MPF denuncia suspeito de matar mineiras em Portugal

O pedreiro Dinai Alves Gomes, de 35 anos, foi denunciado por triplo feminicídio, tripla ocultação de cadáver e roubo. Ele está preso na Penitenciária Nelson Hungria

João Henrique do Vale
Meninas desapareceram em fevereiro do ano passado - Foto: Reprodução internet

Já está na 11ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte, a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o pedreiro Dinai Alves Gomes, de 35 anos, preso por assassinar as irmãs mineiras Michele Santana Ferreira, de 28 anos, Lidiana Neves Santana, de 16, e de Thayane Milla Mendes Dias, 21, em Portugal. O crime foi descoberto em agosto do ano passado. Ele foi denunciado por triplo feminicídio, tripla ocultação de cadáver e roubo.

As jovens estavam desaparecidas desde fevereiro. Em 23 de agosto de 2016, os corpos das três foram encontrados em uma fossa séptica dentro de um hotel para cães e gatos em Lisboa. Dinai trabalhava e morava no local, que também é apontado como última residência das vítimas. De acordo com o MPF, o crime aconteceu em 1º de fevereiro do ano passado, em Tires, distrito de Cascais em Portugal.

O assassinato foi motivado por causa do relacionamento extraconjugal que tinha com Michele. Dinai tinha outra mulher e uma filha no Brasil.
Ele chegou até a ameaçar de morte Michele caso ela ficasse grávida. Na denúncia recebida pela polícia, a garota mandou uma mensagem para a mãe relatando que esperava um filho dele. Isso pode ter sido uma das causas do crime.

A irmã de Michele, Lidiana, foi para Portugal em novembro de 2015 para morar com ela. Dias depois, elas se mudaram para a casa de Dinai. Em janeiro de 2016, foi a vez de Thayane desembarcar no país. Até então, Dinai estava solícito com as garotas. Chegou até a interceder junto ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) para que Thayane pudesse entrar em Portugal. Porém, dias depois da chegada da garota, foi avisado pela mulher que mora no Brasil que ela iria ao seu encontro, adiantando a viagem que seria em fevereiro.

Segundo o MPF, por causa desta situação, em 1º de fevereiro, Michele saiu para o trabalho. Dinai aproveitou e assassinou Thayane e Lidiane. Os corpos delas foram colocados dentro de uma fossa séptica no canil onde trabalhava. De acordo com as investigações, ele retirou todos os objetos e documentos das vítimas da casa, e em seguida foi ao aeroporto buscar a mulher e a filha que haviam acabado de chegar do Brasil.

Durante a noite, Dinai buscou Michele no trabalho, em Lisboa, e levou a Tires. Lá, ele a assassinou e o corpo foi colocado no mesmo local onde estavam as outras vítimas.
“Após a ocultação dos três cadáveres, Dinai teve o cuidado de elevar a boia que controlava o nível da água, a fim de que a fossa ficasse quase cheia, bem como cortou o fio elétrico do alarme de aviso do nível da água e recolocou a proteção metálica sobre a fossa, tudo com a finalidade de garantir que os corpos não fossem descobertos", diz a denúncia.

De acordo com o MPF, após as mortes, Dinai chegou a ligar para a o local de trabalho de Michele e inventado que a mãe dela tinha morrido e que, por isso, ela e a irmão voltaram para o Brasil. Também conversou com a mãe da vítima por meio de um aplicativo de celular se passando por ela. Os corpos das vítimas foram encontrados em 26 de agosto, quando a fossa passou por manutenção.

Roubo

As investigações apontaram que Michele já tinha sido vítima de outro crime em que Dinai era o responsável. Em outubro de 2015, a garota foi atacada por traz por um assaltante. Ela acabou agredida com socos e teve o celular roubado. O MPF destaca que "o roubo se restringiu exclusivamente ao telefone celular da vítima, mas as agressões foram muito além do necessário para a subtração". Quando o homem voltou ao Brasil, o aparelho foi encontrado em uma prateleira da oficina onde trabalhava. No mesmo local, estavam os chinelos com vestígio biológico de uma das vítimas.

Dinai foi preso em 5 de setembro do ano passado em Belo Horizonte.
Sua prisão foi convertida para preventiva e ele se encontra na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH. Se condenado, poderá pegar até 43 anos de prisão. .