram com vítimas.


Moradores da cidade acreditam que o baixo número de acidentes no registro da Sesp é explicado pela pequena frota. Há 1.283 veículos no lugarejo, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Para abastecê-los, Taquaraçu de Minas conta com apenas um posto de combustível.


Lá não há semáforos, faixa para travessia de pedestres e centro de formação de condutores (CFC). “A sinalização é precária”, lamentou o taxista Juscelino Dias Coelho, de 59.

Batizado em homenagem ao ex-presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976), ele é chofer há uma década no lugarejo. É outro que teme o aumento do fluxo de veículos na cidade.


“Quem não conhece a região deve tomar cuidado”, recomendou o taxista. A LMG não corta o perímetro urbano de Taquaraçu, mas muitos motoristas que passam por ela entram erroneamente na cidade, aumentando o fluxo de veículos. Além disso, mesmo que na região rural, acidentes que ocorrem na estrada nova são creditados à planilha do município.

 

 

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